Economia
Safra 2024 de café em Minas Gerais deve ter queda de 23%
Condições climáticas adversas, como estiagem e altas temperaturas, impactaram a produtividade em 2024 com possíveis consequências para 2025, diz Faemg
Rafael Bruno | São Paulo | rafael.bruno@estadao.com
20/09/2024 - 14:55

Minas Gerais deverá ter uma queda de 23%, em média, na safra de café arábica 2024, conforme um levantamento de campo realizado com 1.706 produtores rurais assistidos pelo programa de Assistência Técnica e Gerencial do Sistema Faemg Senar (ATeG Café+Forte).
A estimativa divulgada nesta sexta-feira, 20, é mais acentuada do que a média nacional divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que apontou uma redução de 0,5% na produção em comparação com 2023.
Segundo a analista de agronegócios do Sistema Faemg Senar, Ana Carolina Gomes, as condições climáticas adversas, como ondas de calor, chuvas esparsas e mal distribuídas, juntamente com altas temperaturas durante as fases de desenvolvimento dos frutos, foram as principais responsáveis pela redução da produtividade prevista para a safra que está sendo finalizada.
“Foram observados problemas no pegamento e abortamentos na florada, aumento de pragas e doenças, grãos miúdos, desfolha, entre outros. Todos esses fatores afetaram a safra 2024 em Minas Gerais, e, atrelados à seca prolongada enfrentada atualmente, poderão trazer consequências para a safra 2025”, explica em nota a analista.
O levantamento preliminar foi realizado nas quatro regiões produtoras do estado: Montanhas de Minas, Sul de Minas, Chapada de Minas e Cerrado Mineiro.
Auxílio aos produtores
Ana Carolina reforça a importância dos investimentos em tecnologias e práticas de manejo sustentável para mitigar os impactos das mudanças climáticas e garantir a sustentabilidade da produção cafeeira em Minas Gerais.
“Vamos continuar acompanhando de perto a evolução da safra, oferecendo suporte aos produtores por meio de assistência técnica e gerencial, bem como atuando junto aos órgãos competentes pela adoção de medidas para mitigar os impactos e proteger os produtores afetados”, diz.
A entidade também afirma que vem atuando no sentido de manter o produtor informado e buscando, junto ao Poder Executivo, iniciativas que auxiliem os cafeicultores.
“A comissão vem mantendo contato com o governo do estado, para auxílio na elaboração de laudos técnicos de constatação das perdas, e no âmbito federal, para ampliar recursos e subsídios para a contratação de seguros”, diz em nota o presidente da Comissão Técnica de Café da Faemg, Arnaldo Bottrel.
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