Agricultura
Sementeira do Oeste da Bahia vê no sorgo potencial para crescer 70% na próxima temporada
Com ciclo de chuvas mais curto na região, sorgo surge como alternativa ao milho safrinha e pode reforçar a margem do produtor de soja
Daumildo Júnior | Brasília | daumildo,junior@estadao.com
20/02/2026 - 05:00

Com a colheita da atual safra de soja, as sementeiras iniciam a safra seguinte, já que as sementes que serão vendidas no próximo ciclo estão sendo colhidas e armazenadas agora. No caso da baiana Sementes Oilema, os testes de qualidade feitos a partir da pré-colheita começaram, assim como as vendas, uma vez que já há encomendas de produtores para a safra 2026/2027.
Desde 1998 à frente do negócio, Celito Missio analisa que a próxima temporada deve se comportar de forma parecida com a atual safra. Apesar de uma perspectiva de queda dos juros da taxa Selic, o crédito rural deve continuar caro, o que pode impactar na tomada de decisão dos produtores.
“A dificuldade que a gente vê é a disponibilidade de crédito do agricultor para comprar. Mas como a semente participa no custo de tecnologia, em torno de 6% a 7% do custo de produção, então é uma parcela baixa em relação ao todo que o agricultor usa. Mas vai ter dificuldade de crédito para o pessoal buscar esse insumo”, comenta o CEO da Oilema ao Agro Estadão.
Quanto ao tamanho da área plantada, a avaliação é parecida. “O Brasil plantou, esse ano que passou, 48,6 milhões de hectares. A área não deve crescer muito, mas também não deve baixar”, projeta.
Aposta no sorgo
As sementes de soja vendidas pela Oilema são responsáveis pelo plantio de 1,3 milhões de hectares. A empresa vende apenas soja e sorgo. Com um cenário da soja mais acanhado, umas das apostas de crescimento da sementeira são as lavouras de sorgo. De acordo com Missio, a expectativa é de que as vendas dessa semente cresçam 70% na próxima temporada, mantendo um ritmo observado nos últimos anos.
“Tem uma grande virada na cultura do sorgo, que é o mercado. Ele vai ser muito absorvido pelas indústrias de etanol, porque ele produz o mesmo tanto de etanol e DDG do que o milho produz. Então, é uma cultura que vai ser impulsionada pelo mercado, principalmente a indústria do etanol, mas também para a exportação, que já começam a sair navios para a China, e também para confinamento, que aprendeu também a usar o sorgo na alimentação animal”, pontua o CEO.
De acordo com dados do último levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil deve produzir, na safra 2025/2026, cerca de 6,6 milhões de toneladas de sorgo, em mais de 1,8 milhão de hectares. Na comparação com a safra passada, o salto é de 9,7% em produção e de 11,7% em área. Em relação à safra 2023/2024, o crescimento esperado é de 51,2%.

Na opinião do diretor da Céleres Consultoria, Anderson Galvão, essa alternativa trazida pelo sorgo pode melhorar as margens do produtor de soja de áreas como do oeste baiano, que tem um ciclo de chuvas menor e, por isso, a alternativa do milho para segunda safra é inviável. Aliado a isso, Galvão ainda pontua que o cenário da soja atualmente torna imprescindível uma segunda safra para o agricultor.
Ele faz uma análise demonstrativa a partir de uma produção em Barreiras (BA). No caso de uma segunda safra de sorgo com produção de 120 sacas por hectare e em um plantio de 80% da área dedicada à soja, o produtor conseguiria uma sobra que representaria valores de quatro sacas de soja por hectare. No entanto, ele chama atenção para a necessidade de uma produção de média a alta tecnologia.
“O que é hoje um produtor de sorgo de baixa tecnologia? 50 a 55 sacas de sorgo. Qual é a margem que isso entrega? Nada. No meu cenário, de 120 sacas de sorgo por hectare, esse negócio deixa o equivalente a quatro sacas de soja de margem, sendo que o teto produtivo pode ir até 160 sacas de sorgo. […] Num contexto de baixa rentabilidade que a gente está vivendo agora, com questões de preço e custo, não se pode dispensar quatro sacas de soja por hectare de margem”, comenta.
Além disso, ele compara o atual momento do sorgo com o momento vivido pelo milho safrinha. “Do ponto de vista de mercado, do ponto de vista de tecnologia, eu tenho dito, desde o ano passado, que o sorgo agora, em 2025, 2026, está no mesmo lugar que o milho da segunda safra, ou antigamente safrinha, estava em 2010”, acrescenta Galvão.
*Jornalista viajou a convite da Sementes Oilema
Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Agricultura
1
A planta que ajuda os rins e vai virar remédio no SUS
2
São Paulo tem primeiro caso confirmado de praga quarentenária
3
Quais são as cidades mais ricas do agronegócio?
4
Com café 'extraordinário', casal do interior de SP bate recorde histórico
5
Em recuperação extrajudicial, Belagrícola faz acordo para receber grãos de Coamo e Lar no PR
6
A árvore linda que pode virar problema no jardim
PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas
Agricultura
Colheita da soja em MT atinge 78,34%, plantio do milho avança e algodão é concluído
Com atraso na colheita da soja, semeadura do milho está 3 pontos percentuais abaixo da temporada passada
Agricultura
Publicado Zarc para cana-de-açúcar com irrigação de salvamento
Veja quais Estados deverão seguir a norma do zoneamento climático
Agricultura
Chuvas reduzem qualidade da soja em MT e travam escoamento da safra
Prejuízos já chegam a R$ 1.800 por hectare no Norte do Estado, com perdas por grãos avariados e descontos por alta umidade
Agricultura
Safra 2026/27 deve atingir 629 milhões de toneladas de cana
Estimativa da SCA Brasil projeta alta de 3% na moagem e aponta maior foco no etanol diante do cenário de preços do açúcar
Agricultura
Dólar em queda reduz custo da safra de soja 2026/2027 em Mato Grosso
Defensivos caíram 5,69% no mês e contribuíram para a redução do custeio da próxima safra de soja, aponta Imea
Agricultura
Café do nordeste de Minas Gerais ganha reconhecimento de Indicação Geográfica
Selo abrange 22 cidades mineiras e reconhece a região como polo notório de produção de café
Agricultura
Conab lança plataforma para rastreabilidade do café brasileiro
Ferramenta gratuita ajuda produtores a provar conformidade com lei antidesmatamento da União Europeia
Agricultura
Soja: exportações em fevereiro diminuem, mas batem 2025
Anec estima embarques de 10,69 milhões de t, 6,7% abaixo da previsão passada e 9,9% acima do registrado um ano antes