Sustentabilidade
O feijão que melhora a terra e reduz emissões no pasto
Feijão-guandu combina tradição alimentar e agricultura regenerativa, fixando nitrogênio e acelerando a recuperação do solo
Redação Agro Estadão*
03/02/2026 - 05:00

O feijão-guandu é uma das plantas importantes para quem trabalha no campo brasileiro. Ele serve tanto para alimentação humana quanto como solução para melhorar a terra e criar sistemas de produção mais sustentáveis.
O que é o feijão-guandu?
O feijão-guandu (Cajanus cajan) é uma planta da família das leguminosas que recebe vários nomes pelo Brasil: andu, ervilha-de-pombo, guandeiro e feijão-boer. Veio originalmente da Ásia, mas se adaptou muito bem ao clima brasileiro.
O grande diferencial do feijão-guandu está na sua capacidade de capturar nitrogênio do ar e transformar em nutriente para as plantas — um processo chamado fixação biológica de nitrogênio.
Esta habilidade especial acontece porque a planta faz parceria com bactérias que vivem em suas raízes.
Juntas, elas pegam o nitrogênio que existe no ar e transformam numa forma que as plantas conseguem usar para crescer. Por isso, o feijão-guandu funciona como um fertilizante natural.
A planta gosta de calor e umidade, crescendo bem desde a região amazônica até áreas de cerrado. Esta adaptação fácil explica por que ela serve para tantos usos diferentes na agricultura.
Feijão-guandu na cultura alimentar e na identidade regional

O feijão-guandu não é apenas uma planta útil para a agricultura, ele faz parte da tradição alimentar de várias regiões, principalmente em Minas Gerais e Bahia.
Por gerações, famílias rurais cultivam este grão em pequena escala, mantendo conhecimentos antigos sobre como plantar, colher e preparar.
Nas feiras livres dessas regiões, é comum ver o feijão-guandu sendo vendido “no litro”, seguindo costumes tradicionais de medida e venda. O processo de colher e secar os grãos ainda segue métodos artesanais, fortalecendo a ligação entre quem planta e quem compra.
- A preservação deste alimento como parte da cultura local resiste à padronização da alimentação;
- O cultivo familiar mantém vivos conhecimentos sobre manejo e preparo passados de pais para filhos;
- A venda direta fortalece a economia local e diminui a dependência de produtos de fora.
Feijão-guandu como adubação verde e melhoria do solo
Usar o feijão-guandu como adubo verde é uma resposta inteligente para o problema de terras empobrecidas e degradadas. A planta consegue adicionar entre 150 a 280 quilos de nitrogênio por hectare, dependendo das condições de plantio.
As raízes do feijão-guandu crescem fundo e se espalham bastante, melhorando a estrutura da terra. Elas criam espaços que facilitam a entrada de água e ar no solo.
Quando a planta morre e se decompõe, tanto as raízes quanto as partes de cima viram matéria orgânica, o “alimento” principal para manter a terra saudável.
Quando plantado junto com outras culturas ou em sistemas agroflorestais (que misturam árvores com outras plantas), o feijão-guandu ajuda a recuperar áreas degradadas.
Um estudo feito por pesquisadores no Pará mostrou como isso funciona na prática. Eles plantaram feijão-guandu entre fileiras de paricá (uma árvore nativa) e viram que a leguminosa funcionou bem como adubo verde e ainda ajudou a controlar plantas invasoras.
Feijão-guandu como elemento restaurador de sistemas agrícolas e florestas

Na região amazônica, o feijão-guandu se mostra especialmente útil para recuperar áreas que perderam a cobertura vegetal. O clima da região, com temperaturas altas, muita chuva e solos que sofreram com desmatamento, cria desafios específicos que a planta consegue enfrentar.
Uma pesquisa que analisou o uso do feijão-guandu na Amazônia entre 1997 e 2017 encontrou números interessantes.
Das experiências estudadas, 48% usaram a planta como adubo verde, 24% em consórcio (plantio junto com outras culturas), 19% em sistemas agroflorestais e 9% em policultivos (vários tipos de planta no mesmo local).
Estes números mostram como a planta é versátil e se adapta a diferentes formas de produção.
Porém, os pesquisadores alertam para um problema: muitas vezes o feijão-guandu é usado apenas como ração animal, desperdiçando seu potencial para recuperar sistemas agrícolas e florestas.
Feijão-guandu na pecuária: consórcio em pastagem e redução de metano
Plantar feijão-guandu junto com capim nas pastagens traz benefícios importantes para a criação de gado. Pesquisas da Embrapa Pecuária Sudeste comprovaram que este consórcio (plantio conjunto) pode reduzir em até 70% a emissão de metano pelos animais.
Esta redução acontece porque o feijão-guandu melhora a qualidade da alimentação do gado. A leguminosa tem mais proteína que os capins comuns, equilibrando melhor a dieta dos animais.
Com uma alimentação mais balanceada, a digestão fica mais eficiente e produz menos metano, um gás que contribui para o aquecimento global. Além de ajudar o meio ambiente, o sistema misto também melhora a produção das pastagens.
O nitrogênio que o feijão-guandu fixa no solo beneficia os capins plantados junto, fazendo com que produzam mais forragem de melhor qualidade. Isso significa mais comida para o gado sem precisar usar fertilizantes químicos.
Como integrar o feijão-guandu no sistema produtivo sem complicar o manejo

Incluir o feijão-guandu na propriedade não precisa ser complicado, mas requer planejamento. A forma de plantar deve considerar o que cada produtor quer alcançar com a cultura.
Para melhorar solos degradados, o plantio em faixas ou cobrindo toda a área garante o máximo de benefícios. Em sistemas agroflorestais, o feijão-guandu trabalha como uma planta de apoio, ocupando o espaço entre as árvores e outras culturas menores.
O consórcio com capim em pastagens exige cuidado na hora do plantio. É importante planejar se vai plantar tudo junto ou em momentos diferentes, evitando que uma planta atrapalhe o crescimento da outra.
Depois de estabelecido, o manejo foca em controlar a altura do pastejo para manter tanto o capim quanto a leguminosa no pasto.
Em projetos de replantio de mata, semear feijão-guandu entre as fileiras de mudas ajuda as árvores a crescer melhor enquanto melhora o solo.
Como o ciclo da leguminosa é relativamente curto, é possível replantar periodicamente sem atrapalhar o crescimento das árvores.
*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação Agro Estadão
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