PUBLICIDADE

Sustentabilidade

Suspensão da Moratória da Soja: especialistas apontam o que muda no mercado

Critérios individuais de compra podem gerar burocracia, mais custos, risco de retaliação e perda de competitividade frente EUA e Argentina, prevê analista

Nome Colunistas

Sabrina Nascimento | São Paulo | sabrina.nascimento@estadao.com

21/08/2025 - 10:48

Foto: Adobe Stock
Foto: Adobe Stock

As empresas exportadoras de soja brasileira devem continuar adotando critérios para restringir a compra do grão cultivado em áreas desmatadas no bioma Amazônia, mesmo após a suspensão da Moratória da Soja. Isso pode ocorrer porque a decisão da Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (SG/CADE) de investigar uma possível formação de cartel atinge apenas ações coletivas, como auditorias conjuntas e troca de informações entre tradings.

Ao Agro Estadão, o sócio da área de Agronegócio do VBSO Advogados, Marcelo Winter, disse que a medida do órgão antitruste não impede que cada companhia siga as suas próprias regras de compra. Com isso, a tendência é que as companhias mantenham, de forma isolada, as mesmas restrições já previstas pela Moratória da Soja, como a não aquisição da oleaginosa de áreas desmatadas após 2008 na Amazônia. “Ou seja, no curto prazo, não se vê um efeito prático ou prejudicial para a cadeia produtiva”, explicou o advogado.

CONTEÚDO PATROCINADO

Já Carlos Cogo, sócio-diretor da Cogo Inteligência, destaca que, com cada comprador adotando seus próprios critérios de compras, há um aumento da insegurança jurídica no campo. O que pode elevar a burocracia e aumentar os custos de adequação, especialmente para pequenos e médios produtores. 

Outro ponto de atenção, segundo Cogo, volta-se aos mercados compradores. “Há também o risco de exclusão de mercados: quem não conseguir comprovar conformidade ambiental poderá perder acesso a clientes internacionais e ser obrigado a vender para destinos menos exigentes, muitas vezes com preços inferiores”, indica. 

Além disso, há ainda o risco de barreiras comerciais. Destaca-se a entrada em vigor, no encerramento deste ano, da Regulamentação Europeia de Produtos Livres de Desmatamento (EUDR). Para Cogo, sem um pacto coletivo que facilite a verificação, cada empresa terá de comprovar individualmente sua conformidade, o que pode gerar atrasos, custos adicionais e até embargos. “Além disso, concorrentes como Estados Unidos e Argentina podem explorar a decisão para enfraquecer a competitividade da soja brasileira em mercados mais exigentes”, argumenta. 

PUBLICIDADE

Imagem do Brasil

Além dos Ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente, as opiniões de entidades representativas do agronegócio brasileiro sobre a suspensão da Moratória da Soja também são divergentes.

Durante um workshop à jornalistas nesta semana, o vice-presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Ingo Plöger, avaliou que a decisão deve prejudicar a imagem do Brasil, ainda mais, por ter sido adotada alguns meses antes do país sediar a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas. “Mesmo que tenha fundamentos legais em relação à concorrência ou não, agrava [a imagem do Brasil] porque parece mostrar que a gente é leniente e deixa desmatar, o que não é fato”, disse. “Certo ou errado, com direito ou sem direito, vai prejudicar a imagem [do Brasil] e com os Estados Unidos nas nossas costas”, acrescentou o dirigente da Abag.

Do outro lado, a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) avaliou a medida como um avanço importante na defesa dos interesses do setor agropecuário. A CNA lembra que o processo no SG/CADE foi iniciado a partir de representações feitas por quatro entidades: Câmara dos Deputados, Senado Federal, CNA e Aprosoja-MT.  

“Apesar de apresentarem argumentos distintos, todas alegaram que a Moratória seria uma prática ilícita e deveria ser condenada. Mais recentemente, apenas a CNA solicitou a adoção de providências imediatas, alegando que há danos concretos aos produtores que não podem aguardar a tramitação do processo”, destacou. Para sustentar essa posição, a entidade apresentou um parecer econômico apontando prejuízos para o setor e para o país.

Tempo de investigação: indefinido

O sócio da área de Agronegócio do VBSO Advogados ressalta que a decisão da SG/CADE é apenas o início de um processo administrativo que pode levar anos até ser concluído, envolvendo coleta de provas, manifestações de partes interessadas e eventual julgamento no Tribunal Administrativo. 

“Não é possível estimar a duração do processo… Além das associações que representam exportadores e indústrias, como a Abiove e a Anec, também estão em jogo as próprias tradings e empresas individuais. Todas poderão se manifestar, apresentar documentos e serem ouvidas, o que deve tornar a fase de coleta de provas extensa e detalhada”, detalhou.

Segundo o advogado, após essa fase, o caso pode ser suspenso ou seguir para o Tribunal Administrativo do CADE, onde haverá espaço para contraditório, defesa e, ao final, um julgamento que pode resultar em diferentes tipos de sanções.

Siga o Agro Estadão no WhatsApp, Instagram, Facebook, X, Telegram ou assine nossa Newsletter

PUBLICIDADE

Notícias Relacionadas

Como o manejo de dejetos transforma resíduos da pecuária em recursos

Sustentabilidade

Como o manejo de dejetos transforma resíduos da pecuária em recursos

Planejamento e técnicas simples ajudam produtores a reduzir impacto ambiental e economizar com adubo e energia

Projeto apoia produtores na regularização ambiental em SP; saiba como participar

Sustentabilidade

Projeto apoia produtores na regularização ambiental em SP; saiba como participar

Iniciativa da Ypê prevê investimento de R$ 4,4 milhões e recuperação de 80 hectares até 2026

Agricultura sustentável ganha aliada na recarbonização do solo

Sustentabilidade

Agricultura sustentável ganha aliada na recarbonização do solo

Práticas de manejo restauram carbono, melhoram resistência do solo ao clima e reduzem custos com fertilizantes

O gigante da natureza que desafia o tempo no RS

Sustentabilidade

O gigante da natureza que desafia o tempo no RS

Estimada em mil anos, a araucária virou atrativo turístico de Nova Petrópolis na Serra Gaúcha

PUBLICIDADE

Sustentabilidade

Como calcular a idade das árvores?

Saiba quais métodos científicos e práticos revelam a idade das árvores de forma segura e sem cortá‑las

Sustentabilidade

BNDES financia com R$ 148,5 milhões usina de biometano no Paraná

Projeto em Toledo deve evitar 80 mil toneladas de CO₂ equivalente por ano e fortalecer a economia circular na agroindústria

Sustentabilidade

Ubrabio quer aumentar percentual de soja com comprovação ambiental

Entidade também propõe mudança no cálculo dos CBios para reconhecer diferentes realidades da produção de soja

Sustentabilidade

Frentes parlamentares lançam coalizão para priorizar biocombustíveis

Grupo quer incluir metas para o setor no Mapa do Caminho para a transição energética do governo federal

Logo Agro Estadão
Bom Dia Agro
X
Carregando...

Seu e-mail foi cadastrado!

Agora complete as informações para personalizar sua newsletter e recebê-la também em seu Whatsapp

Sua função
Tipo de cultura

Bem-vindo (a) ao Bom dia, Agro!

Tudo certo. Estamos preparados para oferecer uma experiência ainda mais personalizada e relevante para você.

Mantenha-se conectado!

Fique atento ao seu e-mail e Whatsapp para atualizações. Estamos ansiosos para ser parte do seu dia a dia no campo!

Enviamos um e-mail de boas-vindas para você! Se não o encontrar na sua caixa de entrada, por favor, verifique a pasta de Spam (lixo eletrônico) e marque a mensagem como ‘Não é spam” para garantir que você receberá os próximos e-mails corretamente.