Agropolítica
Lula pede que Japão abra mercado para carne bovina brasileira
País asiático firmou acordo para financiar programa de recuperação de pastagens degradadas
Daumildo Júnior | daumildo.junior@estadão.com
03/05/2024 - 17:38

Uma das pautas em discussão na visita ao Brasil do primeiro-ministro do Japão, Fumio Kishida, foi a abertura do mercado japonês para carne bovina brasileira. O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, reforçou a reivindicação após a assinatura de acordos entre os dois países. Durante o discurso no Palácio do Planalto, nesta sexta, 03, Lula pediu ao vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, para levar Kishida em uma churrascaria em São Paulo.
“Leve o primeiro-ministro [do Japão] para comer um churrasco no melhor restaurante de São Paulo. Para que na semana seguinte ele comece a importar a nossa carne, para poder gerar mais desenvolvimento. A nossa carne é de qualidade e é mais barata do que a carne que vocês compram. Eu nem sei o preço, mas tenho certeza que a nossa é mais barata e de qualidade extrema”, sugeriu o presidente.
O primeiro-ministro japonês chegou nesta sexta, 03, ao Brasil e no sábado, 04, estará na cidade de São Paulo. O vice-presidente Alckmin irá acompanhar Fumio Kishida na capital paulista.
De acordo com o Ministério de Relações Exteriores (MRE), o Japão importa 70% da carne bovina consumida internamente, o que movimenta entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões por ano. A maioria da proteína bovina vem de países como Estados Unidos e Austrália. Desde 2005 o Brasil tenta entrar nesse mercado.
Japão vai investir em programa para recuperação de pastagens degradadas
O ato em Brasília (DF) também contou com a assinatura de um memorando de cooperação com a Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA). Esse acordo prevê a disponibilização de recursos japoneses por meio do Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas em Sistemas de Produção Agropecuários e Florestais Sustentáveis (PNCPD).
De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), as taxas de juros desses recursos ficarão entre 1,7% e 2,4% em moeda japonesa – iene, com prazo de pagamento entre 15 e 40 anos além de carência entre 5 e 10 anos. O montante de recursos ofertados ainda será acertado pela JICA.
Além do aspecto financeiro, o acordo também prevê uma cooperação técnica para definir as regiões alvo do programa e pesquisas sobre pastagens degradadas. O memorando foi assinado pelo ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, e o presidente da JICA, Akihiko Tanaka.
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