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Economia

Exportações da agropecuária crescem 16% em março, indica MDIC

Efeitos das tarifas zeradas na importação de alimentos ainda não estão claros, segundo o Ministério

Nome Colunistas

Daumildo Júnior | Brasília | daumildo.junior@estadao.com

04/04/2025 - 17:20

Foto: Rodrigo de Aguiar/Portos RS
Foto: Rodrigo de Aguiar/Portos RS

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgou nesta sexta-feira, 04, os resultados da balança comercial no mês de março. O segmento da agropecuária teve um crescimento de 16% na receita das exportações em comparação com mesmo período do ano passado. Foram US$ 8,2 bilhões em vendas de produtos agropecuários frente os US$ 7,1 bilhões de março de 2024. 

O destaque ficou com a soja. Apesar do preço por tonelada ter caído 8,2%, o volume maior ajudou a colocar a receita no positivo. O país exportou US$ 5,73 bilhões (+7%). Já a quantidade superou os 14,6 milhões de toneladas (+16,5%).

CONTEÚDO PATROCINADO

O café foi a segunda commodity com maior valor exportado, cerca de US$ 1,42 bilhão (+92,7%). Quanto ao volume, o número não cresceu na mesma proporção. Foram 219 mil toneladas do grão (+5,2%). No entanto, o preço médio da tonelada de café em março deste ano subiu 83,2%, saindo dos US$ 3,5 mil no ano passado para US$ 6,5 mil. 

Outro destaque foram as exportações de arroz. O cereal teve mais de 329.000% de crescimento na quantidade embarcada: foram mais de 50mil toneladas em março de 2025 contra somente 15 t no mesmo mês do ano passado. A receita gerada foi de US$ 17,8 mil, um aumento de 70.286,9%. Para o diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior, Herlon Brandão, parte desse resultado é explicado pela volatilidade do mercado.

“O Brasil não é um grande exportador mundial de arroz. Exporta com uma certa frequência, mais realmente tem essa volatilidade e depende muito da safra. Os navios graneleiros carregam milhares de toneladas, então, entrou um navio num mês e a programação do navio foi para o mês seguinte, no ano seguinte isso já causa esse descompasso dos dados. Provavelmente é essa volatilidade de volume que explica essas variações”, comentou durante a entrevista aos jornalistas.

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Outro segmento da balança que teve crescimento foi o da Indústria de Transformação, de 10,1% (US$ 15,3 bilhões). É nesse segmento que produtos da agroindústria são contabilizados, como a carne bovina. Esse item teve um aumento de 40,1% no valor comercializado, chegando a US$ 1 bilhão, com volume embarcado de 215,4 mil toneladas. 

Confira o resultado de outros produtos do agronegócio:

  • Algodão: US$ 395,2 milhões (-18,6%);
  • Milho: US$ 209,6 milhões (107,8%);
  • Açúcar: US$ 877,3 milhões (-37,2%);
  • Carnes de aves: US$ 786,9 milhões (14,4%);
  • Celulose: US$ 987,7 milhões (25,4%);
  • Farelo de soja: US$ 741,1 milhões (-6,2%);
  • Sucos de frutas ou de vegetais: US$ 337,9 milhões (30,4%);
  • Carne suína: US$ 258,6 milhões (44,4%).

Reflexos das tarifas zeradas sobre alimentos em análise

O governo federal anunciou em março tarifas zeradas na importação de dez alimentos. A medida começou a valer em meados do mês e, segundo o MDIC, os efeitos ainda não estão claros. Na análise do diretor da pasta, é preciso esperar mais algum tempo para que se possa ter mais clareza dos impactos. 

“São produtos que têm valores relativamente baixos de importação. Então, qualquer variação pode ser apenas volatilidade. Se entra um contêiner de sardinha a mais, ele dá um crescimento explosivo. Então temos que tomar cuidado com a análise desses dados”, pontuou. E complementa: “Essas operações demoram para ser contratadas. Então, é difícil afirmar que tenha tido algum efeito da tarifa [zerada] neste momento. Muito possivelmente no próximo mês isso pode ficar um pouco mais claro”. 

Um dos produtos, o milho em grão, teve crescimento de 42,6% nas importações. No entanto, Brandão pondera que é preciso olhar com cautela as informações de origem. “Milho normalmente a gente importa do Paraguai e da Argentina [que já tinham imposto zero], então atribuir o valor à queda da tarifa teria que se analisar por origem”, concluiu. 

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Exportações para China crescem 10,9%

Somando todos os setores exportadores, o Brasil enviou para o exterior US$ 29,2 bilhões em produtos, o que é 5,5% a mais do que março de 2024. Os dados sobre os destinos das exportações brasileiras mostraram um crescimento do valor comercializado com os chineses. Enquanto em março do ano passado o Brasil vendeu US$ 8,4 bilhões em produtos gerais para a China, a soma foi de US$ 9,3 bilhões no mesmo período deste ano. 

Europa, Canadá, Argentina e países da América Central e Caribe também tiveram altas significativas. Nas negociações com a União Europeia, a receita foi de US$ 3,8 bilhões (+11,9%), sendo o segundo principal destino. O Canadá cresceu 57,8% (US$ 730 milhões) e a Argentina 43,3% (US$ 1,5 bilhão). Alta de 4% (US$ 166 milhões) para a América Central e Caribe. 

Já os Estados Unidos tiveram um recuo no resultado. Foram exportados US$ 3,2 bilhões em produtos brasileiros, representando uma queda de 13,3%. Quem também reduziu as compras do Brasil foi o Oriente Médio, que somou US$ 1,2 bilhão (-24%). 

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