Sustentabilidade
Tudo sobre a pera perfumada que nasce no Cerrado
Valorizar e plantar a pera-do-Cerrado ajuda a frear a perda de biodiversidade, diversificar a alimentação rural e preservar sabores únicos do Brasil
Redação Agro Estadão*
25/01/2026 - 05:00

O cheiro forte que se espalha pelo Cerrado no verão revela um tesouro escondido entre os arbustos nativos. A pera-do-Cerrado engana pelo nome, pois não tem nada a ver com a pera comum que conhecemos.
Esta pequena fruta dourada cresce naturalmente no Cerrado e representa um dos sabores mais ameaçados do Brasil. Enquanto as áreas do Cerrado diminuem cada vez mais, a Eugenia klotzschiana Berg (nome científico da planta) resiste oferecendo um gosto único e diferente.
O que é a pera-do-Cerrado e sua importância no bioma

Conhecida como pera-do-Cerrado ou cabacinha-do-campo, ela faz parte do catálogo “Arca do Gosto” do Slow Food Brasil. Esta lista reúne alimentos em risco de desaparecer devido à destruição de seus habitats naturais.
Trata-se de um arbusto pequeno que cresce até 1,5 metro de altura. Os frutos têm casca felpuda e ficam amarelo-dourados quando maduros. A planta cresce no Cerrado, especialmente nas áreas com vegetação mais baixa e espaçada.
Segundo o documento da Embrapa Cerrados, a reprodução da planta ocorre exclusivamente via sementes, que apresentam características recalcitrantes (termo técnico que significa que as sementes perdem rapidamente a capacidade de germinar quando ficam secas).
Esta característica torna o processo de propagação mais desafiador para produtores interessados no cultivo.
Composição nutricional da pera-do-Cerrado

A pera-do-Cerrado é rica em vitamina C, nutriente importante para fortalecer o sistema imunológico. A fruta contém muitos compostos fenólicos, que são substâncias que funcionam como antioxidantes naturais, ajudando a proteger o corpo contra doenças.
A fruta tem poucas calorias e fornece minerais importantes como potássio e magnésio. Também possui carotenoides, compostos que fazem bem para os olhos e ajudam na imunidade. Estes componentes tornam a fruta uma opção nutritiva para a alimentação.
Como cultivar a pera-do-Cerrado

O cultivo da pera-do-Cerrado precisa de cuidados específicos. A planta prefere solos que drenam bem a água, ou seja, que não ficam encharcados.
O plantio acontece apenas por sementes, que devem ser colocadas na terra imediatamente após serem retiradas do fruto maduro.
Para preparar o local de plantio, é necessário fazer covas e adicionar adubo orgânico, como esterco curtido ou compostagem. O espaçamento entre as plantas deve respeitar o tamanho que ela vai atingir quando adulta.
Por ser uma espécie nativa, a planta resiste bem ao clima do Cerrado e serve para recuperar áreas que foram degradadas.
Usos da pera-do-Cerrado na gastronomia
A polpa da pera-do-Cerrado é branca, suculenta e tem um cheiro muito forte com sabor azedinho. Por causa dessa acidez natural e do perfume intenso, a fruta é usada para fazer sucos, geleias e sorvetes. Pode ser consumida in natura também.
As comunidades locais do Cerrado ainda produzem licores aromáticos que mantêm o sabor característico da espécie.
O futuro da pera-do-Cerrado

O conhecimento científico sobre a pera-do-Cerrado, junto com os trabalhos de preservação do Slow Food e organizações como a Nova Mata, mostra caminhos para evitar que a espécie desapareça.
Plantar a fruta em quintais e sistemas que misturam árvores com outras culturas (chamados agroflorestais) é uma forma importante de preservar esta planta do Cerrado.
Valorizar a pera-do-Cerrado vai além de ganhar dinheiro com ela. A fruta ajuda as comunidades rurais a ter mais variedade na alimentação e desenvolve a região de forma sustentável.
Cada planta cultivada representa uma vitória contra a perda da biodiversidade e ajuda a manter os sabores autênticos do Cerrado brasileiro.
O futuro desta espécie depende de mais pessoas conhecerem seu valor e de produtores rurais incluírem ela em seus sistemas de produção, respeitando sempre as características naturais da planta.
*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação Agro Estadão
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