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Sustentabilidade

RenovaCalc é atualizada e amplia credibilidade dos biocombustíveis brasileiros no exterior

Ferramenta passa a adotar padrões internacionais e aproxima o país das regras globais de descarbonização

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Redação Agro Estadão

27/10/2025 - 11:14

Foto: Adobe Stock
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A RenovaCalc, ferramenta usada para medir a pegada de carbono dos combustíveis sustentáveis, foi atualizada e agora segue parâmetros internacionais, como os definidos pelo Programa da Organização da Aviação Civil Internacional (Corsia). As informações integram um artigo científico e foram divulgadas pela Embrapa neste domingo, 26.

A plataforma é usada para certificar produtores no programa RenovaBio, criado para incentivar práticas de baixo carbono. A RenovaCalc calcula as emissões em todo o ciclo do combustível — do cultivo da matéria-prima ao consumo — e define o volume de créditos de descarbonização (CBIOs) que cada empresa pode emitir.

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O Brasil é, atualmente, o segundo maior produtor mundial de biocombustíveis, referência em agricultura regenerativa e detentor de um dos menores custos de energia renovável do planeta — cerca de US$ 33 por megawatt-hora. Segundo estudo da Boston Consulting Group (BCG), o país reúne uma combinação de vantagens naturais, industriais e tecnológicas para capturar uma fatia relevante do mercado global de energia limpa.

De acordo com a Embrapa, com as melhorias anunciadas, o Brasil reforça sua posição na transição energética global. “Ao aproximar-se dos padrões do Corsia, o Brasil reforça seu papel de protagonista na agenda global de descarbonização, mostrando que é possível produzir energia sustentável de forma competitiva, rastreável e ambientalmente responsável”, diz o comunicado publicado pela estatal.

Na prática, a mudança torna os biocombustíveis brasileiros mais competitivos e reconhecidos no mercado global. A compatibilidade com o programa internacional facilita exportações e pode abrir caminho para o país se tornar fornecedor de combustível sustentável para o setor aéreo, que busca reduzir emissões. Também reforça a transparência das medições ambientais, exigência para acordos comerciais e políticas climáticas.

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Nova versão amplia matérias-primas

O estudo detalha avanços no módulo HEFA (Hydroprocessed Esters and Fatty Acids), usado para calcular as emissões de combustíveis de aviação produzidos a partir de óleos vegetais e gorduras residuais.“O sistema considerava principalmente a soja, mas agora inclui também o óleo de palma, o que permite análises mais representativas da diversidade agrícola brasileira”, explica Marília Folegatti, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente.

Segundo o professor Edgar Silveira, da Universidade de Brasília (UnB), o aprimoramento “representa uma consolidação científica e regulatória inédita no País”. Ele afirma que o objetivo é “manter o alinhamento com os padrões internacionais de sustentabilidade sem perder a aderência às particularidades da matriz energética brasileira”.

O estudo também mostra forte convergência entre os cálculos da RenovaCalc e os valores de referência do Corsia, embora ainda existam diferenças nas regras sobre uso da terra, créditos de carbono e critérios de sustentabilidade socioambiental.

Para Giulia Lamas, uma das autoras da pesquisa, essa aproximação é fundamental para garantir que a produção de combustíveis sustentáveis traga “benefícios reais na redução de gases de efeito estufa, sem gerar impactos como desmatamento ou pressão sobre áreas agrícolas”.

Confira o artigo científico na íntegra.

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