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Agricultura

Você sabia que pindaíba é uma fruta? Veja a origem do ditado popular

Conheça a árvore frutífera brasileira que inspirou a expressão ficar na popular

Nome Colunistas

Redação Agro Estadão*

04/12/2025 - 05:01

Foto: Gustavo Giacon/Viveiro Ciprest
Foto: Gustavo Giacon/Viveiro Ciprest

Quando alguém diz que está “na pindaíba”, poucos imaginam que essa palavra se refere a uma fruta genuinamente brasileira. Enquanto a expressão popular indica dificuldades financeiras, a pindaíba real representa uma riqueza natural pouco explorada do nosso país. 

Esta árvore frutífera nativa do Brasil, cientificamente conhecida como Duguetia lanceolata, pertence à família Annonaceae e oferece benefícios que vão muito além de uma simples curiosidade linguística.

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Características marcantes da pindaíba

A pindaíba desenvolve-se como uma árvore elegante que alcança entre 15 e 20 metros de altura, com diâmetro do tronco variando de 40 a 60 centímetros. 

Sua casca apresenta fissuras características e coloração marrom-acinzentada, enquanto as folhas são simples, alternas e dísticas, com comprimento entre 8 e 12 centímetros. A folhagem glabra confere à copa um aspecto delicado que lembra espécies ornamentais.

Durante o período reprodutivo, a árvore produz flores grandes e vistosas de coloração arroxeada a rósea, que aparecem entre outubro e novembro. Essas flores atraem polinizadores nativos e contribuem para a manutenção da biodiversidade local.

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Os frutos representam o aspecto mais atrativo da espécie. Com formato de baga e coloração vermelha intensa, desenvolvem-se entre março e maio. 

A polpa comestível possui textura aguada e sabor característico, formada por gomos aderidos ao centro do fruto. Esta estrutura os torna visualmente atrativos para diversos animais silvestres, que atuam como dispersores naturais das sementes.

A madeira da pindaíba apresenta densidade elevada e resistência moderada. Embora demonstre baixa resistência ao apodrecimento quando exposta à umidade, possui notável resistência ao ataque de cupins. 

Essas propriedades específicas tornam-na adequada para determinadas aplicações na construção civil, especialmente em estruturas internas.

Onde encontrar a pindaíba

Pindaíba
Foto: Gustavo Giacon/Viveiro Ciprest

A espécie recebe diversos nomes regionais pelo território brasileiro, incluindo pindaúba, pindaíba-branca, capreúva-vermelho, pindabuna, pindaibuna, corticeira e perovana. 

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Essa diversidade de nomes reflete sua ampla distribuição geográfica e o conhecimento tradicional das comunidades locais.

A pindaíba ocorre naturalmente nos biomas Cerrado e Mata Atlântica, concentrando-se principalmente nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul. 

Também pode ser encontrada em menor densidade em outras regiões do Centro-Oeste e Sudeste brasileiro.

A espécie demonstra notável adaptabilidade ambiental. Desenvolve-se preferencialmente em topos de morros com solos bem drenados, mas também coloniza várzeas e margens de rios.

Usos e benefícios da pindaíba

Pindaíba na gastronomia

Os frutos da pindaíba apresentam potencial gastronômico ainda pouco explorado comercialmente no Brasil. Podem ser consumidos frescos diretamente da árvore ou processados para preparo de compotas, sucos, sorvetes e licores artesanais. A

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A polpa possui sabor acre característico e propriedades carminativas, funcionando como condimento natural em algumas preparações culinárias tradicionais.

A pindaíba e a medicina tradicional

O conhecimento tradicional brasileiro reconhece múltiplas aplicações medicinais da pindaíba. 

Diferentes partes da planta são empregadas historicamente no tratamento de condições como diarreia, reumatismo, dores estomacais, dores nas costas e problemas renais. Extratos das folhas também são utilizados como sedativo natural em preparações caseiras.

Estudos publicados na Revista Brasileira de Farmacognosia e na Latin American Journal of Pharmacy confirmam propriedades antinociceptivas e anti-inflamatórias dos extratos vegetais da espécie, validando parcialmente os usos tradicionais. 

Pesquisas da Universidade Federal do Amazonas também identificaram atividade antimicrobiana das folhas contra protozoários causadores de malária e doença de Chagas.

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Pindaíba na restauração ambiental e paisagismo

A pindaíba desempenha papel importante em projetos de reflorestamento e restauração de áreas degradadas, especialmente na recuperação da Mata Atlântica. 

Sua capacidade de atrair e alimentar fauna silvestre a torna espécie-chave para restabelecimento de cadeias alimentares em ecossistemas em processo de recuperação.

No paisagismo urbano, a árvore apresenta características ornamentais valiosas. Sua copa elegante e folhagem delicada conferem aspecto estético diferenciado, lembrando coníferas ornamentais.

Por manter a folhagem durante todo o ano, proporciona sombra constante e beleza paisagística. A floração vistosa e a frutificação colorida adicionam interesse visual sazonal aos projetos paisagísticos.

A expressão “ficar na pindaíba”: origem e significado

Pindaíba
Foto: Gustavo Giacon/Viveiro Ciprest

A expressão “ficar na pindaíba” integra o vocabulário popular brasileiro como sinônimo de estar em dificuldades financeiras ou vivenciar situação de extrema pobreza. 

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A origem desta frase permanece controversa entre especialistas, apresentando diferentes teorias sobre sua formação.

Uma das hipóteses mais aceitas relaciona a expressão com a atividade pesqueira tradicional. Pescadores utilizavam varas feitas com galhos da pindaíba para capturar peixes. 

Quando retornavam sem nenhum peixe, diziam que ficaram apenas com a “pindaíba” — ou seja, voltaram de mãos vazias, apenas com a vara.

Outra teoria aponta para a associação da fruta com períodos de escassez alimentar. Durante momentos difíceis, quando os alimentos básicos se tornavam escassos, restava apenas a coleta de frutos nativos como a pindaíba para sobrevivência, caracterizando uma situação de penúria.

Independentemente da origem exata, a expressão demonstra como elementos da flora brasileira se incorporaram profundamente à cultura nacional, transformando o nome de uma planta em símbolo linguístico de dificuldades econômicas.

*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação Agro Estadão

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