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Sustentabilidade

Irrigação impulsiona exportações de frutas de Minas Gerais 

Tecnologia tem sido crucial para manter a produção no norte do Estado, que vem sofrendo com a estiagem

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Rafael Bruno | São Paulo | rafael.bruno@estadao.com

09/10/2024 - 08:00

Foto: Ascom Brasnica
Foto: Ascom Brasnica

Em meio à seca severa e ondas de calor, com termômetros próximos aos 40 graus, os produtores de frutas de Minas Gerais têm recorrido cada vez mais à irrigação para manter o cultivo e a comercialização. Somente no primeiro semestre deste ano, as exportações mineiras de frutas somaram US$ 7 milhões. Segundo dados da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa), considerando sucos e derivados, esse valor ultrapassa os US$ 14 milhões. 

Grande parte do resultado parte do norte mineiro que desponta como polo da fruticultura no estado, justamente pelos projetos de irrigação. Atualmente, a produção  semanal é de 10,8 mil toneladas de frutas. O limão, principal produto exportado, representa 19% do volume comercializado, especialmente para União Europeia e Estados Unidos – onde a fruta é conhecida como “lima ácida”. 

CONTEÚDO PATROCINADO

Na região produtora, o projeto Jaíba é um exemplo de como a irrigação pode transformar a realidade local, permitindo que, mesmo em condições adversas, a fruticultura conquiste novos mercados internacionais. 

Conforme a Seapa, graças ao uso inteligente de sistemas de irrigação, a produção de limão não apenas mantém sua performance, como também cresce em volume e qualidade, se destacando na balança comercial mineira.

“A nossa principal exportação é o limão taiti. Atualmente, temos 240 hectares de área produtiva e a expectativa de exportar uma tonelada até o fim de 2024. Iniciamos o projeto em 2021 e estamos cada vez mais fortalecidos no mercado internacional. Para os próximos anos, projetamos alcançar 2.500 toneladas de exportação anual”, explica em nota Dailton Ferreira, gerente geral da Brasnica.

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A empresa está no mercado há 40 anos e envia 90% da produção para países da Europa. Entre a saída do campo, o embarque no porto de Salvador e a chegada ao destino, são 20 dias. Além do limão, a empresa também exporta banana e manga, alcançando mercados no Oriente Médio por meio de transporte aéreo.

“A seca é um desafio, mas o clima também favorece a produção de alta qualidade, desde que se faça uso adequado das tecnologias e da agricultura sustentável. A irrigação nos permite transformar esse desafio em uma vantagem competitiva, garantindo que a região continue se destacando no cenário internacional”, conclui Dailton Ferreira.

A gerente de sustentabilidade da Federação de Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (Faemg), Mariana Ramos, destaca a criação da Política Estadual de Agricultura Irrigada Sustentável, lei sancionada em julho deste ano que permite a expansão sustentável da área irrigada no semiárido mineiro, aproveitando melhor seu potencial produtivo e garantindo o uso racional da água. 

“A nova legislação vai facilitar a reservação de água nas propriedades e simplificar os projetos públicos de irrigação. Essa medida traz desenvolvimento, garante a segurança alimentar para Minas e o mundo, além de gerar empregos e renda para os produtores”, explica em comunicado.

Futuro promissor

De olho em um futuro promissor da fruticultura na região, Fernando Rogério Moreno, empresário do ramo, investe na produção irrigada desde 2015. Hoje, sua fábrica processa 1.500 caixas de limão por dia, e entre 45% e 50% da produção é destinada ao mercado externo. 

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“Nossa estrutura foi planejada para crescer, e estamos apenas utilizando 50% da capacidade do packing house (casa de embalagem e processamento). Em breve, esperamos ampliar nossa produtividade para entre 3 e 5 mil caixas de frutas por dia”, afirma Fernando.

A empresa Mundial Frutas planeja expandir sua área de plantio para 700 hectares nos próximos anos, com 140 hectares de produção própria até 2025. 

De acordo com o empresário, em conformidade com as rigorosas exigências do mercado europeu, ele aposta no fortalecimento da cadeia produtiva e no crescimento contínuo da fruticultura irrigada na região. 

“O projeto Jaíba oferece as condições ideais para atender às demandas do mercado internacional, com certificações, rastreabilidade e controle de qualidade desde o plantio até a exportação final”, conclui Fernando.

Projeto Jaíba

O Projeto Jaíba é um dos maiores projetos de irrigação da América Latina, localizado no norte do estado de Minas Gerais, na região do Vale do Rio São Francisco. Ele foi criado nos anos 1950 com o objetivo de promover o desenvolvimento agrícola e econômico da região por meio da irrigação, aproveitando o potencial hídrico do Rio São Francisco.

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Ele cobre uma vasta área de terras irrigadas, distribuídas pelos municípios de Jaíba, Matias Cardoso, Verdelândia, e outras regiões próximas e é voltado principalmente para a produção de frutas, como banana, manga e limão.

De acordo com o Distrito de Irrigação, entidade que administra o perímetro irrigado, atualmente o Projeto Jaíba conta com pouco mais de 30 mil hectares irrigados, divididos em duas etapas, e a possibilidade de chegar a 60 mil nos próximos anos. 

Segundo a gerência do Distrito de Irrigação, só em 2021 a produção agrícola na etapa 1 do perímetro irrigado foi superior a 364 milhões de toneladas, com maior tendência à produção de bananas. Neste período foram gerados cerca de 17 mil empregos diretos.

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