Agropolítica
Setor exportador reage com otimismo cauteloso à conversa entre Lula e Trump
Lula fala em novas boas notícias; entidades esperam avanço nas negociações para retirada de tarifas
Redação Agro Estadão*
03/12/2025 - 11:34

Entidades representativas do agronegócio brasileiro acompanham com confiança comedida as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a possibilidade de novas revogações de tarifas impostas pelos Estados Unidos (EUA) a produtos do Brasil.
Em entrevista à TV Verdes Mares, de Fortaleza, Lula disse acreditar que o Brasil terá boas notícias sobre a revogação de tarifas impostas contra o País pelo governo norte-americano. O presidente conversou por telefone com Donald Trump nesta terça-feira, 2.
“Da mesma forma que o povo teve uma notícia ruim, está perto de ouvirmos mais uma notícia boa, além dessa notícia de tirar alguns produtos nossos da taxação que ele fez. Conversei seriamente com Trump sobre a necessidade de fortalecimento das duas maiores democracias do ocidente, Brasil e Estados Unidos. Portanto, não tem sentido essa taxação. Disse que era importante ele rever isso”, relatou Lula. Em 20 de novembro, os EUA retiraram a tarifa de 40% sobre café em grão, carne e outros produtos brasileiros, mas itens como café solúvel, pescado e mel seguem taxados.
A Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel) afirmou, em nota, ver com atenção e otimismo o diálogo entre os presidentes, especialmente pela possibilidade de retirada das tarifas sobre o mel brasileiro. “Considerando que o Brasil tem uma balança comercial deficitária com os EUA, entendemos que a aplicação das tarifas tem um aspecto puramente político, e não correspondem à dinâmica real do mercado internacional. Ressaltamos que os Estados Unidos produzem menos mel do que consomem, sendo estruturalmente dependentes da importação para suprir sua demanda interna”, destacou a entidade.
Para a Abemel, o diálogo construtivo “tem o real potencial de abrir caminho para a retirada das tarifas do mel, e é capaz de fortalecer as relações comerciais e promover benefícios mútuos para produtores e consumidores”. Segundo a associação, o setor apícola — que reúne produtores, envasadores e exportadores — “espera ansiosamente por esse momento”.
O diretor de Relações Institucionais da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), Aguinaldo Lima, também demonstrou confiança nas negociações. “Estamos fazendo tudo que está ao nosso alcance: nos movimentar junto ao governo brasileiro, atuar em conjunto com nossos parceiros e clientes nos EUA e atuar diretamente junto ao governo americano. Só nos resta esperar com esperança”, afirmou.
A Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca), por sua vez, informou que “acompanha com atenção” o diálogo entre as duas nações. A entidade reforçou que o “setor brasileiro de pescados foi um dos mais impactados”, perdendo cerca de US$ 250 milhões em exportações desde a imposição das barreiras, impactando empregos, investimentos e competitividade no mercado norte-americano, historicamente relevante.
“Esperamos que o governo trate o tema com prioridade, buscando uma solução definitiva que permita corrigir essas distorções e recuperar o espaço perdido. O diálogo bilateral é fundamental, mas o setor precisa de ações objetivas, previsibilidade e rapidez para retomar seu ritmo de crescimento e voltar a competir em condições justas”, assinalou, em comunicado, Eduardo Lobo, presidente da entidade.
Terceira conversa entre os chefes de EUA e Brasil
Lula ligou para Trump quando estava na refinaria Abreu e Lima, em Ipojuca, no interior de Pernambuco.
Apesar de elogiar a retirada da sobretaxa de 40% imposta pelos EUA a produtos brasileiros como café, carnes e frutas, o presidente pediu ao americano que acelerasse as negociações para reduzir as tarifas de 22% dos itens exportados pelo Brasil que ainda enfrentam esse problema.
Durante à entrevista à TV Verdes Mares, Lula também afirmou que fora dos holofotes, Trump “é outra pessoa”. “Eu posso dizer que, toda vez que eu converso com o Trump, eu me surpreendo. Porque, muitas vezes, você vê o Trump na televisão, muito nervoso. Na conversa pessoal, ele é outra pessoa. Eu fiz questão de dizer para ele, temos dois Trump: o da televisão, e o da conversa pessoal”.
Na terça, após a ligação, em evento da Casa Branca para anunciar a doação da Dell ao Trump Accounts, Trump foi questionado por jornalistas sobre o contato do presidente brasileiro.
Ele afirmou que teve uma “boa conversa” com o presidente do Brasil e elogiou Lula. “Eu gosto dele”. “Tivemos uma boa conversa. Falamos mais sobre o comércio e sanções econômicas contra o Brasil. Mas, sabem, gosto dele”, disse, sem acrescentar detalhes.
Foi a terceira vez que os mandatários conversaram desde as sanções impostas pelos EUA ao Brasil.
*Com informações do Broadcast Agro
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