Agricultura
Volatilidade do cacau aumenta com atenção redobrada ao clima
Apesar de chuvas ainda favoráveis, temperaturas acima da média e riscos sanitários aumentam a incerteza sobre a safra 2025/26 nos principais produtores globais
Redação Agro Estadão
13/02/2026 - 11:01

As condições climáticas nos principais países produtores de cacau — Costa do Marfim e Gana — continuam sendo um dos principais fatores de atenção do mercado, com potencial de alterar rapidamente a dinâmica de preços, assim como aconteceu nesta semana.
Nos últimos dias, as cotações do cacau vinham em um movimento de oscilação modesta, até atingirem, na terça-feira, 10, o menor nível em dois anos, após sinalização de melhores condições climáticas nas principais origens. “Mesmo pequenas mudanças no padrão de chuva podem gerar movimentos significativos nas cotações,” explica Carolina França, analista de inteligência de mercado da Hedgepoint Global Markets.
Segundo França, com o mercado técnico e as cotações mais lateralizadas, qualquer mudança no clima poderá intensificar a volatilidade no curto prazo, principalmente em um ambiente já próximo da sobrevenda. “O mercado deve continuar reagindo de forma rápida a qualquer novidade climática e mudança nos fundamentos. O investidor precisa acompanhar de perto os dados meteorológicos das origens”, diz.
Chuva segue favorável, mas altas temperaturas acendem alerta
Olhando o cenário na Costa do Marfim, maior produtor global de cacau, o quadro observado é de chuvas ainda favoráveis, uma vez que o acumulado desde o início da safra está ligeiramente acima da média, mantendo as perspectivas razoáveis para o ciclo 2025/26, caso o padrão se mantenha.
Porém, há atenção em relação às temperaturas que estão acima da média, aumentando o risco de estresse hídrico e avanço de doenças. Estimativa da organização sem fins lucrativos Enveritas indica que o vírus do Broto Inchado do Cacau — que diminui a produção de cacau no primeiro ano de infecção e geralmente mata a árvore em poucos anos — já ameaça cerca de 15% da produção do País. “As temperaturas elevadas são um ponto crítico. Quando combinadas com chuva irregular, potencializam o risco de estresse hídrico nas árvores” destaca Carolina.
Já em Gana, segundo maior produtor global de cacau, o volume acumulado de chuvas entre outubro/25 e fevereiro/26 está acima da média e superior em relação à safra anterior. Porém, as duas últimas semanas registraram precipitação abaixo da média, exigindo acompanhamento atento. “O comportamento climático nas próximas semanas será determinante para a formação da safra intermediária, que já está no radar do mercado”, ressalta a analista.
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