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Agricultura

Indústrias do Nordeste anunciam expansão após safra recorde de laranja

Crescente produtividade da região ocasionou, neste ano, longas filas de caminhões nas processadoras e até descarte de frutas nas estradas

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Redação Agro Estadão

24/10/2025 - 09:16

Foto: Faese/Divulgação
Foto: Faese/Divulgação

Com uma das maiores safras de laranja das últimas décadas, a citricultura nordestina se prepara para um novo ciclo de expansão. Após registrar longas filas de caminhões nos pátios das únicas processadoras de grande porte do Nordeste — Maratá Sucos e a Tropfruit —, as indústrias sergipanas anunciaram investimentos e ampliação da estrutura, visando atender à crescente produção da fruta em Sergipe e na Bahia.

Conforme mostrado pelo Agro Estadão, em agosto deste ano, os caminhoneiros chegaram a ficar até três dias aguardando para descarregar em filas com mais de 200 veículos. À época, algumas unidades chegaram a interromper o recebimento dos carregamentos e a população relatava descarte de frutas nas estradas. 

Segundo a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Sergipe (Faese), o Grupo Maratá informou que vai ampliar a capacidade de processamento em 20%. Serão adquiridas cinco novas extratoras, que devem entra em operação até março de 2026, e elevando a capacidade para 1.100 toneladas processadas por dia.

Atualmente, cerca de 60 caminhões aguardam descarga diariamente na unidade, número que chegou a 200 no pico da safra, quando a fábrica passou a operar inclusive aos domingos.

Segundo Carol Vieira, diretora da Maratá, o investimento em tecnologia e armazenamento é estratégico. “Instalamos oito novos tanques refrigerados, cada um com capacidade para mil toneladas, e ampliamos o volume de tambores refrigerados, tanto em Estância quanto em unidades de apoio na Europa. Isso garante segurança para o escoamento internacional e nos prepara para as próximas safras”, destacou.

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Tropfruit abrirá nova fábrica na Bahia

Tropfruit laranja
Foto: Tropfruit/Divulgação

A empresa, que exporta para 32 países e tem o suco de laranja como carro-chefe, responsável por 70% da produção, anunciou a construção de uma nova fábrica de laranja em Inhambupe (BA), dentro da própria fazenda do grupo. A expectativa é que as operações comecem no início de 2027. O parque contará inicialmente com 20 extratoras, podendo chegar a 36 unidades.

De acordo com a direção da empresa, a Tropfruit também está ampliando sua estrutura em Estância, com a instalação de novos tanques de refrigeração e linhas de ultrafiltração, tecnologia que melhora a clarificação do suco e aumenta o rendimento do produto final.

Além disso, a empresa já prevê a instalação de quatro novas extratoras em janeiro de 2026, o que representa um acréscimo expressivo na capacidade de processamento diário. “A laranja continua sendo o principal produto da nossa linha, mas também investimos fortemente em sucos tropicais, como maracujá, caju e abacaxi. Mesmo com a retração de 15% no consumo de sucos no Brasil, seguimos apostando em tecnologia e sustentabilidade”, explicou representante da Tropfruit durante a reunião.

A empresa também reforçou sua atuação no mercado externo, exportando suco concentrado e óleo essencial de laranja, produtos com apelo sustentável e alto valor agregado. “Nosso óleo essencial, o d-limoneno, é amplamente usado nas indústrias alimentícia e cosmética. A diversificação é um dos nossos diferenciais competitivos”, acrescentou o administrador Diorane Araújo.

Análise e perspectivas

A economista da Faese, Paloma Gois, destacou que as indústrias estão reagindo de forma estratégica ao novo cenário. “As empresas estão se preparando para manter a competitividade, mesmo diante da queda no consumo e dos altos custos logísticos”, avaliou.

O supervisor da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), Isau Almeida, reforçou que o aumento da produtividade nas fazendas também tem impulsionado as indústrias. “A próxima safra apresenta perspectivas animadoras, com crescimento expressivo nas áreas cultivadas e maior eficiência nos pomares. Esse avanço é fruto de manejo mais técnico, genética melhorada e adoção de práticas sustentáveis”, explicou.

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