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Economia

Estiagem no RS provoca perdas de até 60% na produção de soja

Soja apresenta lavouras heterogêneas devido à distribuição irregular das chuvas no estado, aponta Emater-RS

Paloma Custódio | Brasília e Mônica Rossi | Porto Alegre | Atualizada em 07/02 às 13h32

06/02/2025 - 17:51

Foto: Bruno Lazzaretti/Arquivo Pessoal
Foto: Bruno Lazzaretti/Arquivo Pessoal

A estiagem no Rio Grande do Sul tem comprometido o desempenho da soja, com perdas que podem chegar a 60% das lavouras. É o caso do agricultor e engenheiro agrônomo Bruno Lazzaretti, de São Pedro do Sul, no centro do estado. Ao Agro Estadão, ele disse que o cultivo não recebe chuva significativa desde o Natal. “Nós procuramos trabalhar com plantas de cobertura, fazer o máximo possível para amenizar os danos por falta de água. Mas chega um ponto em que, se não chove mais, não conseguimos repor a reserva de água no solo”, relata.

Em vídeo no seu canal no Youtube, ele mostra que boa parte da lavoura de soja morreu por conta da estiagem. “Nós estamos trabalhando com o intuito de salvar o que for possível. Eu sei que não é toda região e todo produtor que vai tomar ‘talagaço’”, disse o produtor, referindo-se a uma grande perda na lavoura. “Que bom que tem área chovendo bem, mas tem muita área ruim”, lamenta.

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Os dados do mais recente Informativo Conjuntural da Emater-RS comprovam que os cultivos de soja do estado estão heterogêneos entre as regiões devido à distribuição irregular das chuvas. A condição das lavouras permanece crítica em diversas áreas, especialmente no centro e no oeste, onde os volumes de chuva têm ficado abaixo da média histórica desde novembro de 2024. 

Mesmo na região leste, onde os volumes de chuva foram mais significativos e beneficiaram as lavouras, observam-se algumas irregularidades, principalmente na redução do porte das plantas, o que poderá provocar algum impacto na produtividade.

Falta de acesso a seguros agrícolas

Segundo o informativo da Emater-RS, a inacessibilidade a seguros agrícolas públicos ou os custos elevados dos privados, em função da recorrência de perdas por eventos climáticos, particularmente no noroeste, agravam a situação financeira dos produtores. 

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Em coletiva de imprensa, nesta quinta-feira, 6, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS) apresentou dados que mostram os efeitos das mudanças climáticas no endividamento rural das famílias. Em 2024, as prorrogações de crédito rural oficial chegaram a R$ 11,3 bilhões, enquanto o custeio contratado para a safra 2024/2025 somou R$ 14,8 bilhões, além dos R$ 2,3 bilhões de cooperativas, totalizando um endividamento superior a R$ 28 bilhões.

A Fetag-RS também alertou para as novas resoluções do Conselho Monetário Nacional (CMN), que restringem o acesso ao Proagro (proteção financeira a produtores rurais que sofrem perdas na produção), reduzindo a garantia de renda mínima para R$ 9 mil e aplicando deduções de até 50% conforme o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC). Segundo a entidade, essas mudanças, aliadas a novas regras de enquadramento e exigências documentais, resultaram na queda do número de contratos de Proagro no estado.

Para o presidente da Fetag-RS, Carlos Joel da Silva, “é grave a situação enfrentada pela agricultura familiar. Precisamos de medidas urgentes para evitar maiores prejuízos ao setor. Vamos manter o diálogo com o governo e o setor financeiro para garantir condições mais justas aos agricultores. Não vamos mais aceitar alternativas provisórias, pois não podemos mais usar o Manual de Crédito Rural (MCR) para fazer as prorrogações. Precisamos ter uma securitização de no mínimo doze anos para o produtor”, disse em coletiva.

Alerta de perigo de onda de calor

O Instituto Nacional de Meteorologia emitiu um alerta de grande perigo de onda de calor, válido até às 20h de segunda-feira, 10, para o Oeste Catarinense e as macrorregiões gaúchas do sudoeste, sudeste, centro ocidental, noroeste, nordeste e centro oriental rio-grandenses, além da Metropolitana de Porto Alegre. 

Também tem alerta de perigo de onda de calor, válido entre 11h de sábado, 8, e 16h de segunda-feira, 10, para a Grande Florianópolis, o Vale do Itajaí e as macrorregiões do sul e norte catarinenses e sudeste e nordeste rio-grandenses.

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A previsão para os próximos dias, segundo a Emater-RS, é de possibilidade de chuvas isoladas em algumas regiões do estado. A partir de quinta-feira, 6, uma área de instabilidade vinda do Uruguai deverá avançar sobre o território gaúcho, favorecendo a ocorrência de chuvas isoladas no sul, na Campanha e no centro. Simultaneamente, a formação de um cavado (região alongada de baixa pressão atmosférica) entre o Paraguai e a divisa entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina poderá gerar precipitações nas regiões centrais, norte e nordeste. 

Esse padrão persistirá ao longo de sexta-feira, sábado e domingo, favorecendo a permanência da instabilidade no norte, onde poderão ocorrer temporais isolados de intensidade baixa a moderada. Ao mesmo tempo, a massa de ar quente seguirá atuando, mantendo as temperaturas elevadas e contribuindo para a formação de tempestades localizadas.

Na próxima semana, as condições atmosféricas permanecerão propícias para manter a intensa massa de ar quente sobre o estado, o que favorecerá a formação de instabilidades locais e o desenvolvimento de nuvens de tempestade. Entretanto, a partir de quarta-feira, 12, há indicação do avanço de uma frente fria, que poderá provocar chuvas mais abrangentes ao longo da próxima semana, além de proporcionar um breve alívio nas temperaturas, amenizando momentaneamente o calor.

O prognóstico indica a possibilidade de chuvas isoladas, com volumes moderados em algumas áreas da Campanha, Vale do Rio Pardo, Região Metropolitana e partes do Alto Uruguai, onde os acumulados devem variar entre 5 e 100 mm. Para a Fronteira Oeste e Missões, não são esperados volumes superiores a 5 mm. Nas demais regiões, as precipitações devem oscilar entre 2 e 20 mm.

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