Sustentabilidade
Quando os insetos 'do bem' salvam a lavoura
Ferramenta gratuita da Embrapa ajuda produtor a reconhecer insetos benéficos e evitar pulverizações desnecessárias
Redação Agro Estadão*
04/03/2026 - 05:00

Os inimigos naturais são agentes naturais que comem ou atacam as pragas que prejudicam as plantações. Estes organismos oferecem uma forma natural de controlar pragas sem usar venenos químicos.
A Embrapa criou um aplicativo chamado InNat para ajudar produtores a identificar estes insetos benéficos no campo.
O que são inimigos naturais de pragas agrícolas
Inimigos naturais são organismos que usam pragas como alimento ou lugar para se desenvolver. O Manejo Integrado de Pragas (MIP), técnica que mistura diferentes formas de controle, usa estes agentes naturais para reduzir pragas sem prejudicar o ambiente.
Existem dois tipos de controle biológico. O controle natural acontece sozinho quando os inimigos naturais já vivem na propriedade, como joaninhas, tesourinhas e outros bichos benéficos.
O controle aplicado é quando o produtor introduz estes organismos, como soltar a vespa Cotesia flavipes para controlar a broca-da-cana.
Três formas explicam como funcionam estes organismos:
- Predação acontece quando um animal mata e come outro diretamente;
- Parasitismo ocorre quando um bicho coloca ovos dentro ou sobre outro inseto, desenvolvendo-se até matá-lo;
- Patogenicidade envolve micróbios (fungos, bactérias, vírus) que causam doenças nas pragas.
Classificação dos inimigos naturais de pragas
Os predadores caminham livremente sobre o solo ou plantas procurando suas presas. Eles matam outros insetos mastigando ou sugando seu conteúdo corporal. Joaninhas, tesourinhas, aranhas e alguns percevejos são exemplos conhecidos.
Muitos destes bichos comem pragas apenas quando jovens, depois passam a se alimentar de néctar e pólen.
Os parasitoides colocam ovos dentro ou sobre outros insetos, sempre matando seus hospedeiros. São diferentes dos parasitas comuns porque sempre causam a morte.
Pequenas vespas das famílias Braconidae, Trichogrammatidae e Ichneumonidae representam os principais grupos usados no controle biológico.
Os entomopatógenos são fungos, bactérias, vírus e vermes que causam doenças específicas em insetos-praga. Estes micróbios oferecem controle duradouro e atacam apenas as pragas-alvo.
Principais tipos de inimigos naturais nas culturas brasileiras

As joaninhas são campeãs no controle de pulgões, podendo comer mais de 100 por dia. Suas larvas, parecidas com pequenos jacarés escuros, são ainda mais eficazes.
As tesourinhas controlam ovos, pulgões, moscas-brancas e lagartas pequenas. São fáceis de reconhecer pela “pinça” no final do corpo.
Os crisopídeos têm larvas muito eficientes, conhecidas como “bichos-lixeiros” quando carregam sujeira sobre o corpo para se esconder. Estas larvas comem pulgões, ácaros e pequenos insetos.
As vespas sociais (marimbondos) capturam diversos insetos para alimentar seus filhotes.
Entre os parasitoides, a família Braconidae inclui a vespa Cotesia flavipes, responsável por mais de 80% do controle da broca-da-cana no Brasil. A família Trichogrammatidae ataca ovos de borboletas e mariposas, sendo muito usada no controle de pragas em algodão, cana, soja e milho.
As moscas taquinídeas parasitam principalmente lagartas e percevejos adultos. A espécie Trichopoda pennipes é importante para controlar o percevejo-verde da soja.
Benefícios dos inimigos naturais de pragas para a agricultura sustentável
O controle biológico traz vantagens econômicas importantes. A redução de gastos com venenos representa economia direta.
A preservação de abelhas e outros insetos benéficos mantém a polinização das culturas. Esta forma de controle evita que as pragas criem resistência, problema comum com uso excessivo de químicos.
A durabilidade diferencia os inimigos naturais dos venenos. Populações estabelecidas protegem as culturas continuamente, reduzindo aplicações repetidas. O programa de controle da broca-da-cana com Cotesia flavipes exemplifica este sucesso.
Produtos cultivados com controle biológico atendem à demanda por alimentos sem resíduos químicos, permitindo certificação orgânica e melhores preços de venda.
Implementação e manejo de inimigos naturais de pragas agrícolas

O sucesso depende de criar ambientes favoráveis aos inimigos naturais. Diversificar a vegetação e criar locais de abrigo e fontes de alimento mantém populações estáveis destes organismos.
Plantas como coentro, endro e girassol fornecem alimento para vespas adultas. Manter vegetação nas bordas das culturas oferece abrigo e hospedeiros alternativos. Corredores de mata conectando diferentes áreas facilitam o movimento dos inimigos naturais.
A rotação de culturas mantém diferentes grupos de inimigos naturais ao longo do tempo. O monitoramento regular durante inspeções permite avaliar a eficácia do controle e orientar decisões sobre soltar mais organismos.
*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação Agro Estadão
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