Mercado ainda calcula impactos de MP que altera PIS e Cofins, mas vê perdas em toda a cadeia produtiva | Agro Estadão
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Economia

Mercado ainda calcula impactos de MP que altera PIS e Cofins, mas vê perdas em toda a cadeia produtiva

Coalizão com 24 frentes parlamentares chama medida de “MP do Fim do Mundo” e pede que presidentes da Câmara e do Senado devolvam normativa ao governo

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Daumildo Júnior | daumildo.junior@estadao.com

06/06/2024 - 18:04

Foto: Adobe Stock
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Depois de ao menos sete entidades do setor Agro se manifestarem contrárias à Medida Provisória (MP) nº 1.227/2024, o mercado segue calculando os impactos das mudanças no uso do crédito presumido do PIS e Cofins. A medida limita o abatimento desses valores em impostos federais e proíbe o ressarcimento em dinheiro

Apesar disso, o que provocou uma paralisação em mercados exportadores no Brasil nesta quarta, 05, foi o imediatismo com que a medida foi aplicada. Ao entrar em vigor na terça, 04, à tarde, a MP já começou a valer o que afundou planejamentos e compras já realizadas pelos diversos setores da cadeia . 

“Ninguém esmaga [soja] hoje para vender amanhã. Tem um planejamento financeiro. O que eu tenho que fazer, eu já vendi. Esses contratos estão em um processo de execução e do dia para noite veio uma nova taxa. Quem comprou no mercado internacional não quer saber”, explica o consultor de mercado e sócio da Terra Agronegócios, Enio Fernandes.  

O especialista qualifica a manhã de negociações desta quinta, 07, como “tensas” e diz que empresas esmagadoras de soja estão “mais inseguras”. “Quanto mais sofisticada é a pauta de exportação, mais delicada tem que ser a análise. Mas acho que até sexta, 7, está tudo posto, pois o mercado não tem como ficar parado três dias para resolver uma questão dessa”, avalia Fernandes. 

Quanto às perdas causadas pela MP, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) calcula que R$ 6,5 bilhões de créditos se tornarão custos para as indústrias de óleo de soja e exportadoras de derivados. Custo que deve ser repassado em alguma medida para o produtor rural. 

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Isso porque as novas negociações devem derrubar o preço de compra do grão, já que as empresas não contarão com o crédito presumido para abaterem posteriormente. Por exemplo, se uma saca era vendida a R$ 150, o novo valor deve diminuir pois será descontado a porcentagem que vinha do crédito presumido, já que este não entrará mais nos balanços das empresas que utilizavam esse saldo para abater outros impostos, como IRPJ. 

“O que o governo fez com essa medida não extraiu o direito de crédito de ninguém, o que ele fez foi extrair os mecanismos de liquidez do crédito. Então, isso pode ser interpretado como um custo e não mais como dinheiro, na contabilidade”, esclarece o diretor de Mercado Físico da Agroinvest, José Fabiano da Silva.

O impacto prático, especialmente para produtores rurais, deve acontecer nos próximos dias, mas os valores ainda precisam ser calculados, individualmente, por empresa e por cadeia. “Ontem eu fiz um um cálculo de uma soja saindo de Rio Verde (GO) para porto de Santos (SP) e teria uma perda de R$ 1,50 por saca para o vendedor [produtor] no crédito de transporte”, calcula Silva.

De acordo com a análise técnica feita pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), “haverá grande resíduo tributário em várias cadeias agropecuárias”.

Porque não é possível repassar para o mercado internacional?

Com os novos custos, a solução mais simples seria repassar para o consumidor final, no caso estrangeiros que compram do Brasil. Porém, muitas das entregas já tiveram os contratos firmados antes das novas regras de abatimento dos créditos. 

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“Nós já temos negociado cerca de 70% de toda safra de soja e uns 30% da segunda safra de milho. E muita gente do açúcar, este ano, muitas empresas, já vendeu tudo. E no planejamento delas, não tinha esse imposto [IRPF ou CSLL, por exemplo]”, alerta Enio Fernandes.

Além disso, outro fator é a competitividade. Na visão dos especialistas, exportar tributação dá vantagem para concorrentes do Brasil no mercado de soja, como Estados Unidos e Argentina. 

“O mercado internacional não absorve Custo Brasil. Nós temos nossos competidores na venda de soja, que são os Estados Unidos e a Argentina. Ninguém no mercado internacional vai vir e pagar R$ 1,50 mais porque a operação ficou mais cara no Brasil”, pontua José Fabiano da Silva.

A Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) também criticou a MP e manifestou preocupação com a perda de renda por parte dos produtores. “ A consequência direta calculada será de 4% a 5% no preço da saca de soja vendida, prejudicando profundamente os produtores de soja e milho”, disse em nota.

Articulação no Congresso Nacional ganha força

Nesta quinta, a coalizão de 24 frentes parlamentares divulgou uma nota em que pede a imediata devolução da MP ao governo. A solicitação foi feita aos presidentes da Câmara dos Deputados, deputado Arthur Lira (PP-AL), e do Senado Federal, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). 

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“A Coalizão de Frentes Parlamentares confia que o Congresso Nacional possui as condições, a oportunidade e o cenário político necessários para que esta matéria seja discutida e deliberada ainda nesta Sessão Legislativa”, finaliza o documento. 

Para os especialistas, a pressão dos deputados e senadores pode surtir efeito já que os reflexos não são vistos apenas no setor agropecuário, mas afetam diferentes níveis de empresas, especialmente as que integram a balança comercial. A visão é de que diversos setores deverão pressionar os parlamentares para barrar a Medida Provisória.

No entendimento de parte do mercado, a MP pode ser uma estratégia do Ministério da Fazenda para negociar algo com o Congresso Nacional, já que a avaliação geral é de que a iniciativa é descabida. “É uma medida tão sem bom senso que alguns players estão desconfiando que o Ministério da Fazenda, colocou esse bode na sala não para a medida ser realmente efetivada, mas para ser uma moeda de negociação”, avalia Enio Fernandes.

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