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Sustentabilidade

Em 5 anos, mais de 90% da soja no Centro-Oeste avançou sem desmatamento

Estudo da Serasa Experian, com base nas regras ambientais do crédito rural, mapeou 74 milhões de hectares em dois biomas do Centro-Oeste

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Daumildo Júnior | Belém (PA) | daumildo.junior@estadao.com

21/11/2025 - 05:00

Desde 2019, maior parte da soja do Centro-Oeste não registra avanço sobre áreas preservadas. Foto: Adobe Stock
Desde 2019, maior parte da soja do Centro-Oeste não registra avanço sobre áreas preservadas. Foto: Adobe Stock

Um levantamento mostrou que a maior parte das áreas produtoras de soja na região Centro-Oeste, principal polo produtor da oleaginosa no Brasil, não registrou avanço sobre áreas preservadas nos últimos cinco anos. O estudo inédito foi feito pela Serasa Experian e revelou que, pelo menos, 90,7% das áreas da região localizadas nos biomas Cerrado e Amazônia não desmataram, legal ou ilegalmente, nesse período. 

A pesquisa foi feita mapeando 74 milhões de hectares nos Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. Além disso, há um recorte por bioma. Segundo a instituição, na Amazônia do Centro-Oeste, que abrange parte Mato Grosso, 90,84% das áreas de soja não registraram desmatamento. Já nas áreas do Cerrado, esse percentual é de 88,6%. 

CONTEÚDO PATROCINADO

“Conseguimos ver que está havendo dois fenômenos aqui. Uma expansão da produção de soja e essa expansão está acontecendo em áreas já utilizadas, áreas que já tinham sido antropizadas ou já tinham tido outros usos. Eram pastagens que estão sendo substituídas por agricultura. O segundo ponto é que está tendo também um aumento de produção, ou seja, as sacas por hectares estão aumentando, o que significa que é mais tecnologia aplicada nesses lugares”, interpretou o head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta.

O estudo foi feito a partir do cruzamento de informações vindas de banco de dados, como do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), além dos registros de mais de 111 mil Cadastros Ambientais Rurais (CAR). E a data de corte foi a partir de 31 de julho de 2019, mesmo período das exigências ambientais previstas no Manual de Crédito Rural (MCR).

Segundo Pimenta, além de ser uma ferramenta para demonstrar a conformidade de todo o sistema de financiamento bancário, também é um indicativo de que a maior parte dessa produção não teria problemas com exigências estrangeiras, como a lei antidesmatamento da União Europeia. 

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“Quando a gente olha pelas imagens, é muito positivo, porque, se você aplicar o corte da data de 31 de julho de 2019 para cá, a esmagadora maioria das áreas de produção estaria totalmente correta. Não só em termos da legislação brasileira, mas também da legislação europeia, que prevê o desmatamento zero a partir de dezembro de 2020”, disse ao Agro Estadão.

Como o bioma Cerrado ocorre nos três Estados analisados, o levantamento apontou os seguintes resultados por unidade da federação:

  • Mato Grosso (no trecho que compreende ao Cerrado): 91,9% das áreas produtoras em conformidade;
  • Mato Grosso do Sul: 90,3% das áreas;
  • Goiás: 82,9% das áreas.

As projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a atual safra indicam que os três Estados juntos devem produzir cerca de 84,6 milhões de toneladas. Na safra passada, foram 86,2 milhões de toneladas e, na safra 2019/2020, 61,9 milhões de toneladas. 

Parte que teve desmatamento também tem parcela em conformidade ambiental 

O head explica ainda que é preciso ter um cuidado adicional na análise desses dados. Isso porque as demais áreas (9,3%) que apresentaram algum tipo de avanço sobre áreas preservadas podem estar em situação regular. O modelo do estudo não capta quantas dessas áreas tiveram a chamada Autorização de Supressão de Vegetação (ASV). Basicamente, é uma licença legal para que o produtor rural possa abrir novas áreas para atividade rural. Essa autorização só é concedida para áreas que excedem os espaços de preservação previstos no Código Florestal. 

Ele também critica a falta de acesso a essas informações das autorizações. “Essa diferença [9,3%], na verdade, é um valor que a gente não consegue afirmar se está em conformidade ou não. Por quê? Porque existe uma informação super-relevante, que é a autorização de supressão vegetal, que não está disponível, ela é parcialmente disponível. Então, a gente não consegue afirmar se é um desmatamento legal ou ilegal”, explicou Pimenta. 

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