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Capital paciente para financiar práticas sustentáveis ainda é desafio, aponta Itaú

Desde 2020, banco desembolsou mais de R$ 216 bilhões para práticas sustentáveis no agronegócio

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Daumildo Júnior | Guarulhos (SP) | daumildo.junior@estadao.com

10/11/2025 - 05:00

Luciana Nicola é diretora de Sustentabilidade e Relações Institucionais do Itaú. Foto: Itaú/Divulgação
Luciana Nicola é diretora de Sustentabilidade e Relações Institucionais do Itaú. Foto: Itaú/Divulgação

Na corrida para a descarbonização, os bancos não figuram como grandes emissores diretos de gases do efeito estufa. Mas a tendência é de que o crédito concedido por fique cada vez mais vinculado a uma economia de transição. Apesar disso, há um impasse: falta capital catalítico ou paciente.

“Quando você fala de investimentos em práticas consolidadas, em que você já conseguiu mensurar o risco, não falta recurso. Porque a tendência é cada vez mais a gente direcionar para uma economia que seja mais verde e o sistema financeiro vai acompanhar isso. Mas o ponto é, quando você fala de transição climática e práticas sustentáveis, você ainda tem muita coisa a ser financiada que precisa do capital paciente para soluções inovadoras que a gente ainda não tem no nível escalável, mas que a gente precisa desse investimento para testar soluções”, comentou ao Agro Estadão a diretora de Sustentabilidade e Relações Institucionais do Itaú, Luciana Nicola. 

CONTEÚDO PATROCINADO

Chamados de capital paciente ou catalítico, esses recursos funcionam como estimuladores, seja diretamente ou indiretamente, para atrair mais volumes. A diferença para outros tipos de capitais é que os projetos financiados por esses montantes nem sempre têm um risco definido e a uma tendência de que o retorno aconteça num período longo. 

Primeiros desembolsos do Eco Invest para recuperação de pastagens devem sair até o fim do ano 

Segundo a executiva, atrair o capital estrangeiro para essa finalidade não tem sido tarefa fácil, devido a esses riscos não conhecidos. Uma das formas de diminuir essas incertezas são os leilões do Eco Invest Brasil, nos quais o Tesouro Nacional aporta uma quantia, porém as instituições financeiras participantes devem captar recursos fora e em volume superior ao montante do Tesouro. 

O Itaú participou do segundo leilão Eco Invest, com projetos financiados para a recuperação de áreas degradadas. Ao todo, o banco deve disponibilizar, de 2025 até 2027, R$ 3,8 bilhões. De acordo com Luciana Nicola, “o banco está a caminho dos primeiros desembolsos”, o que está previsto para acontecer até o fim deste ano.

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Um diferencial nesse segundo leilão é o direcionamento para biomas previamente estabelecidos, principalmente a Caatinga. Por isso, o caminho tem sido o inverso do costumeiro. “Hoje, a gente tem ido ativamente atrás de práticas nesse bioma para a gente oferecer o recurso do Eco Invest”, acrescentou.

Carteira verde do Itaú chega a R$ 515 bilhões 

Uma das metas do banco na pauta ESG é ofertar R$ 1 trilhão para projetos ligados à transição climática até 2030. No momento, o valor já emprestado foi de R$ 515 bilhões, sendo que 42%, cerca de R$ 216,3 bilhões, foram para práticas sustentáveis da agropecuária.

A diretora contou que a instituição não estipulou um fatia fixa para cada setor da economia, mas há um apetite do agronegócio. “O que a gente vê é que o agro saiu na frente, mas outros setores estão buscando as suas práticas. Então, quando a gente olha para o setor de transporte, por exemplo, a urgência de soluções, a gente vê setores buscando formas de descarbonizar. Então, acho que não necessariamente o agro talvez fique com toda a captura desse recurso [R$ 1 trilhão]”, completou.

Financeira quer levar agro como mitigador à COP

Luciana também comentou que o banco terá algumas participações durante à Conferencia do Clima (COP 30), que começa nesta segunda-feira , 10, em Belém (PA). Um dos focos é “mostrar soluções escaláveis” para atrair capital estrangeiro interessado na transição climática. Por isso, o banco vai apostar em levar exemplos da agropecuária. O entendimento é que o setor é capaz não só de ter uma neutralidade na emissões como de ser um mitigador, ou seja, capturar mais carbono do que emite.

“Vamos levar toda a prateleira de produtos do agro que a gente tem escalado para mostrar o quanto de fato, quando você traz viabilidade econômica, é muito mais fácil de você escalar essas soluções”, reforçou Luciana Nicola.

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Além de participações em estandes parceiros na Blue Zone, o banco terá um espaço extra em Belém em parceria com outras empresas, como Nestlé, Natura e Vale. A casa, que recebeu o nome de C.A.S.E., pretende ser um local para workshops e painéis sobre projetos e práticas ligados à transição climática desenvolvidos no Brasil, como a agricultura regenerativa. O espaço vai funcionar de 12 a 19 de novembro. 

*Jornalista viajou a convite da Syngenta e do Itaú BBA

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