Sustentabilidade
“Agro tropical brasileiro será patrocinador da paz mundial”, diz Roberto Rodrigues
Ex-ministro da agricultura destacou o legado do agro pós-COP 30 durante palestra magna no Estadão Summit Agro 2025
Sabrina Nascimento | São Paulo | sabrina.nascimento@estadao.com
27/11/2025 - 10:51

O ex-ministro da agricultura, professor e figura chave no desenvolvimento do agronegócio brasileiro, Roberto Rodrigues, disse que, considerando as expectativas da 30ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP 30), realizada em Belém (PA), o balanço foi “muito bom”. Nesta quinta-feira, 27, durante o Estadão Summit Agro 2025, Rodrigues ministrou a palestra magna ‘O legado do agronegócio para a COP-30’.
O ex-ministro afirmou que o agro tropical expôs na Conferência que o seu sucesso pode ser replicado em outros países, contribuindo com a segurança alimentar global. “O agro tropical brasileiro ajudará a combater a insegurança alimentar, ou seja, o agro tropical será o patrocinador da paz mundial porque onde há alimento, não há fome”, enfatizou.
Emocionado, Rodrigues salientou ter voltado da capital paraense mais feliz do que já era e mais confiante no papel do setor para garantir a paz mundial. Ele ponderou, no entanto, que não é uma mudança de curtíssimo prazo.
Por isso, na véspera do Estadão Summit Agro, em evento com adidos agrícolas, o ex-ministro pediu a contribuição do grupo para um estudo que está em desenvolvimento na Fundação Getúlio Vargas, sob o comando dele, visando o mapeamento das oportunidades futuras do setor. “Estamos iniciando o estudo ‘Agro50’ para mapear quem vai produzir no mundo até 2050 e quem vai consumir até 2050. Para que isso? Para que a gente aproveite os espaços, as oportunidades”, disse.
Debate com agricultura no foco da COP poderá ser replicado
Outro legado da COP 30, é o papel maior do agro nas discussões das futuras conferências climáticas. Segundo Rodrigues, com o sucesso mostrado aqui no País, com a Agrizone — espaço organizado pela Embrapa e parceiros dentro da COP 30 para apresentação de tecnologias e experiências para a agricultura sustentável e de baixo carbono — deixou outros países almejando um feito semelhante. “[Turquia e Austrália] Estão conversando conosco, com a Embrapa, para saber como foi feito”, mencionou.
Para ele, esse foi “o melhor upgrade” do agro brasileiro. Ao todo, durante 11 dias, aconteceram mais de 307 eventos na Agrizone e 48 delegações estrangeiras visitaram o espaço, conforme balanço explanado por Rodrigues. Além disso, o espaço serviu de palco para a eleição do presidente do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA). O órgão internacional visa incentivar, promover e apoiar os esforços dos Estados-membros para conseguirem seu desenvolvimento agrícola e bem-estar rural por meio de cooperação técnica.
Entretanto, na visão de Rodrigues, a ponte mais relevante foi o campo montado pela Embrapa que demonstrou, ao vivo, sistemas sustentáveis de integração da produção agropecuária brasileira. “Estavam expostas diversas culturas, com a tecnologia de baixo carbono. Tinha trigo plantado em Belém do Pará, algo que ninguém imaginava, mas a Embrapa fez! Era uma vitrine impressionante que qualquer pessoa, por mais analfabeta que seja, de qualquer parte do mundo, via claramente a tecnologia expressa no Brasil tropical”, destacou.
O Estadão Summit Agro 2025 debate o legado do agro depois da COP 30, oportunidades com o acordo Mercosul-UE e o uso de IA nesta quinta-feira, 27. Acompanhe on-line as palestras neste link.
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