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Agropolítica

Fávaro sobre tarifas: “Nada de cautela, reciprocidade não é cautela”

Mapa deve intensificar busca por novos mercados no Oriente Médio e Ásia para os produtos brasileiros

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Daumildo Júnior | Brasília | damildo.junior@estadao.com | Atualizada às 18h

10/07/2025 - 17:16

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O ministro da Agricultura e Pecuária (Mapa), Carlos Fávaro, disse que as ações  de reciprocidade do governo não são de cautela. “Nada de cautela, reciprocidade não é cautela”, respondeu a jornalistas, nesta tarde de quinta-feira, 10, ao ser questionado se o momento pede cautela. 

A fala do ministro vai em linha com a posição do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que indicou a utilização da lei da Reciprocidade. A resposta ocorreu depois de uma carta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em que anuncia uma tarifa de 50% sobre a importação de produtos brasileiros. 

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Minutos antes do pronunciamento, o Mapa divulgou uma posição do ministro em que ele afirma que a pasta está trabalhando para “ampliar mercados”. A intenção é suprir possíveis perdas do mercado norte-americano.

“Ser proativos”, disse Fávaro aos jornalistas. “É determinação do presidente Lula buscar mercados, ampliar mercados, reduzir tarifas, fazer negócio com quem quer negociar com a gente”, destacou. 

Ele também criticou a oposição ao governo. “Enquanto alguns comemoram, a gente vai trabalhar pelo produtor”, afirmou.

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No pronunciamento divulgado pelo Mapa, o ministro chamou a taxação de “ação indecente do governo norte-americano”. Além disso, informou que manteve contato com entidades do setor de carne bovina, suco de laranja e café, classificadas pelo chefe da Agricultura como os “mais afetados”. 

“Neste momento, vou reforçar essas ações, buscando os mercados mais importantes do Oriente Médio, do Sul Asiático e do Sul Global, que têm grande potencial consumidor e podem ser uma alternativa para as exportações brasileiras”, comentou Fávaro. 

Retaliações

A resposta efetiva do governo brasileiro deve sair de um grupo de trabalho, que irá discutir os caminhos que serão tomados a partir da lei da reciprocidade. Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, nem todas as ações são de impor tarifas aos produtos americanos. 

“O grupo de trabalho que será formado sob a condução do vice-presidente [da República] Geraldo Alckmin, vai analisar a lei de reciprocidade e todos os instrumentos que estão à disposição do governo brasileiro, para levar ao presidente da República. Mas nós esperamos que, até lá, esse tipo de atitude [tarifa americana] seja repensada pelas vias diplomáticas”, disse a jornalistas, nesta quinta-feira, 10, na portaria do Ministério da Fazenda.

Haddad ainda ressaltou que a relação entre Brasil e Estados Unidos tem um superavit americano, o que não justifica a taxação sobre os produtos brasileiros. “Os Estados Unidos tiveram um superavit junto ao Brasil, nos últimos 15 anos, de mais de US$ 400 bilhões. Então, quem poderia estar pensando em proteção era o Brasil – e não está pensando nisso”, afirmou.

Também nesta quinta-feira, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, comentou sobre a alíquota americana. Alckmin reforçou o discurso de que a balança comercial é favorável aos Estados Unidos. 

“Dos dez produtos que eles [Estados Unidos] mais exportam para o Brasil, oito são ex-tarifários, ou seja, o imposto é zero. Não paga absolutamente nada para entrar no Brasil. Então, na minha avaliação, é um grande equívoco o que foi feito e que, entendo, deverá ser corrigido”, completou o vice-presidente após participar de um evento no Palácio do Planalto, em Brasília (DF).

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