Agricultura
Doenças avançam em lavouras de café de MG e levanta dúvidas sobre produtividade
Aparecimento de ferrugem e phoma tem sido estimulado pelo quadro climático, com excesso de umidade e temperaturas oscilando
Redação Agro Estadão
18/02/2026 - 08:42

Se no início do ano, as chuvas constantes no Sul de Minas Gerais foram benéficas para o enchimento dos grãos de café, agora, no entanto, as precipitações levantam preocupações. O excesso de umidade deixa os produtores em alerta para o aparecimento de doenças nas lavouras, causadas por fungos e bactérias.
Segundo a Fundação Procafé — entidade de pesquisa que faz a medição do índice pluviométrico na Fazenda Experimental de Varginha — em janeiro, foram registrados 306 milímetros de chuva no município. Em fevereiro, até a segunda semana do mês, mais 106 milímetros foram verificados.
Considerando somente o resultado de janeiro, o volume verificado é superior ao da média histórica, acompanhada pela entidade desde 1974. Porém, o acumulado não é recorde para o mês, que já registrou números mais elevados em anos anteriores.
O engenheiro agrônomo e supervisor do Programa de Assistência Técnica e Gerencial (Ateg), do Sistema Faemg/Senar-MG, Guilherme Ferreira Marques, explica que a característica do período chuvoso de 2026 tem sido a distribuição das chuvas, ao longo de vários dias, praticamente, sem intervalo.
“As condições climáticas não estão permitindo que o produtor faça o manejo da lavoura, que era previsto para este momento, tanto para quem faz de forma mecanizada quanto para quem faz de forma manual, porque está difícil até para chegar nas lavouras, seja a pé ou de trator”, diz Marques, destacando que os produtores esperam um período de tempo seco para pulverizar as lavouras.

Condição climática estimula o surgimento de doenças
Além de causar o atraso no manejo das áreas, a combinação da alta umidade com temperaturas oscilando entre baixas e médias cria um cenário ideal para o surgimento de doenças fúngicas.
Conforme o engenheiro agrônomo que supervisiona os técnicos do Ateg — que atendem cerca de 400 propriedades distribuídas em 12 municípios na região — a incidência de sinais de doenças nos cafezais chega a 70% das propriedades na região de Varginha. Entre as doenças verificadas nas lavouras estão: Phoma, Ferrugem, Cercospora e Mancha Aureolada. Todas necessitam de tratamento com defensivos para seu controle.
Os primeiros sinais surgiram nos últimos 15 dias e geram preocupação devido às possíveis consequências. A ferrugem, por exemplo, provoca manchas alaranjadas nas folhas, levando à sua queda. Essa desfolha precoce reduz a fotossíntese e, consequentemente, a energia disponível para a planta, além de deixar os frutos mais expostos. Já a Phoma deixa as folhas retorcidas e causa o secamento dos ponteiros dos galhos.
Em outra parte do sul do estado, na microrregião da Mantiqueira de Minas, a situação é parecida. Segundo Leandro de Freitas Santos, supervisor do Ateg responsável por aproximadamente 450 propriedades em 15 municípios, a incidência de sinais de Phoma atinge 60% das propriedades. Enquanto isso, a ferrugem está presente em cerca de 30% das propriedades na área.
Para o especialista, o momento é de alerta para os produtores. “Esse cenário reforça a importância do monitoramento constante das lavouras e da adoção de manejos fitossanitários adequados e no momento correto. A tomada de decisão é fundamental para evitar a evolução das doenças e reduzir possíveis perdas”, salienta. Ele ressalta que há necessidade dos produtores ajustarem o manejo e agir preventivamente para evitar danos maiores.
Apesar da preocupação, ambos especialistas informaram que ainda é cedo para prever os impactos na produção nacional de café.
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