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Agricultura

Oeste da Bahia: o que torna a região um dos polos na produção de sementes de soja?

Uma em cada dez sementes de soja plantadas no Brasil têm origem no Oeste Baiano; atributos ambientais e climáticos ajudam a explicar

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Daumildo Júnior* | Luís Eduardo Magalhães (BA) | daumildo.junior@estadao.com

26/02/2026 - 05:00

Produção de sementes de soja estimada por safra na Bahia é entre 4,5 milhões e 5 milhões de sacas. Foto: Daumildo Júnior/Agro Estadão
Produção de sementes de soja estimada por safra na Bahia é entre 4,5 milhões e 5 milhões de sacas. Foto: Daumildo Júnior/Agro Estadão

Maior produtor de soja do mundo, o Brasil espera colher mais uma safra recorde, com quase 178 milhões de toneladas. A título de comparação, o crescimento em relação à safra passada representa duas vezes a produção do Uruguai. Parte importante nessa produção são as sementes que dão origem às lavouras brasileiras. E, aproximadamente, uma em cada dez sementes plantadas é de municípios baianos, principalmente da região conhecida como Oeste Baiano. 

De acordo com a Céleres Consultoria, a produção de sementes de soja estimada na Bahia é entre 4,5 milhões e 5 milhões de sacas por safra. Isso corresponde a cerca de 10% da oferta nacional de sementes. Parte desse volume, cerca de 2 a 2,5 milhões de sacas, é direcionada para propriedades fora da Bahia, especialmente para Maranhão, Tocantins, Piauí e Mato Grosso, na região do Vale do Araguaia. 

O que faz essa região uma produtora de sementes?

Qualidade da soja na região é um dos principais fatores que explicam o destaque da região em sementes. Foto: Daumildo Júnior/Agro Estadão

Especialistas apontam que o principal aspecto que favorece a produção de sementes de soja nessa área é a qualidade encontrada nos grãos. Esse aspecto pode ser explicado por algumas questões ambientais e climáticas que o Oeste Baiano tem em relação a outras zonas produtoras. 

Barreiras (BA), Luís Eduardo Magalhães (BA) e São Desidério (BA) são algumas das cidades dessa região. Devido à formação geológica, elas têm altitudes elevadas — variando entre 550 metros até 900 metros acima do nível do mar. Por causa disso, a amplitude térmica ali é grande, o que acaba ajudando na qualidade da semente, como explica o pesquisador Sebastião Pedro, da unidade Cerrados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). 

“A semente é formada pelo embrião e por uma parte de reserva. E essa reserva, ela é formada por óleo e outros nutrientes, basicamente energia. Essa energia é produzida durante o dia pela fotossíntese e à noite a planta não faz fotossíntese. À noite, a planta consome parte da reserva produzida. Se a temperatura é alta, respira muito e consome essa energia. Se a temperatura é fresca, como é lá, a amplitude sendo grande, a noite sendo fria, a planta não consome muita reserva. Então, a semente tem mais vigor”, explicou o especialista. 

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Além disso, o regime de chuvas do Oeste Baiano é bem marcado e com um tempo de duração menor do que em outras partes do Cerrado. Por lá, as chuvas costumam ser mais frequentes entre novembro e fevereiro, ocorrendo alguns volumes de precipitações em outubro, março e abril. Esse fator ajuda com que as sementes sofram menos com a umidade no momento em que estão prontas para serem colhidas. Com menos umidade, a perda de qualidade também é menor. 

O pesquisador ainda elenca outras características que influenciam para que a região seja um dos polos de produção de semente de soja:

  • alta tecnificação dos agricultores, inclusive com produtores especializados na produção de sementes;
  • fertilidade dos solos, que já são cultivados há algum tempo;
  • concentração de sementeiras que fazem o beneficiamento e venda da semente. 

Os vários aspectos da qualidade

sementes
Sementes para a safra 2026/2027 já estão sendo analisadas no Oeste Baiano. Foto: Adobe Stock

A gerente de qualidade da Sementes Oilema, Sheila Bigolin, conta que há várias faces relacionadas à qualidade de uma semente. A Oilema já iniciou o processo de análise das sementes que serão vendidas na safra 2026/2027. A técnica explica que, durante todo o período, desde a pré-colheita até o envio do produto, são feitos diferentes testes para verificar a qualidade. 

“Além de qualidade fisiológica, a gente monitora de perto a qualidade sanitária das sementes, para não levar nenhum patógeno ao campo; a qualidade genética, que é não ter mistura varietal no armazenamento e transporte; e a qualidade física, que vai facilitar as operações do produtor, como a semeadura”, acrescentou. 

Apesar dos vários tipos de qualidade, é na qualidade fisiológica que fica parte do sucesso de uma colheita. Isso porque é nesse aspecto que são analisados o potencial germinativo e o vigor das sementes. Basicamente, um representa a quantidade de sementes que irá germinar e o outro enquanto tempo e em que condições o broto vai aparecer. 

“Hoje, nós não comercializamos nenhum saco de semente que tenha menos de 90% de germinação. No caso da linha Supreme, o mínimo é 95%. Quando a gente pensa em vigor, esse atributo já é um pouquinho mais amplo, porque existem inúmeros testes para se avaliar a vigor. Aqui, utilizamos um de envelhecimento acelerado 48 horas, que a gente realiza em todos os lotes em agosto. Isso para a gente ter realmente a segurança de que os materiais vão performar bem a campo”, pontuou a gerente. 

*Jornalista viajou a convite da Sementes Oilema

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