Sustentabilidade
Entidades alertam para risco ambiental com saída de traders da Moratória da Soja
Organizações da sociedade civil afirmam que o cenário compromete diretamente a meta brasileira de zerar o desmatamento até 2030; Abiove não comentou o assunto
Redação Agro Estadão
03/02/2026 - 15:09

Pouco mais de um mês depois, a saída da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) da Moratória da Soja, segue tendo desdobramentos. Em comunicado conjunto, organizações da sociedade civil afirmaram que a saída das traders do acordo reintroduz o risco de que a soja brasileira volte a estar diretamente ligada à destruição da floresta Amazônica.
“A decisão da ABIOVE e das grandes traders de soja que ela representa, de se retirarem da Moratória da Soja, representa um retrocesso ambiental grave e um rompimento unilateral com um compromisso que, por quase 20 anos, sustentou a reputação da soja brasileira livre de desmatamento nos mercados internacionais”, diz o comunicado divulgado na segunda-feira, 02, e assinado por Greenpeace, Imaflora e WWF.
Ao Agro Estadão, a Abiove informou que não está se manifestando a respeito da Moratória da Soja.
Ameaça a milhões de hectares na Amazônia
Segundo a carta das associações, as consequências da saída das traders são concretas. Citando estimativas da TNC — organização de conservação ambiental global — o texto aponta que o fim da Moratória da Soja pode resultar no desmatamento de até 9,2 milhões de hectares na Amazônia. O que, conforme comparações, equivale ao território de Portugal. “Esse cenário compromete diretamente a meta brasileira de zerar o desmatamento até 2030 e coloca em risco os compromissos climáticos assumidos pelo país”, afirmam.
As organizações argumentam ainda que a escolha da Abiove e de suas associadas “não é uma obrigação legal, mas uma decisão empresarial”. De acordo com o comunicado, ao optarem por sair da Moratória, essas empresas sinalizam que, em detrimento de compromissos reais com o desmatamento zero, estão priorizando o acesso a incentivos via recursos públicos, que tampouco se comprometem com o combate às mudanças climáticas.
Por fim, as associações fazem um chamado direto aos grandes compradores corporativos de soja — empresas de alimentos, proteína animal e varejo — para que exijam de seus a manutenção dos critérios ambientais da Moratória da Soja, independentemente da decisão das traders. “Transparência e responsabilidade socioambiental não são opcionais”, dizem.
Abiove confia em novo marco regulatório
Conforme noticiado pelo Agro Estadão, ao comunicar sua retirada da Moratória da Soja, a Abiove declarou confiar nas autoridades brasileiras para a plena implementação de um novo marco regulatório que preserve a credibilidade do produto nacional no exterior.
Na época, a associação reiterou que a experiência acumulada ao longo de quase 20 anos de monitoramento e controle não será perdida com a desfiliação do acordo. “Haverá, individualmente, o atendimento às rigorosas demandas dos mercados globais”, trouxe o comunicado.
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