Economia
China pode concluir investigação sobre importações de carne bovina em agosto
Processo foi aberto pelo governo chinês em dezembro de 2024, com previsão de se estender por um ano
Sabrina Nascimento | São Paulo | sabrina.nascimento@estadao.com
03/04/2025 - 12:50

O governo chinês pode finalizar em agosto a investigação sobre suas importações de carne bovina, disse ao Agro Estadão uma fonte que esteve presente na audiência realizada pelo Ministério do Comércio chinês no início desta semana. A previsão inicial era de que o processo pudesse durar um ano.
A investigação, iniciada em dezembro do ano passado, avalia a possível aplicação de medidas de salvaguarda, que podem limitar temporariamente as compras da proteína bovina pelo país, visando uma proteção da indústria local.
Segundo informações obtidas pelo Agro Estadão, o calendário de avaliação divulgado pelo governo chinês prevê um relatório preliminar já no final de julho. “Então, provavelmente, no final de agosto eles vão ter o relatório definitivo”, afirmou a fonte, ressaltando que a audiência foi “formal” e durou o dia inteiro. Na ocasião, todos os países participantes tiveram a oportunidade de expor seus argumentos contra a medida de salvaguarda. Agora, cada nação tem até o dia 08 de abril para formalizar os pontos levantados na audiência por escrito e enviar ao Ministério do Comércio da China.
O que motivou a investigação das importações de carne?
Para a abertura do processo de investigação das importações de carne bovina, o governo de Pequim mencionou o excesso de oferta no mercado interno, que derrubou os preços domésticos da proteína.
O pedido alegou que o volume de importação do produto sob investigação teve um aumento expressivo nos cinco anos anteriores, crescendo 106,28% no primeiro semestre de 2024 em comparação ao mesmo período de 2019.
A defesa brasileira tem como principal argumento o de que não houve um surto de importação de carne bovina e que as exportações do país não causaram dano à produção interna na China.
Os chineses são os principais parceiros comerciais do agro brasileiro. Em 2024, eles compraram 46% da carne in natura exportada pelo Brasil, com 1,33 milhão de toneladas importadas, gerando um faturamento de US$ 6 bilhões.
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