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Agricultura

Ureia pode testar US$ 500 por tonelada com guerra entre EUA, Israel e Irã

Especialista alerta para encarecimento dos custos de produção para a indústria de fertilizantes e efeitos indiretos ao Brasil

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Sabrina Nascimento | São Paulo | sabrina.nascimento@estadao.com

02/03/2026 - 15:41

É esperada uma ampla volatilidade no mercado da ureia. Foto: Adobe Stock
É esperada uma ampla volatilidade no mercado da ureia. Foto: Adobe Stock

Os preços da ureia que já vinham em uma escalada podem testar os US$ 500 por tonelada nos próximos dias, à medida em que perdurar o conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, com escalada na região do Oriente Médio.

O pano de fundo dessa nova escalada está no papel estratégico do Irã dentro da cadeia global de nitrogenados, uma vez que o país é um dos principais produtores de gás natural do mundo, insumo básico para a fabricação de ureia. Além disso, o país é um importante exportador de ureia e abastece parte importante do Oriente Médio, região que concentra grandes fabricantes de nitrogenados.

Segundo Maísa Romanello, analista de fertilizantes de Safras&Mercado, diante do cenário, uma ampla volatilidade marcará o mercado da ureia, com projeções de altas. “Os preços que estão hoje em US$ 475 por tonelada podem chegar e testar os US$ 500. Isso pode ser uma nova realidade para os preços da ureia. E não há nenhum fator de queda no curto-médio prazo, então, isso deve continuar impactando o mercado globalmente. Aqui no Brasil também vamos sentir esses impactos das altas no preço da ureia”, afirma. 

Dados compilados pela consultoria apontam que, em 2025, o Brasil importou 35% de ureia do Oriente Médio. Somente o Irã, respondeu por 2,4% desse total. 

Mercado ajustado

A especialista recorda que o mercado de fertilizantes nitrogenados já operava em um ambiente de oferta ajustada antes mesmo do conflito recente no Oriente Médio. Na ocasião, a precificação era desencadeada pela ausência do Irã, que enfrentava restrições de produção de nitrogenados e limitações no fornecimento de gás. 

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Nos últimos dias, porém, havia uma expectativa de retomada das operações iranianas, o que poderia abrir espaço para alguma acomodação nos preços. Esse cenário, porém, foi descartado com o conflito. “Agora temos um novo cenário de incerteza que deve causar novas altas no preço da ureia. Além disso, tem toda a questão da alta do petróleo e do gás natural, encarecendo custos de produção para a indústria de fertilizantes, logística e possível limitação de oferta de gás natural. O cenário pode causar menores taxas de operação na indústria de nitrogenados”, explica. 

Para o Brasil, Romanello aponta efeitos limtados, já que os agricultores estão com boa parte da segunda safra abastecida de ureia e distantes do período das grandes compras do insumo. Os reflexos, no entanto, tendem a chegar pela alta do petróleo e do dólar. “A cotação do dólar impacta os preços dos fertilizantes em reais, além das cotação das comodidades agrícolas influenciando nas relações de troca. E ainda temos o aumento dos custos logísticos e possíveis dificuldades de envio de cargas do Oriente Médio”, afirma.

O efeito no câmbio já é visível. Após fechar fevereiro cotado a R$ 5,13, o dólar comercial sobe mais de 1,5% frente ao real nesta segunda-feira, 02, chegando a ser negociado a R$ 5,21 por volta das 11h30. Por sua vez, o petróleo tipo brent, usado como referência global, subia mais de 8% por volta do mesmo horário. 

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