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Do Japão para o São Francisco: agricultor se torna referência na fruticultura
Produtor japonês viveu duas migrações e, hoje, vende para o exterior mais de 26 mil toneladas de manga e uva
Daumildo Júnior | Brasília | daumildo.junior@estadao.com*
13/04/2025 - 08:00

“Com espírito aventureiro”, assim Suemi Koshiyama define a si e a sua família. Nascido em Nagasaki, no Japão, o produtor e empresário do ramo de exportação de frutas veio para o Brasil quando tinha cinco anos, em 1959. E as aventuras não pararam por aí, na verdade, só aumentaram, pois em 1983 ele fez a segunda mudança, saindo de Mogi das Cruzes (SP) para tocar uma terra no meio do Semiárido nordestino, em Juazeiro (BA), às margens do Rio São Francisco.
“Eu aprendi com os meus pais esse espírito aventureiro, de buscar novas regiões para vislumbrar um novo crescimento. Eu vi isso quando vim para Juazeiro. Por isso, preparei a minha família. ‘Nós vamos ter que estar preparados porque a dificuldade vai ser enorme, mas tem grandes chances de prosperar’. Nosso sucesso, eu penso, vem desse preparo. O espírito já é preparado para dificuldade e superação”, relembra o agricultor.
Na terra do sol nascente, o pai de Koshiyama já trabalhava na agricultura, com a produção de chá e arroz. As dificuldades no país asiático e as possibilidades no Brasil motivaram a migração. A tradição de mexer com a terra continuou, só que no estado de São Paulo. O pai plantava caqui, uva e hortaliças. Foi assim que o filho cresceu aprendendo a lidar, principalmente, com a fruticultura.
Já mais experiente e com uma família própria, Koshiyama partiu para o Nordeste. A antiga Cooperativa Agrícola de Cotia estava selecionando filhos de cooperados para desbravar áreas no recém instalado Projeto de Irrigação Tourão, em Juazeiro.
“Quando eu soube da notícia que a cooperativa estava selecionando filhos de cooperados para vir produzir uvas aqui no Vale do São Francisco, me interessou muito e fui selecionado”, comenta o produtor.

Após 42 anos da segunda migração, o sucesso não é difícil de ser notado. Koshiyama fundou uma das maiores exportadoras de frutas do Vale do São Francisco. A Special Fruit vende para o mercado internacional cerca de 24 mil toneladas de manga e 2,8 mil toneladas de uva, anualmente. São mais de mil contêineres que saem para países como Coreia do Sul, Japão, Estado Unidos, Inglaterra e Rússia a cada ano.
Foco na qualidade
Se em 1983 o começo foi modesto, com cerca de uma dezena de hectares irrigados, atualmente a família conta com mais de mil hectares em cinco fazendas. Terceira geração da família no Brasil e filho de Suemi, Akio Koshiyama, atribui o sucesso do pai à busca constante por qualidade.
“Nosso foco na produção é trabalhar com frutas de excelência, de qualidade, porque foi isso que fez o nosso crescimento. Meu pai sempre diz ‘vamos trabalhar para trazer frutas com qualidade, padrão’ e isso a gente vem seguindo à risca”, comenta Akio, que trabalha na empresa e nas fazendas com outros dois irmãos e a mãe.
Essa primazia na produção é reconhecida nos selos que as frutas possuem: são mais de sete certificações exigidas pelos países compradores. Entre mercado externo e interno, o faturamento anual ultrapassa os R$ 300 milhões. “Não tinha nada [no começo], era tudo muito precário. Mas graças a Deus, com a irrigação, tudo começou a mudar. E isso vem evoluindo com o tempo, com novos tipos de culturas para se plantar”, diz Akio.

Na visão de futuro para o negócio rural, há um obstáculo que Suemi pretende superar apostando na incorporação de mais qualidade aos produtos, gerando mais valor nas vendas.
“Estamos encontrando dificuldade por falta de mão de obra. Estamos com esse limitante. Por isso, estamos desistindo de alguns projetos, reduzindo área para poder fazer melhor, focar na qualidade”, afirma Suemi. Mais otimista, o filho completa: “O desafio está para ser conquistado, tem que ser cumprido”.
*Jornalista viajou a convite da Codevasf
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