Economia
Futuro do agro passa por Seguro Rural e pagamento por serviços ambientais, avalia SRB
No Estadão Summit Agro 2025, presidente da Sociedade Rural Brasileira avaliou questões geopolíticas, como as tarifas dos EUA e o acordo Mercosul-UE
Sabrina Nascimento | São Paulo | sabrina.nascimento@estadao.com
27/11/2025 - 16:24

A reestruturação do Seguro Rural no Brasil é considerada estratégica para o enfrentamento da crise de redução da cobertura no campo. A avaliação é de Sérgio Bortolozzo, presidente da centenária Sociedade Rural Brasileira (SRB). O dirigente ministrou o minitalk “O Futuro do Agro” durante o Estadão Summit Agro 2025, nesta quinta-feira, 27.
O apontamento de Bortolozzo ocorre um dia após o Projeto de Lei 2951/2024 que visa a modernização do Seguro Rural avançar no Senado Federal. A proposta é de autoria da ex-ministra da Agricultura e senadora, Tereza Cristina.
Para o dirigente da SRB, o próximo passo é trabalhar com entidades e instituições financeiras para incluir a cobertura como benefício ao produtor. “A Sociedade Rural Brasileira está totalmente envolvida nisso. Já promovemos um debate sobre o tema, recentemente, em parceria com a ABAG, com a Fundação Getúlio Vargas, OCB e CNA. O próximo passo é a gente fazer isso via os bancos que atuam no setor, via Febraban”, disse. “Queremos uma forma que mostre o seguro rural, não como exigência, não como uma venda casada, mas que ofereça um benefício para o produtor que tenha, em seu contrato, um posto automático, ou em cargos menores”, acrescentou.
Pagamentos por serviços ambientais
Ainda vislumbrando o futuro do agro, Bortolozzo enfatizou que o pagamento por serviços ambientais (PSA) aos produtores está no horizonte. Para ele, ao preservar mais de 33% do solo com áreas de preservação permanentes, os agricultores e pecuaristas prestam um grande serviço para a humanidade.
Porém, o dirigente apontou um certo nível de descrença de como o pagamento por serviços ambientais no Brasil irá se desenvolver. Ele lembrou que, no passado, uma legislação foi aprovada, mas não foi regulamentada por falta de financiamento.
No entanto, o cenário parece ter mudado. “Nós estamos pegando o que aconteceu na COP30 e a declaração do próprio presidente da República, em que ele disse que a exploração de petróleo na Foz do Amazonas era necessária para que fosse viabilizada a transição energética aqui dentro do Brasil. Então, ontem [quarta-feira, 26] eu até discuti isso com o Pedro Lupion e as lideranças da FPA [Frente Parlamentar da Agropecuária]: o que nós vamos fazer agora para trabalhar a regulamentação disso [PSA]? Porque agora nós vamos achar um financiamento. De onde é que vai sair o dinheiro para que seja feita uma transição? Para quê? Para pagamento de serviços ambientais”, destacou.
Conforme o presidente da SRB, avançar com esse ponto é uma meta para o futuro do setor.
Questões geopolíticas e comerciais
Bortolozzo não deixou de mencionar questões geopolíticas que afetam o Brasil. Uma delas são as tarifas globais aplicadas pelos Estados Unidos. Apesar de o governo norte-americano ter retirado a taxação sobre alguns produtos agropecuários, itens como café solúvel, mel e pescados, seguem sofrendo com tarifas de 50% a mais para entrar no País.
O dirigente destacou que as tarifas não fazem bem a nenhum País. Ele lembrou que, enquanto a guerra comercial dos norte-americanos era somente com a China, isso trouxe um certo benefício ao Brasil, que consolidou sua posição de maior fornecedor de soja para a maior economia da Ásia. “Todo produto tributado é um produto mais caro, ele tem a tendência de perder – conseguir mais mercado, mas vamos perder espaço”
Em relação às questões comerciais com a União Europeia, o presidente da SRB avalia ser um momento propício para se discutir a lei antidesmatamento no bloco ao mesmo tempo em que se avança com o acordo Mercosul-UE.
Ele destacou o papel do bloco europeu nem tanto como grande comprador dos produtos brasileiros, mas sim como líder de opinião. “Nós contestamos, inevitavelmente, como uma entidade centenária, essa regulação [lei antidesmatamento da UE], como imposição. Mas, não tanto como mercado, porque a maior importância da Europa para nós é como formadora de opinião”, salientou. Segundo ele, como mercado consumidor, é mais vantajoso que o Brasil busque novas aberturas na Ásia, em detrimento do velho continente.
Sobre o acordo Mercosul-UE, Bortolozzo acredita que os sinais até agora levam o setor a pensar “positivamente”. “Eu acho que a doutora Ursula Von der Leyen [presidente da Comissão Europeia], não veio para cá e encerrou uma negociação de mais de 20 anos sem ela levantar como isso [o acordo] vai ser tratado dentro do parlamento europeu”, salientou. Ursula esteve há cerca de um ano em Montevidéu, no Uruguai, para firmar a assinatura do acordo durante reunião com presidentes de países do Mercosul, incluindo o Brasil.
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