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Welber Barral

Conselheiro da Fiesp, presidente do IBCI e ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil

Esse texto trata de uma opinião do colunista e não necessariamente reflete a posição do Agro Estadão

Opinião

A vigência do Acordo Mercosul-União Europeia

Entenda quais são os próximos passos, tanto na Corte Europeia quanto nos países do Mercosul, para que o tratado passe a valer

15/01/2026 - 12:48

Acordo com a UE será um teste para a capacidade brasileira de agir com prioridade. Foto: Adobe Stock
Acordo com a UE será um teste para a capacidade brasileira de agir com prioridade. Foto: Adobe Stock

Após 26 anos de negociações, relançamentos e jantares celebratórios, o Acordo Mercosul-União Europeia parece finalmente ter dado um passo concreto, com a aprovação pelo Conselho Europeu e a previsão de assinatura para esta semana. A partir daí, a pergunta recorrente será sobre os próximos passos e o início de sua vigência.

Do lado europeu, a parte comercial do acordo deverá ser aprovada pelo seu Parlamento. Esta aprovação não está garantida, e será vergastada pelo protecionismo agrícola. Há também risco de questionamento judicial, na Corte Europeia, ou de algum entrave burocrático. Mas, com muita sorte, poderia ser aprovado em um ano.

CONTEÚDO PATROCINADO

A partir daí, a vigência será bilateral, à medida em que cada país do Mercosul ratifique o acordo. No Brasil, em geral, a tramitação de acordos internacionais é lenta, regulada por um processo que combina cautela jurídica com momento político. Na prática brasileira, levam-se em média quatro anos entre assinatura e entrada em vigor.

Inicia-se o processo, após a assinatura, com o envio do texto ao Congresso, após revisão formal pelo Itamaraty, que inclui tradução precisa, análise de terminologia jurídica e compatibilização com a legislação nacional. Essa etapa já consumiu mais de um ano em acordos menos complexos, como o Mercosul-Singapura, há tempos travado na Divisão de Atos Internacionais.

No Congresso, o acordo passa pelas comissões de Relações Exteriores e de Constituição e Justiça na Câmara, e pelo Senado. A aprovação costuma ocorrer, não há possibilidade de emendas, mas pode ser atrasada por um relator pouco ativo. A Frente Parlamentar da Agropecuária, com protagonismo nas duas Casas, será peça-chave para pressionar pela rapidez.

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Aprovado no Congresso, o Executivo ainda mantém discricionariedade para ratificar o acordo, por decreto presidencial, após troca de notas diplomáticas ou depósito do instrumento de ratificação. Só então o acordo tem validade no ordenamento jurídico interno.

No caso do Mercosul-UE, há um diferencial relevante: a possibilidade de entrada em vigor bilateral com qualquer país do bloco. É provável que o Uruguai ratifique antes, criando pressão sobre os demais. Também pesa o contexto internacional: com os EUA impondo tarifas adicionais a bens industriais brasileiros, o acordo com a UE ganha valor geopolítico e estratégico.

Entretanto, o fator eleitoral complica. A campanha reduz o ritmo no segundo semestre, quando o Congresso se voltará para suas bases. O Senador Nelsinho Trad já propôs a criação de um grupo para monitorar a evolução do acordo e ganhar tempo. E há convergência política, com o atual governo comprometido publicamente com a ratificação célere. Mas não esqueçamos o desafio técnico: são mais de mil páginas de texto, com capítulos que envolvem temas complexos como meio ambiente, compras públicas, propriedade intelectual e regras de origem.

Ratificar o acordo com a UE será um teste institucional sobre a capacidade brasileira de agir com prioridade, coordenação e foco técnico. Num mundo em que acordos avançam em meses — e onde China e EUA disputam influência por meio de tarifas e subsídios —, a lerdeza é uma opção custosa.  O Mercosul-UE é mais do que comércio: é uma afirmação estratégica de pertencimento a um espaço regulado, democrático e com regras previsíveis. Se aprovado pelo Parlamento Europeu, o Brasil levar quatro anos adicionais para ratificá-lo será desperdiçar oportunidades comerciais e estratégicas.

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