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Sustentabilidade

Biodiesel: Brasil tem maior produção da história em 2025 e projeta novo salto

Levantamento da StoneX aponta que avanço das misturas obrigatórias e expansão industrial sustentaram o recorde

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Redação Agro Estadão

15/01/2026 - 15:30

Consumo de biodiesel do Brasil em 2026 pode chegar a 11 milhões de metros cúbicos. Foto: Adobe Stock
Consumo de biodiesel do Brasil em 2026 pode chegar a 11 milhões de metros cúbicos. Foto: Adobe Stock

A produção de biodiesel no Brasil encerrou 2025 em nível histórico, impulsionada principalmente pelo avanço das misturas obrigatórias e pela ampliação da capacidade instalada do setor. Os dados fazem parte da análise da equipe de Inteligência de Mercado da StoneX, que acompanhou de perto os principais movimentos da cadeia ao longo do último ano e já projeta um cenário de crescimento contínuo para 2026.

Segundo a StoneX, 2025 marcou a retomada definitiva do cronograma de elevação do teor de biodiesel no diesel comercializado no País. A adoção do B15 a partir de agosto, conforme determinação do Ministério de Minas e Energia, representou um divisor de águas após um período de instabilidade, quando fatores econômicos e os efeitos da pandemia haviam freado a evolução.

CONTEÚDO PATROCINADO

O ambiente regulatório mais previsível, reforçado pela sanção da Lei do Combustível do Futuro, contribuiu para devolver confiança ao setor. Com isso, a produção nacional atingiu patamar recorde em 2025, acompanhada por um avanço expressivo no consumo de matérias-primas. De acordo com os dados da StoneX, o uso de óleo de soja — principal insumo do biodiesel no Brasil — somou cerca de 7,9 milhões de toneladas no ano. O crescimento do esmagamento de soja e a maior utilização de fontes alternativas, como sebo bovino, gordura suína e óleos residuais, também evidenciaram uma diversificação gradual da base produtiva.

No campo industrial, a capacidade instalada chegou a 42,6 mil metros cúbicos por dia, com forte concentração nas regiões Centro-Oeste e Sul, responsáveis por mais de 70% da produção nacional. O ano também foi marcado por movimentos estratégicos, como aquisições de usinas por grandes grupos e a entrada de novos agentes no mercado, aumentando a competitividade e a dispersão da produção.

Expectativas positivas para 2026

As projeções da StoneX indicam que o ritmo de crescimento deve se manter em 2026. Considerando a permanência do B15 ao longo de todo o ano, a demanda por biodiesel, que, em 2025, foi de 9,8 milhões de metros cúbicos, pode alcançar cerca de 10,5 milhões. Caso haja um novo avanço, para o B16, a partir de março, a expectativa é ultrapassar 11 milhões, exigindo aproximadamente 8,9 milhões de toneladas de óleo de soja.

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Nesse cenário, a taxa de utilização da capacidade industrial tende a variar entre 57% e 64,5%, a depender do andamento de novos investimentos, da expansão das plantas existentes e das decisões governamentais sobre o cronograma de mistura. Produtores e investidores já se movimentam para atender à demanda futura, com foco especial nas regiões com maior disponibilidade de soja.

A StoneX destaca ainda que o setor segue atento aos próximos passos previstos na Lei do Combustível do Futuro, que estabelece a elevação progressiva do teor de biodiesel até o B20 em 2030.

Terceiro ano mais quente

O levantamento sobre biodiesel no Brasil coincide com a divulgação de um relatório do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, da União Europeia, que aponta um agravamento da crise climática. Os dados revelam que 2025 foi o terceiro ano mais quente já registrado, ficando atrás de 2024 e 2023. Mais do que um dado isolado, o levantamento aponta para uma tendência preocupante: a expectativa dos cientistas é que 2026 mantenha o planeta sob temperaturas excepcionalmente elevadas, configurando um período contínuo de calor extremo sem precedentes.

Pela primeira vez desde o início das medições climáticas, a média global de temperatura superou, ao longo de três anos consecutivos, o limite de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. Esse patamar é considerado crítico pelo Acordo de Paris, que estabeleceu o teto como forma de reduzir os riscos de impactos irreversíveis sobre ecossistemas, economias e sociedades.

O relatório do Copernicus reforça que a principal causa desse aquecimento acelerado continua sendo a ação humana, sobretudo a queima de combustíveis fósseis como petróleo, carvão mineral e gás natural. A intensificação das emissões de gases de efeito estufa tem ampliado a frequência e a intensidade de eventos climáticos extremos em diferentes partes do mundo — e o Brasil não ficou imune a esse cenário.

Ao longo do último ano, o País enfrentou secas severas na Amazônia, ondas de calor históricas em regiões do interior e episódios de chuvas intensas que provocaram enchentes em Estados como São Paulo, Bahia e Rio Grande do Sul. Fenômenos extremos, como o tornado que atingiu o município de Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, também evidenciam a vulnerabilidade crescente das cidades brasileiras às mudanças do clima.

Diante desse contexto, ganha força a urgência da transição para uma economia de baixo carbono e da adaptação das infraestruturas urbanas e industriais – cenário representado, entre outras fontes energéticas, pelos biocombustíveis.

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