Sustentabilidade
São Paulo tem potencial para produzir 6,4 milhões de m³ de biometano por dia
Consulta pública discute criação de certificado de origem para o gás renovável no Estado; contribuições podem ser enviadas até essa segunda-feira, 8
Redação Agro Estadão
08/09/2025 - 06:30

O Estado de São Paulo pode produzir até 6,4 milhões de metros cúbicos de biometano por dia — volume que representa uma redução potencial de 16% nas emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) e a geração de 20 mil empregos. O cálculo é da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em parceria com o governo paulista, e aponta que 80% da produção pode vir do setor sucroenergético.
O biometano é um gás renovável obtido a partir da purificação do biogás, produzido na decomposição de resíduos orgânicos como restos da cana-de-açúcar, lixo urbano e dejetos animais. Com qualidade semelhante à do gás natural, ele pode ser usado em fogões, indústrias e veículos movidos a gás, substituindo combustíveis fósseis. Além de reduzir emissões de poluentes, aproveita materiais que seriam descartados e transforma passivos ambientais em energia limpa para o dia a dia.
Para viabilizar esse mercado, a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) recebe até essa segunda-feira, 8, às 18h, sugestões sobre a criação do certificado de garantia de origem do biometano paulista. O mecanismo pretende separar o atributo ambiental da molécula física do gás, permitindo que empresas que adquirirem o certificado possam contabilizar reduções de emissões em seus inventários.
Na prática, o certificado funcionaria como um “selo ambiental”: para cada metro cúbico de biometano produzido e injetado na rede, é emitido um documento que pode ser adquirido por empresas que continuam consumindo gás fóssil, mas querem comprovar que financiaram a produção de energia renovável e contabilizar a redução em seus inventários de emissões.
Com a iniciativa, São Paulo será o primeiro estado a implantar um sistema de certificação para o biometano, inspirado em modelos internacionais. Segundo a Semil, a proposta busca dar segurança jurídica, ampliar a rastreabilidade e fomentar a economia circular, oferecendo alternativa para consumidores de gás natural que desejam compensar suas emissões.
As contribuições podem ser enviadas pelo site da Semil.
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