PUBLICIDADE

Sustentabilidade

Moratória da Soja: Aprosoja-MT anuncia fiscalização própria

Entidade afirmou que, a partir deste dia 1º de janeiro, encaminharia aos órgãos competentes casos de práticas vedadas pela lei

Nome Colunistas

Broadcast Agro

02/01/2026 - 11:20

Moratória proíbe a compra de soja de áreas desmatadas na Amazônia após julho de 2008. Foto: Adobe Stock
Moratória proíbe a compra de soja de áreas desmatadas na Amazônia após julho de 2008. Foto: Adobe Stock

A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) afirmou, em nota, que criou um sistema próprio de monitoramento para fiscalizar empresas que descumprirem a Lei nº 12.709/2024 e alertou que o decreto estadual que regulamenta a norma pode facilitar tentativas de burla por meio de “condutas dissimuladas”. A manifestação ocorreu no último dia 31.

O governo de Mato Grosso havia publicado na terça-feira, 30, o Decreto nº 1.795/2025, que estabelece os procedimentos de aplicação da lei estadual. O texto define que empresas participantes de acordos que imponham restrições à expansão agropecuária além da legislação ambiental brasileira ficarão impedidas de receber novos benefícios fiscais ou áreas públicas do Estado. Para empresas já beneficiárias, o decreto exige comprovação fática de que estejam impondo restrições de mercado para que percam os incentivos.

CONTEÚDO PATROCINADO

A norma também altera o regulamento do Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial (Prodeic), principal programa de incentivos fiscais do Estado, incorporando expressamente a não participação em acordos restritivos como condição para obtenção e manutenção dos benefícios. O decreto estabelece ainda procedimentos de fiscalização, com análise pelo Conselho de Desenvolvimento Empresarial e participação das secretarias de Desenvolvimento Econômico, Meio Ambiente e Fazenda, além da Procuradoria Geral do Estado.

A Aprosoja-MT avaliou como “positiva e necessária a iniciativa do Poder Executivo de regulamentar a lei”, mas apontou fragilidades. Segundo a nota, “a opção do decreto por concentrar a vedação nas novas concessões e na comprovação fática da imposição de restrições de mercado nos casos de empresas já credenciadas – inclusive quando integrantes de grupos econômicos signatários de tais acordos – demanda atuação firme e contínua dos órgãos competentes, a fim de evitar práticas que busquem contornar o espírito da norma por meio de condutas dissimuladas”.

A entidade defende que “um instrumento adicional importante para reforçar a efetividade da lei seria o estabelecimento de um período formal de recredenciamento”, que obrigaria empresas atualmente beneficiárias a confirmar “sua adequação às novas condições legais, mediante declaração expressa e assunção de compromisso de não adotar condutas comerciais discriminatórias ou restritivas à produção agropecuária legalmente permitida”.

PUBLICIDADE

A Aprosoja-MT afirma que “já estruturou um fluxo próprio de monitoramento, análise técnica e coleta de evidências sobre eventuais descumprimentos da lei e do decreto, abrangendo os municípios impactados pela Moratória da Soja”. Segundo a nota, a partir deste dia 1º de janeiro de 2026, independentemente da data de concessão ou do prazo de vigência do benefício fiscal, a entidade encaminharia aos órgãos competentes os casos de práticas vedadas para ‘adoção das providências administrativas cabíveis'”.

Pedido de prorrogação

O posicionamento da Aprosoja-MT acontece enquanto três pedidos de prorrogação da suspensão da lei aguardam decisão do ministro Flávio Dino, relator da ADI 7774 no Supremo Tribunal Federal. A Advocacia-Geral da União solicitou 120 dias adicionais para tentativa de conciliação na Câmara de Promoção de Segurança Jurídica no Ambiente de Negócios (Sejan). O Instituto Centro de Vida e o Greenpeace Brasil também pediram prorrogação, alegando risco de abandono do pacto ambiental por tradings.

A Aprosoja-MT e a Aprosoja Brasil, contudo, se posicionaram contrariamente aos pedidos de prorrogação. Em petição de 17 de dezembro ao STF, as entidades defenderam que o prazo de transição fixado em abril é suficiente e que a entrada em vigor não interfere no julgamento de mérito. Segundo as associações, a lei estadual não estimula desmatamento ilegal. Apenas restringe benefícios a empresas com exigências além da legislação ambiental.

A Moratória da Soja é um pacto voluntário de 2006 entre cerca de 30 tradings, ONGs e governo federal que proíbe a compra de soja de áreas desmatadas na Amazônia após julho de 2008. Entre as signatárias, estão ADM, Bunge, Cargill, Cofco e Amaggi. Relatório do Tribunal de Contas de Mato Grosso apontou que as tradings receberam cerca de R$ 4,7 bilhões em incentivos fiscais entre 2019 e 2024.

A decisão de abril do STF, referendada por 7 votos a 3, estabeleceu que o artigo 2º da lei entraria em vigor em 1º de janeiro de 2026. O ministro Dino ainda não se manifestou sobre os pedidos de prorrogação protocolados.

Siga o Agro Estadão no WhatsApp, Instagram, Facebook, X, Telegram ou assine nossa Newsletter

PUBLICIDADE

Notícias Relacionadas

MT regulamenta lei que veta incentivo a empresas da Moratória da Soja

Sustentabilidade

MT regulamenta lei que veta incentivo a empresas da Moratória da Soja

Decreto que entra em vigor em 2026 impede acesso a benefícios de quem adere à moratória da soja e a outros compromissos ambientais além da lei

Moratória da Soja: AGU pede mais prazo ao STF para manter suspensão de lei de MT

Sustentabilidade

Moratória da Soja: AGU pede mais prazo ao STF para manter suspensão de lei de MT

Legislação estadual que retira benefícios fiscais de empresas signatárias entra em vigor nesta quinta; Suprema Corte ainda não se manifestou

Embrapa define protocolos para produção de leite de baixo carbono

Sustentabilidade

Embrapa define protocolos para produção de leite de baixo carbono

Práticas definidas pela Embrapa miram metano, fertilizantes e manejo do solo para tornar a pecuária leiteira mais sustentável

CMN adia exigência ambiental, mas endurece outra regra do crédito rural

Sustentabilidade

CMN adia exigência ambiental, mas endurece outra regra do crédito rural

Conselho Monetário Nacional redefine normas para liberação e manutenção de financiamentos rurais

PUBLICIDADE

Sustentabilidade

Agro em 2026: crédito verde e regras ambientais mais rígidas

Leis ambientais, exigências internacionais e mercado de carbono devem influenciar o agro em 2026

Sustentabilidade

Governo aprova Plano Clima com previsão de aumento das emissões da agropecuária

Novo texto permite alta de 1% nas emissões da agropecuária em 2030, chegando a 649 milhões de toneladas de CO₂,

Sustentabilidade

Código Florestal avança no CAR, mas emperra no PRA, aponta estudo

Enquanto validação do CAR avança, adesões ao Programa de Regularização Ambiental crescem pouco e revelam baixo engajamento

Sustentabilidade

GO: embalagens de agrotóxicos apreendidas em ferro-velho

Material estava armazenado irregularmente em ferro-velho; agência alerta sobre riscos e obrigações da logística reversa

Logo Agro Estadão
Bom Dia Agro
X
Carregando...

Seu e-mail foi cadastrado!

Agora complete as informações para personalizar sua newsletter e recebê-la também em seu Whatsapp

Sua função
Tipo de cultura

Bem-vindo (a) ao Bom dia, Agro!

Tudo certo. Estamos preparados para oferecer uma experiência ainda mais personalizada e relevante para você.

Mantenha-se conectado!

Fique atento ao seu e-mail e Whatsapp para atualizações. Estamos ansiosos para ser parte do seu dia a dia no campo!

Enviamos um e-mail de boas-vindas para você! Se não o encontrar na sua caixa de entrada, por favor, verifique a pasta de Spam (lixo eletrônico) e marque a mensagem como ‘Não é spam” para garantir que você receberá os próximos e-mails corretamente.