PUBLICIDADE

Economia

Começa a valer taxa zero para importação de 10 alimentos

Medida é vista pelo setor com pouco impacto prático na inflação dos produtos

Nome Colunistas

Daumildo Júnior | Brasília | daumildo.junior@estadao.com | Atualizada às 19h22

13/03/2025 - 18:38

Foto: Adobe Stock
Foto: Adobe Stock

O governo federal aprovou zerar o imposto de importação para dez alimentos. A medida faz parte do pacote de ações do Executivo para frear a alta dos alimentos e dependia de uma aprovação do Comitê Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex). A reunião extraordinária aconteceu na quinta-feira, 13, e a redução das tarifas começou a valer a partir de sexta-feira, 14. 

“Foram aprovadas por unanimidade as medidas para redução a zero do imposto de importação. Então, amanhã [sexta] entra em vigência. […] Assina hoje [quinta] e amanhã [sexta] está em vigência”, disse o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, após a reunião.

CONTEÚDO PATROCINADO

O encontro da última quinta serviu para definir as NCMs (Nomenclaturas Comum do Mercosul) dos produtos que serão beneficiados com a medida. É por meio dessas NCMs que ocorre a incidência da Tarifa Externa Comum (TEC) adotada pelos países do Mercosul. Agora, esses 10 alimentos serão incluídos na Lista de Exceções à Tarifa Externa Comum (Letec). Para isso, o passo final é a publicação das resoluções do Camex no Diário Oficial da União. 

 A lista dos produtos com imposto zerado inclui:

  1. Carnes desossadas de bovinos, congeladas, que tinha 10,8% de taxa (NCM 0202.30.00);
  2. Café torrado, não descafeinado, exceto café acondicionado em cápsulas, com  9% de taxa (NCM 0901.21.00);
  3. Café não torrado, não descafeinado, em grão, taxa era de 9% (NCM 0901.11.10);
  4. Milho em grão, exceto para semeadura, taxa de 7,2% (NCM 1005.90.10);
  5. Massas alimentícias, não cozidas, nem recheadas, nem preparadas de outro modo, taxa de 14,4% (NCM 1902.19.00);
  6. Bolachas e biscoitos, de 16,2% de tarifa (NCM 1905.90.20);
  7. Azeite de oliva extravirgem, taxa era de 9% (NCM 1509.20.00);
  8. Óleo de girassol, em bruto, que tinha taxa de 9% (NCM 1512.11.10);
  9. Outros açúcares de cana, taxa era de 14,4% (NCM 1701.14.00);
  10. Preparações e conservas de sardinhas, inteiros ou em pedaços, exceto peixes picados, que tinham taxas de 32% (NCM 1604.13.10).

No caso da sardinha, a redução a zero tem uma quota limite de 7,5 mil toneladas. A indústria de pescado se manifestou contra a medida e tentava reverter o tipo de produto que teria a isenção. O pedido era que, em vez da sardinha em conserva, a redução do imposto fosse sobre a sardinha congelada. 

Questionado sobre uma possível reação do setor e da bancada ruralista nesse tema, Alckmin espera não ter problemas porque foram estabelecidas quotas para esse produto. E também afirmou que o governo irá monitorar as medidas. “Esse acompanhamento vai ser permanente. Nós vamos semanalmente fazer um acompanhamento”, complementou

PUBLICIDADE

Além desses dez alimentos, o comitê também aprovou aumentar a quota do óleo de palma (NCM 1511.90.00) que tem alíquota zero. Com a ampliação, a quota passa de 60 mil toneladas para 150 mil toneladas pelo prazo de 12 meses.

Importações são baixas

Como mostrou o Broadcast Agro, o Brasil importou pouco de milho, carne bovina e açúcares. Em 2024, foram 1,6 milhão de toneladas a US$ 292,52 milhões. Em contrapartida, o país exportou mais de 39,7 milhões de toneladas com uma receita de US$ 8,1 bilhões. 

A carne bovina fresca, refrigerada ou congelada importada somou US$ 305,7 milhões, contra US$ 11,6 bilhões em vendas para o mercado internacional. No caso dos açúcares e melaços, o Brasil comprou US$ 81,7 milhões e comercializou com outros países US$ 18,6 bilhões.

Sem data de validade

O vice-presidente também disse que as isenções não têm data para terminar. Mas a expectativa é de que durem menos de um ano. “Por quanto tempo? Não tem data definida, por quanto for necessário para a gente estimular a redução de preço, diminuir o preço da comida, ajudar a população a adquirir alimentos com menor preço”, afirmou.

Quanto ao impacto na arrecadação, o governo estima que para esse período de um ano terá uma renúncia de aproximadamente R$ 650 milhões. “Se vigorasse por um ano, seria US$ 110 milhões — R$ 650 milhões. Como a gente espera que vai ser mais transitório, então será menor. E isso não tem impacto fiscal, porque o imposto de importação é um imposto regulatório, então, ele não entra no fiscal”, pontuou Alckmin.

Estados não serão obrigados a diminuir ICMS

Na semana passada, durante o anúncio do pacote de medidas, o governo também indicou que abriria um diálogo com os estados para haver uma redução no ICMS. Na última quinta, o vice-presidente afirmou que essa medida não será imposta aos governos estaduais. 

“O governo não vai obrigar, não vai impor através de lei, mas é uma medida que ajuda. Você tem tanta coisa para tributar, [vai] tributar alimento? Ajuda e tem um efeito rápido, por isso, nós estamos fazendo a redução do imposto de importação desses alimentos”, comentou. Ele também explicou que essa diminuição das tarifas estaduais pode ser pontual:  “Não é que seja para reduzir tudo. De repente você pode reduzir o ICMS do ovo. Você pode reduzir [o imposto de] um tipo de carne, você pode reduzir um produto, então cada um vai vendo o que pode fazer, mas ajuda”.

Siga o Agro Estadão no WhatsApp, Instagram, Facebook, X, Telegram ou assine nossa Newsletter

PUBLICIDADE

Notícias Relacionadas

Brasil importou 23% mais defensivos químicos em 2025

Economia

Brasil importou 23% mais defensivos químicos em 2025

Segundo o Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), total das compras somou R$ 13,8 bilhões

Anec eleva previsão de exportação de soja e milho em janeiro e reduz a de trigo

Economia

Anec eleva previsão de exportação de soja e milho em janeiro e reduz a de trigo

Volume total embarcado deve ser de 9,40 milhões de toneladas, 2,5% a mais que as estimativas divulgadas na semana passada

UE freia acordo com o Mercosul ao citar sustentabilidade e efeito intimidador

Economia

UE freia acordo com o Mercosul ao citar sustentabilidade e efeito intimidador

Para o ex-secretário de Comércio Exterior Welber Barral, a medida pode atrasar a implementação do acordo Mercosul-UE em até dois anos

Deputados europeus enviam acordo com Mercosul para revisão jurídica

Economia

Deputados europeus enviam acordo com Mercosul para revisão jurídica

Decisão de encaminhar tratado ao tribunal pode atrasar o processo em mais de um ano; agricultores franceses comemoram

PUBLICIDADE

Economia

Em novo protesto na França, agricultores pressionam Parlamento contra acordo Mercosul-UE

Mobilização ocorre um dia antes da votação que pode encaminhar o tratado ao Tribunal de Justiça da União Europeia para análise de legalidade

Economia

Após forte largada, exportações de carne bovina perdem ritmo na segunda semana do ano

Volume embarcado recuou 50% na média diária em relação à semana anterior, apesar de preços ainda estáveis, aponta Agrifatto

Economia

China libera importação de carne de frango do Rio Grande do Sul

Medida estava em vigor desde 2024 após caso da doença de Newcastle em granja comercial de Anta Gorda (RS).

Economia

Cecafé vê cenário internacional incerto e traça estratégia para não sofrer com EUA

Acordo Mercosul-UE pode abrir outros mercados para além do bloco europeu, avalia entidade que representa exportadores

Logo Agro Estadão
Bom Dia Agro
X
Carregando...

Seu e-mail foi cadastrado!

Agora complete as informações para personalizar sua newsletter e recebê-la também em seu Whatsapp

Sua função
Tipo de cultura

Bem-vindo (a) ao Bom dia, Agro!

Tudo certo. Estamos preparados para oferecer uma experiência ainda mais personalizada e relevante para você.

Mantenha-se conectado!

Fique atento ao seu e-mail e Whatsapp para atualizações. Estamos ansiosos para ser parte do seu dia a dia no campo!

Enviamos um e-mail de boas-vindas para você! Se não o encontrar na sua caixa de entrada, por favor, verifique a pasta de Spam (lixo eletrônico) e marque a mensagem como ‘Não é spam” para garantir que você receberá os próximos e-mails corretamente.