Agropolítica
Câmara aprova regulamentação da reforma tributária e mantém pontos de interesse do Agro
Foram mantidas alíquotas de 60% para óleo de soja e produtos destinados à fabricação de defensivos agrícolas
Paloma Custódio | Brasília
17/12/2024 - 20:08

A Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira, 17, o Projeto de Lei Complementar (PLP) 68 de 2024, que trata da regulamentação da Reforma Tributária. O texto, aprovado com 324 votos a favor, 123 contrários e 3 abstenções, segue para sanção presidencial.
A matéria mantém os principais pontos de interesse do setor agropecuário aprovados no Senado, entre eles a retirada do óleo de soja da cesta básica e a inclusão de um dispositivo que garante a isenção de 60% para produtos destinados à fabricação de defensivos agrícolas.
O texto ainda mantém a isenção de 100% do Imposto de Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição de Bens e Serviços (CBS) sobre os itens da cesta básica. Na prática, esses alimentos continuam sem tributação. Entre os itens, foram mantidas a carne e a erva-mate, enquanto o óleo de milho, soja e canola terão redução de 60% na alíquota.
A proposta faz parte da etapa seguinte à Reforma Tributária, aprovada em 2023. Nela fica instituído o IVA – Imposto sobre Valor Agregado, que corresponde ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). Além disso, o projeto disciplina uma série de isenções ou reduções na chamada alíquota padrão, ou seja, a taxa básica de imposto que irá permear o sistema tributário brasileiro.
O texto foi aprovado pelos deputados em junho, seguiu para o Senado e voltou para a Câmara. Um dos pontos comemorados foi a inclusão das carnes na cesta básica, que tem isenção de tributação. Nesta terça-feira, 17, o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion (PP-PR), disse que o setor “conseguiu colocar no texto tudo o que precisava”.
Os deputados votaram a favor do texto da Câmara em detrimento do texto do Senado, mas a matéria, de relatoria do deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), acata algumas propostas dos senadores. Confira como ficou alguns dos principais pontos para o Agro.
Matérias-primas para defensivos agrícolas com isenção de 60%
A proposta aprovada pela Câmara dos Deputados mantém uma redução de 60% na alíquota padrão aos insumos agropecuários como defensivos agrícolas e respectivas matérias-primas, sementes e biofertilizantes.
Foi incluído na matéria um dispositivo para que a lista desses produtos seja revisada a cada 120 dias somente para incluir outros itens. Essa revisão será feita pelo Comitê Gestor do IBS e a Receita Federal com consulta ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Crédito presumido teve alterações
Outra questão importante aprovada no texto do Senado que foi mantido na Câmara é o crédito presumido. O projeto prevê que as empresas possam abater esses créditos acumulados durante a cadeia produtiva na Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). Nesse ponto, dois pedidos eram reivindicados pelo setor do agronegócio. Um deles era a revisão anual a que esse crédito seria submetido. O pleito era de que essa avaliação fosse a cada cinco anos ou que o cálculo adotasse uma média dos últimos cinco anos.
A matéria aprovada mantém a revisão anualmente, mas com uma base de cálculo que leva em consideração os últimos cinco anos. O setor também queria a possibilidade de abater o crédito presumido para compensar outros impostos, como o INSS, mas esse ponto não teve mudanças.
Produtos in natura não perdem isenção mesmo embalados
O PLP 68 também traz condições favoráveis a produtos agropecuários, aquícolas, pesqueiros, florestais e extrativistas vegetais in natura. Esses terão isenção de 60% na alíquota padrão. Mas havia o temor de que esses produtos perdessem a qualidade de “in natura” dependendo da forma como fossem embalados.
O texto aprovado garante que os produtos não percam “a qualidade de in natura quando necessitarem de acondicionamento em embalagem de preservação, com adição de concentração ou conservantes para manter a integridade e características do produto”, conforme já havia sido aprovado no Senado.
Imposto Seletivo
A lista dos produtos que terão uma taxação adicional, o chamado imposto do pecado, também teve idas e vindas. O texto aprovado na Câmara mantém as armas e munições do Imposto Seletivo (IS), mas reintegra as bebidas açucaradas no rol da tributação.
Outras mudanças
A matéria rejeita alguns pontos aprovados no Senado, como por exemplo a possibilidade de instituição de substituição tributária do IBS e CBS. A previsão de redução da alíquota para 60% para os serviços de saneamento e veterinários também foi derrubada no texto final de relatoria do deputado federal Reginaldo Lopes.
Durante a votação da Câmara, o relator disse que as mudanças feitas em relação ao texto do Senado reduzem a carga tributária em 0,7 ponto percentual para todos os brasileiros. “Nós estamos eliminando 3% do PIB de guerra fiscal e devolvendo 0,6 ponto percentual do PIB (R$ 60 bilhões) para os estados brasileiros investirem nas adequações da sua infraestrutura rodoviária, ferroviária, portuária, e terem recursos até para ajudar na atração de novos empreendimentos”, detalhou.
Em relação à inclusão da indústria de refino de petróleo nos benefícios da Zona Franca de Manaus (ZFM), conforme aprovado no Senado, o deputado Reginaldo Lopes disse que não houve ampliação dos benefícios, “nós apenas mantivemos o diferencial tributário competitivo da Zona Franca de Manaus”.
Siga o Agro Estadão no Google News e fique bem informado sobre as notícias do campo.
Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Agropolítica
1
Proposta no Congresso pode flexibilizar porte de arma em propriedades rurais; entenda
2
Brasil terá fazendas de cannabis? Anvisa vota regras para o cultivo nesta semana
3
O chapéu vai ser proibido no campo? Entenda essa polêmica
4
Governo inicia processo de desapropriação de 7 imóveis rurais para reforma agrária; veja onde
5
Lula sanciona orçamento com pouco mais de R$ 1 bilhão para Seguro Rural
6
Irã, Groenlândia e Venezuela: como as tensões geopolíticas impactam o agro do Brasil?
PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas
Agropolítica
Setor do biodiesel busca apoio no governo para evitar importação
Estratégia passa por convencer membros do CNPE e alertar sobre fim do Selo Biocombustível Social, caso medida avance
Agropolítica
Ministério orienta bancos a renegociar dívidas do Pronaf de produtores de leite
Produtores devem estar atentos aos requisitos, como prazos, condições e documentação, para fazer a solicitação junto às instituições
Agropolítica
Pena por incêndios florestais pode subir para 10 anos de prisão
Projeto que tramita em caráter conclusivo prevê ainda penas específicas para incêndios em APPs e em Unidades de Conservação.
Agropolítica
Congresso aprova crédito extraordinário para emergências sanitárias
Ministério da Agricultura ainda mantém status de emergência fitossanitárias para 3 pragas e de emergência zoossanitária para gripe aviária
Agropolítica
“Não acho que estamos maduros para votar isso agora”, afirma Lupion sobre acordo Mercosul-UE
Questão sobre salvaguardas preocupa a bancada ruralista, que pensa em medidas para minimizar os impactos do acordo no agronegócio
Agropolítica
O chapéu vai ser proibido no campo? Entenda essa polêmica
Em nota técnica, CNA explica o Programa de Gerenciamento de Riscos no Trabalho Rural; FAEP descarta a obrigatoriedade do uso do capacete no campo
Agropolítica
Setor de pescado pede que governo de SP barre tilápia do Vietnã
Pedido segue modelo adotado por SC, citando risco sanitário de vírus exótico e questões tributárias que geraram distorção concorrencial
Agropolítica
Agenda do agro no Congresso: veja as prioridades da bancada ruralista neste ano
Em entrevista ao Agro Estadão, o deputado Lupion afirma que a FPA retoma as atividades com foco em pautas como o marco temporal, seguro rural, lei das cultivares e vetos presidenciais.