Agropolítica
Senado avança em modernização do Seguro Rural e abre caminho para fundo de catástrofe
Aprovado por unanimidade na CCJ, projeto dá estabilidade orçamentária ao setor e fortalece proteção contra riscos climáticos
Redação Agro Estadão
26/11/2025 - 18:20

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou, nesta quarta-feira, 26, o Projeto de Lei 2951/2024, uma proposta considerada estratégica para reestruturar o Seguro Rural no Brasil e enfrentar a crise de redução da cobertura no campo. O texto, que recebeu aval unânime dos integrantes da comissão, é visto por especialistas e entidades do setor como uma virada de página para agricultores e seguradoras.
A Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) comemorou a decisão, destacando que a medida chega em um momento de forte retração da proteção agrícola no País. Segundo a entidade, o novo marco legal pode estancar anos de perda de cobertura e recolocar o Brasil no caminho das principais políticas internacionais de gerenciamento de riscos.
Para o diretor de Relações Institucionais da CNseg, Esteves Colnago, o projeto, de autoria da senadora Tereza Cristina (PP-MS), tem potencial para recolocar o Seguro Rural nos trilhos. Ele aponta que a proposta garante previsibilidade orçamentária, aproxima o Brasil de modelos consolidados — como o dos Estados Unidos — e cria condições reais para a implantação de um fundo de catástrofe capaz de oferecer proteção adicional em eventos climáticos extremos, cada vez mais frequentes.
“O PL aprovado pelo Senado foi um passo muito importante. A proposta permite que se tenha uma certeza do orçamento que será disponibilizado para subvenção ao prêmio de seguro rural, permitindo que prevaleça uma previsibilidade mínima necessária para o planejamento dos setores segurador e rural”, afirmou Colnago, em nota. A matéria ainda passará por turno suplementar na CCJ antes de seguir para análise da Câmara dos Deputados.
Contexto preocupante
A proposta de modernização chega em meio a um cenário adverso. Apesar de a agropecuária representar uma fatia expressiva da economia brasileira, a proteção oferecida aos produtores caiu drasticamente nos últimos anos. A instabilidade do orçamento destinado ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) é apontada como a principal causa da retração.
Levantamento da CNseg revela a dimensão da crise:
- A área segurada despencou de 16,3% da área plantada (2021) para 7,5% (2024);
- O número de produtores protegidos recuou de 120 mil para 85 mil;
- O capital segurado encolheu de R$ 66,4 bilhões para R$ 50,6 bilhões;
- Projeções parciais da entidade apontam que, sem mudanças, 2025 poderia registrar apenas 2,3% de cobertura, o pior índice da série histórica.
Para a senadora Tereza Cristina, os riscos climáticos, sanitários e de mercado tornam indispensável uma política de seguro rural forte e estável.

O que traz o novo projeto
O PL 2951/2024 estabelece pilares que buscam transformar o PSR em política de Estado, protegida de contingenciamentos e alinhada às principais práticas internacionais de seguro agrícola. Entre os pontos centrais, estão:
- Fundo de Catástrofe: criação de uma reserva específica para situações de eventos extremos, garantindo cobertura complementar e maior solvência ao sistema;
- Orçamento com status obrigatório: a despesa com subvenção ao prêmio deixa de ser variável, trazendo estabilidade para seguradoras e produtores;
- Mais vantagens ao produtor segurado: o texto abre espaço para juros diferenciados no crédito rural e prioridade na liberação de recursos para quem contratar seguro;
- Base nacional de dados: será estruturado um sistema unificado de informações, que deve aprimorar modelos de risco, preços e governança.
Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Agropolítica
1
Governo retoma investigação que pode impor barreira sobre importação de leite
2
Já imaginou tomar um choque por causa de um peixe?
3
Crédito para renegociação trava no RS e Banco do Brasil busca explicação
4
RS: Farsul aponta entraves na renegociação de dívidas rurais
5
Brasil abandona acordo por transporte pesado elétrico um dia após assinatura
6
CNA pede que STF suspenda novas demarcações de terras indígenas até julgamento do marco temporal
PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas
Agropolítica
Setor do biodiesel comemora projeto que combate a prática do 'devedor contumaz'
Segundo a FPBio, casos recorrentes de sonegação evidenciam a urgência de um marco legal robusto para coibir o crime
Agropolítica
Governo estuda nova MP para destravar o crédito de dívidas rurais
Casa Civil avalia nova MP para incluir a safra 24/25, dívidas judicializadas e reduzir juros nos programas de renegociação
Agropolítica
Senado reafirma importância do RenovaBio como política de descarbonização
Sessão solene comemorou e homenageou a trajetória do programa, que atinge 95% de toda a oferta nacional de etanol
Agropolítica
Tilápia pode entrar em lista de invasoras, mas criação seguirá liberada
Ministério do Meio Ambiente diz que medidas visam evitar expansão da espécie em habitats naturais, como a Amazônia
Agropolítica
Agricultores familiares fazem ato por medidas contra crise no campo
Mobilização em frente a prédios de ministérios, em Porto Alegre, cobra do governo federal ações para aliviar dívidas e valorizar produção
Agropolítica
Marco temporal movimenta fim do ano no Congresso Nacional e no STF
PEC avançou no Senado e agora vai para a Câmara, enquanto Supremo começa a julgar ações; debate entre poderes se arrasta há anos
Agropolítica
Banco do Brasil e Mapa vão ao Paraná destravar as renegociações de dívidas rurais
Segundo o BNDES, dos R$ 12 bilhões liberados pela MP 1.314/2025 apenas R$ 60,6 milhões foram usados em operações no Estado
Agropolítica
Câmara aprova regularização para imóveis em faixa de fronteira e texto vai à sanção
FPA diz que processo foi modernizado e traz segurança jurídica para produtores