Agropolítica
Alckmin diz que não vê problemas em pedir prorrogação do prazo
Câmara Americana destaca que mais de 6.500 pequenas empresas nos EUA dependem dos produtos importados do Brasil
Paloma Santos | Brasília | paloma.santos@estadao.com
16/07/2025 - 18:40

O Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais realizou uma nova rodada de reuniões nesta quarta-feira, 16, em Brasília, para discutir estratégias visando reverter a taxa de 50% imposta pelo presidente Donald Trump.
Pela manhã, o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, recebeu diplomatas, representantes do setor industrial e de entidades empresariais e sindicais. Participaram do encontro nomes como o presidente da CNI, Ricardo Alban, e líderes de associações da indústria automotiva, química, de software, cacau, cana-de-açúcar e transporte de cargas, além de centrais sindicais e organizações do cooperativismo.
No período da tarde, o comitê se reuniu com executivos da Câmara Americana de Comércio para Brasil (AMCHAM Brasil) e da Câmara Americana de Comércio (United States Chamber of Commerce). Também participaram representantes de grandes multinacionais com operação no Brasil e do governo. Entre eles, o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, e os embaixadores Philip Gough e Fernando Pimentel, do Ministério das Relações Exteriores.
Em coletiva de imprensa realizada logo após a reunião, o vice-presidente afirmou que não vê problemas em pedir uma prorrogação do prazo, caso haja necessidade. “Agora, o importante seria resolver, buscar aí uma solução”. Alckmin também falou sobre a importância do diálogo entre os países e do apoio dos setores produtivos. “Nós queremos trabalhar unidos, unidos com empresários, trabalhadores, todo mundo unido para resolver essa questão. E as empresas têm um papel importante, tanto as brasileiras quanto as empresas americanas”.
“Taxação pode ter impactos severos nas duas economias”, diz Amcham Brasil
O presidente da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), Abrão Neto, defendeu uma solução negociada entre Brasil e Estados Unidos para evitar a aplicação de tarifas que, segundo ele, podem ter impactos severos nas duas economias. “Essa é uma relação muito importante para o Brasil, assim como é uma relação muito importante para os Estados Unidos, para a economia americana”, disse.
Aos jornalistas, Abrão destacou que quase 10 mil empresas brasileiras exportam atualmente para os EUA, gerando mais de 3,2 milhões de empregos no país. Segundo ele, a entidade tem mantido um diálogo construtivo com o governo brasileiro e colaborado com os dois lados. “Nosso desejo, que é unânime no setor empresarial, é pela construção de uma solução negociada entre os dois governos”, afirmou.
Questionado sobre declarações do ex-presidente Donald Trump, que associou a imposição de tarifas à situação política no Brasil, Abrão afirmou que as empresas atuam dentro do marco econômico e comercial, e que o foco deve permanecer nesse campo, onde há espaço para convergência.

Impactos nos EUA
Mais cedo, em uma nota conjunta com a U.S. Chamber, a Amcham Brasil informou que a tarifa proposta de 50% afetaria produtos essenciais para cadeias de suprimento e consumidores americanos, elevando custos para as famílias e reduzindo a competitividade de setores estratégicos da indústria dos EUA.
O texto ainda destaca que mais de 6.500 pequenas empresas nos Estados Unidos dependem de produtos importados do Brasil, enquanto cerca de 3.900 empresas americanas investem no país. O Brasil é um dos dez principais destinos de exportações dos EUA, recebendo quase US$ 60 bilhões em bens e serviços americanos por ano.
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