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Agropolítica

Brasil abandona acordo por transporte pesado elétrico um dia após assinatura

Após repercussão negativa, Ministério dos Transportes deixou coalizão global e reafirmou meta de quadruplicar biocombustíveis até 2035

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Redação Agro Estadão

12/11/2025 - 15:55

Plano Belém 4x pretende quadruplicar a produção combustíveis sustentáveis até 2035. | Foto: Adobe Stock
Plano Belém 4x pretende quadruplicar a produção combustíveis sustentáveis até 2035. | Foto: Adobe Stock

O governo brasileiro vive uma contradição em plena COP 30. Em menos de 24 horas, o Brasil aderiu e desistiu de participar de uma coalizão internacional que pretende eletrificar caminhões e ônibus até 2040 — medida que vai na direção oposta à política nacional de estímulo aos biocombustíveis.

Nesta terça-feira, 11, o Ministério dos Transportes assinou a entrada do Brasil no Global Memorandum of Understanding on Zero (Global MoU), iniciativa com 42 países que busca tornar 100% elétricas as vendas de veículos médios e pesados até 2040, com meta intermediária de 30% até 2030.

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O compromisso foi celebrado durante evento realizado na zona azul da COP 30, em Belém, com a presença de representantes da indústria automotiva e de governos estrangeiros. No entanto, nesta quarta-feira, 12, o Ministério voltou atrás e anunciou a saída do Brasil da coalizão. 

O cancelamento ocorre após a repercussão negativa da assinatura, já que o memorando contrasta com o plano Belém 4x. Lançado pelo governo brasileiro em outubro, o projeto pretende quadruplicar a produção e o uso de combustíveis sustentáveis até 2035. Com apoio de países como Japão, Itália e Índia, a meta segue diretrizes da Agência Internacional de Energia (AIE) e propõe ampliar o uso de biogás, biocombustíveis, hidrogênio e combustíveis sintéticos.

Em nota enviada ao Agro Estadão, o Ministério dos Transportes informou que “diante de interpretações divergentes quanto ao objetivo originalmente pretendido, determinou o cancelamento imediato da participação […] no Memorando de Entendimento que tratava da meta de emissão zero para veículos pesados e médios”.

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O comunicado também destacou que, embora o memorando não criasse obrigações legais, a decisão buscou “assegurar total alinhamento entre as políticas do Ministério dos Transportes e as diretrizes estratégicas do Governo Federal”.

A pasta também reafirmou a aposta brasileira nos biocombustíveis como caminho para descarbonizar o setor. “O caminho escolhido pelo Brasil para reduzir as emissões do setor de transportes é claro: quadruplicar a produção de combustíveis sustentáveis até 2035, incluindo o avanço dos biocombustíveis. Essa é a base da transição energética nacional”, afirmou o ministério.

Repercussão no setor

O deputado Arnal Jardim, que acompanha de perto a pauta dos bicombustíveis, disse que o setor recebeu a notícia com “perplexidade”. Em nota, informou que o uso dos biocombustíveis tem se mostrado a alternativa mais eficiente para se alcançar a mobilidade de emissões zero, uma vez que não será necessária a substituição da frota existente ou alterações significativas nos motores.

O deputado aprovou o recuo do governo. “Aplaudimos a decisão do Senhor Ministro de Estado, José Renan Calheiros Filho, do Ministério dos Transportes, de determinar o cancelamento imediato da participação da pasta no Memorando de Entendimento para a implementação da Coalizão. Os biocombustíveis são um patrimônio nacional e sinalizações contraditórias do Governo Brasileiro podem prejudicar investimentos no setor”, disse.

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