Agricultura
Conheça novo mapa agrícola do Brasil e saiba onde avança a produção de cana, laranja e grãos
Levantamento da Embrapa mostra o crescimento da cana no Centro-Oeste, migração dos pomares de laranja e novas fronteiras para soja e milho
Redação Agro Estadão
05/11/2025 - 11:00

O mapa da produção agrícola brasileira vem se redesenhando desde o início dos anos 2000. Um levantamento da Embrapa, com dados do Sistema de Inteligência Territorial Estratégica da Macrologística Agropecuária (Site-MLog), mostra que as principais cadeias do campo mudaram de lugar, abrindo novas fronteiras e alterando a dinâmica econômica de várias regiões.
Cana avança além do cinturão paulista
A cana-de-açúcar é o exemplo mais claro de expansão. Em 2000, seis microrregiões concentravam um quarto da produção nacional: Araraquara, Jaboticabal, Jaú, Ribeirão Preto e São Joaquim da Barra, em São Paulo, além de São Miguel dos Campos, em Alagoas. Duas décadas depois, Jaú e São Miguel deixaram o grupo, substituídas por Presidente Prudente e São José do Rio Preto, também em São Paulo, além de Sudoeste de Goiás e Uberaba, em Minas Gerais.
“Entre 2000 e 2023, a cultura dobrou o volume nacional produzido”, afirma André Farias, analista da Embrapa. O crescimento, segundo ele, veio da combinação entre o aumento das áreas cultivadas e a expansão para novas regiões, “principalmente em Goiás e Mato Grosso do Sul”.

Pomares de laranja trocam de região
A laranja manteve o Estado de São Paulo como principal produtor, mas migrou internamente. Araraquara, Jaboticabal e São José do Rio Preto perderam espaço, enquanto Avaré, Bauru, Botucatu e São João da Boa Vista assumiram a liderança.
“As alterações da concentração espacial das áreas de produção estão muito vinculadas à incidência da doença do greening, o que tem causado perdas gradativas nas regiões tradicionais e o crescimento em novas áreas”, explica Farias.
Mesmo com a redução da área plantada, o volume colhido se manteve. “Houve um balanço, com incorporação de novas áreas, declínios de outras e aumento de produtividade. O Brasil produz aproximadamente as mesmas quantidades de laranja nos últimos 20 anos; não houve aumento substancial do volume nacional produzido, mas sim uma reorganização das áreas de produção no território”, diz o analista.

Soja se espalha, milho se concentra
Entre os grãos, a soja segue ampliando sua presença em todo o País. Em 2000, Parecis e Alto Teles Pires, em Mato Grosso, Barreiras (BA) e Sudoeste de Goiás (GO) respondiam por 25% da produção nacional. Em 2023, Canarana (MT) e Dourados (MS) se juntaram a esse grupo.
“A soja continua se expandindo como a cultura de primeira escolha para as safras de verão”, explica Farias. “Além do crescimento nas regiões tradicionais, a cultura tem se propagado no Matopiba (região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), no norte do Mato Grosso, no Pará e na metade sul do Rio Grande do Sul.”

O milho seguiu caminho oposto. Embora tenha crescido em volume, concentrou-se em menos regiões. Em 2000, 13 microrregiões, em sete estados, somavam um quarto da colheita. Em 2023, essa fatia, que subiu de 8 para 34,9 milhões de toneladas, passou a se concentrar em apenas quatro: Alto Teles Pires e Sinop, em Mato Grosso; Sudoeste de Goiás; e Dourados, em Mato Grosso do Sul.
“As alterações observadas no milho estão muito vinculadas ao fortalecimento da cultura como segunda safra nos sistemas com soja”, afirma Farias. “Ainda que o milho seja produzido em várias áreas do País, o cultivo exige condições climáticas específicas, o que favorece a concentração.”
O chefe-geral da Embrapa Territorial, Gustavo Spadotti, destaca o papel das novas variedades no sucesso do sistema de duas safras. Segundo ele, “isso só é possível graças ao ajuste fino do calendário de cultivo proporcionado por cultivares de soja e de milho mais precoces”.

Algodão mantém alta concentração
Entre as principais culturas, o algodão é a que apresenta a maior concentração produtiva. Em 2023, a microrregião de Parecis (MT) sozinha respondeu por 25% da colheita nacional. Três anos antes, a liderança era dividida com Primavera do Leste e Rondonópolis, também no Mato Grosso.

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