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Agricultura

Nova uva verde sem sementes pode substituir a tradicional Itália

Com produtividade de até 30 toneladas por hectare, a cultivar traz bagas alongadas que lembram variedades sem sementes já conhecidas do consumidor

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Daumildo Júnior | Brasília | daumildo.junior@estadao.com

18/02/2026 - 05:00

BRS Pérola é recomenda para áreas produtoras da Serra Gaúcha e de Santa Catarina. Foto: Patrícia Ritschel/Embrapa
BRS Pérola é recomenda para áreas produtoras da Serra Gaúcha e de Santa Catarina. Foto: Patrícia Ritschel/Embrapa

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) lança nesta semana uma nova cultivar de uva verde sem sementes recomendadas para áreas produtoras da Serra Gaúcha e de Santa Catarina. A BRS Pérola pode alcançar uma produtividade de 25 a 30 toneladas por hectare e surge como alternativa para a tradicional uva Itália – conhecida no Brasil mas que apresenta sementes.

O material é resultado de cruzamentos iniciados em 2004, a partir de variedades da coleção da Embrapa Uva e Vinho. “No caso da BRS Pérola, é um cruzamento entre um material que é mantido nessa coleção e que veio lá da Universidade de Arkansas, nos Estados Unidos. E esse material foi cruzado com uma cultivar de uva sem semente que se chama Crimson Seedless”, detalhou ao Agro Estadão a pesquisadora, Patrícia Ritschel.

CONTEÚDO PATROCINADO

A previsão é que o lançamento ocorra durante a Festa da Uva, em Caxias do Sul (RS), que inicia nesta quinta-feira, 19. Também será possível ver a nova cultivar durante um dia de campo em Alto Feliz (RS), na mesma data, na Frutícola Freiberger-Andrioli. 

Diferencial da BRS Pérola

Entre os atributos da nova cultivar estão o formato da baga e a facilidade de manejo. “A BRS Pérola tem um formato de baga alongado e que é semelhante a uma cultivar bastante tradicional, a Thompson Seedless”, comentou. Ainda conforme a pesquisadora, esse formato alongado dialoga com a percepção do consumidor que associa esse padrão à ausência de sementes, característica cada vez mais valorizada no mercado.

Também há uma vantagem para o produtor. Os cachos da nova cultivar são menos compactos, o que reduz a necessidade de intervenções intensivas. “Ela também foi selecionada porque os cachos que não são muito compactos e que aí facilita para o produtor, diminui a necessidade de mão de obra na hora que o produtor tem que fazer o manejo do cacho”, acrescentou Ritschel. 

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Em propriedades de viticultura, o trabalho manual é indispensável e, atualmente, o segmento tem enfrentado dificuldade na contratação de mão de obra. Por isso, essa característica pode representar ganho operacional.

Outro ponto forte destacado pela especialista é com relação ao sabor.”A textura dela é bastante crocante e ela é tem uma intensidade de doce também, mas com um sabor agradável, porque equilibra bem a acidez com doçura, aí não fica uma uva muito doce. Quando fica muito doce, fica chato, você logo enjoa”, completou. 

Pesquisadora da Embrapa, Patrícia Ritschel, apresenta nova variedade de uva verde de mesa. Foto: Viviane Zanella/Embrapa

Indicações para cultivo

A recomendação é regional e estratégica. A pesquisadora explica que há demanda por uva de mesa sem sementes na região Sul, já que esse é um polo de uvas, mas são mais voltadas para o processamento. 

Embora também tenha sido testada no Nordeste, principal polo de produção de uvas de mesa do país, a cultivar apresentou desempenho distinto em clima tropical. “Aqui na região sul, a BRS Pérola ficou com esse traço [de semente] minúsculo. Mas quando a gente levou ela para teste na região Nordeste [Vale do Rio São Francisco], em climas mais quentes, esse traço de semente ficou muito grande. Então, praticamente inviabilizou a produção dessa uva em regiões tropicais”, esclareceu Ritschel.

Quanto às orientações para o cultivo nas zonas indicadas, ela aborda que é preciso tomar algumas precauções com a podridão. “Ela está sendo recomendada no sul sob cobertura plástica. No Sul, toda uva de mesa é recomendada a produção sob a cobertura plástica, porque há muito problema de chuva na época da colheita, e isso induz podridões”, orientou a especialista. 

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Quanto ao controle de doenças, nas áreas testes e de validação, a única preocupação foi com relação ao oídio. De acordo com Ritschel, esse seria o grande controle a ser feito nos parreirais, além de um manejo dos cachos, mas que não demandaria um grande trabalho. Outras recomendações podem ser acessadas no material da Embrapa.

Como comprar?

A nova cultivar pode ser encomendada em dois viveiros licenciados:

A Embrapa também abriu a possibilidade de que outros viveiros licenciados façam a venda. Para isso, é preciso adquirir o material básico. Informações pelo e-mail cpact.eecan@embrapa.br ou pelo telefone (47) 3627-4199.

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