Sustentabilidade
UE deve adiar lei antidesmatamento, afirma secretário-geral da ELO
Durante o Estadão Summit Agro, o porta-voz da European Landowners Organization (ELO) disse que o Brasil está plantando mais florestas do que desmatando, mas precisa provar
Tânia Rabello/Broadcast Agro
13/11/2024 - 11:38

A União Europeia (UE) não deve conseguir atender até 30 de dezembro deste ano as regras da Lei Europeia Antidesmatamento e, por isso, provavelmente, a entrada em vigor da norma deverá ser adiada em pelo menos um ano. A declaração foi dada há pouco pelo secretário-geral da European Landowners Organization (ELO), Jurgen Tack, durante palestra no Estadão Summit Agro, realizado hoje em São Paulo.
“A Comissão Europeia propôs mais um ano de prazo porque houve um grande número de emendas feitas no Parlamento Europeu”, comentou ele. A Lei Europeia Antidesmatamento, ou EUDR, na sigla em inglês, que deve inicialmente entrar em vigor em 30 de dezembro deste ano, prevê que importadores do bloco devem interromper compras de produtos agropecuários provenientes de áreas desmatadas após 31 de dezembro de 2020. “Devemos lembrar ainda que esta lei não se aplica somente aos importadores, mas também aos agricultores europeus”, citou.

Em referência ao Brasil, Tack disse acreditar que o País “está plantando mais florestas do que desmatando”. “Mas vocês têm de provar isso, é uma coisa chata, mas tem de ser provada”, reforçou. “Isso quer dizer que todo produto que o Brasil exportar deve ter localização geográfica, para saber onde ele foi plantado e quando, para ser possível checar se houve desmatamento ou não.”
Tack lembrou, porém, que isso também vale para organizações europeias. “O importador tem a obrigação de provar que a soja, por exemplo, não é proveniente de áreas desmatadas depois de 2020”, continuou. “Essa normativa (EUDR) vai ter um grande impacto, e esse impacto vai afetar muitos países exportadores.”
Ele admitiu, porém, que a própria UE “ainda não está pronta” para adotar a EUDR. “Queremos geolocalizar a produção, mas ainda não fazemos isso”, disse. “Com grãos, por exemplo, é mais fácil geolocalizar. Mas, com bovinos, é difícil, porque os bois andam de um lado para o outro e tem de ser provada a sua procedência, saber onde o gado andou. Sob este aspecto, ele disse que companhias de softwares estão procurando soluções para rastreabilidade individual do gado. “Acho que o gado terá de ter passaporte”, ironizou.
“Como eu mencionei, a Comissão Europeia está pedindo um adiamento de mais um ano para a entrada da lei antidesmatamento e, amanhã, o Parlamento Europeu vai votar este tema”, disse. “Então, devemos esperar por mais um ano e como isso vai afetar os produtores brasileiros.”
Siga o Agro Estadão no Google News e fique bem informado sobre as notícias do campo.
Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Sustentabilidade
1
Governo aprova Plano Clima com previsão de aumento das emissões da agropecuária
2
GO: embalagens de agrotóxicos apreendidas em ferro-velho
3
Código Florestal avança no CAR, mas emperra no PRA, aponta estudo
4
CMN adia exigência ambiental, mas endurece outra regra do crédito rural
5
Moratória da Soja: AGU pede mais prazo ao STF para manter suspensão de lei de MT
6
3tentos inicia processamento de canola no RS
PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas
Sustentabilidade
ANP autoriza início de operação da primeira usina de etanol de trigo do Brasil
CB Bioenergia terá capacidade de processar 100 toneladas do cereal por dia e gerar até 12 milhões de litros de etanol hidratado por ano
Sustentabilidade
Corteva e BP criam empresa para produção de óleo para biocombustíveis
Expectativa é de que a operação comece em 2027, com uso em coprocessamento em refinarias e plantas dedicadas à produção de biocombustíveis
Sustentabilidade
Bunge e Mantiqueira firmam acordo por soja de baixo carbono
Parceria envolve fornecimento de 12 mil toneladas de farelo rastreável e incentiva práticas de agricultura regenerativa
Sustentabilidade
Saída de tradings da moratória da soja preocupa Imaflora
Instituto diz que enfraquecimento do pacto pode comprometer metas ambientais e climáticas e prejudicar imagem do agronegócio brasileiro
Sustentabilidade
Após deixar Moratória da Soja, Abiove confia em novo marco regulatório
A associação reforça que as empresas associadas continuarão, de forma individual, atendendo às demandas de mercado e socioambientais
Sustentabilidade
BNDES lança edital para destravar certificação de carbono no Brasil
Com orçamento de R$ 10 milhões, banco pretende mapear gargalos, custos e regras do setor em meio à criação do mercado regulado
Sustentabilidade
Moratória da Soja: produtores comemoram a saída de grandes empresas do acordo
Entenda a linha do tempo das leis, decisões judiciais e ações no CADE que levaram ao esvaziamento do acordo ambiental
Sustentabilidade
Moratória da Soja: Aprosoja-MT anuncia fiscalização própria
Entidade afirmou que, a partir deste dia 1º de janeiro, encaminharia aos órgãos competentes casos de práticas vedadas pela lei