Economia
RS: Safra de verão chega ao fim com perdas na soja e redução de área de trigo
Produtores enfrentam descapitalização, custos elevados e incertezas para a próxima temporada; canola apresenta expansão expressiva
Redação Agro Estadão*
23/05/2025 - 16:27

A safra de verão 2024/25 chega ao fim no Rio Grande do Sul (RS) com perdas expressivas na soja, cuja produtividade média caiu 38% em relação à expectativa projetada antes do início do plantio, segundo Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira, 22, pela Emater/RS-Ascar. O relatório também aponta queda na cotação da saca de arroz e de milho: 2,09% e 1,72%, respectivamente. Nas culturas de inverno, houve retração da área de trigo e a expansão da canola.
A colheita de soja atingiu 99% no RS, com produtividade média estimada em apenas 1.957 kg/ha — 38% abaixo da expectativa inicial. A quebra foi mais acentuada em regiões como a Fronteira Oeste e a Campanha.
Em São Gabriel, a quebra foi de 50% em relação à estimativa inicial de 2.880 kg/ha. Em Hulha Negra, a produtividade média varia em torno de 1.800 kg/ha. Segundo o informativo, “em razão desse desempenho, aliado aos preços pouco atrativos da soja, muitos produtores enfrentarão dificuldades para quitar os compromissos da safra atual, especialmente os que possuem custos com arrendamento e dívidas prorrogadas de safras anteriores. Alguns cogitam inclusive entregar maquinário para quitar dívidas”.
Confira o desempenho de outras culturas:
Milho: a colheita chegou a 95%, com produtividade média de 6.857 kg/ha, também inferior à projeção inicial. Parte da produção de milho safrinha está sendo redirecionada para silagem. O preço da saca caiu para R$ 64,37.
Feijão: a primeira safra foi concluída com produtividade de 1.870 kg/ha. A segunda safra segue em colheita (55%), com impacto do estresse hídrico inicial, mas preços em recuperação.
Arroz: a colheita está praticamente finalizada, com produtividade média de 8.558 kg/ha. Apesar dos bons rendimentos, produtores estão apreensivos com a queda nas cotações.
Erva-mate: a colheita segue intensa, mas produtores enfrentam desestímulo por preços baixos e escassez de mão de obra. A busca por Indicação Geográfica (IG) segue como aposta para valorização.
Culturas de inverno
À medida que ocorre a finalização da safra de verão e o início do período recomendado pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), as atenções dos produtores se voltam para as culturas de inverno. Segundo o Informativo, as atividades de preparo das áreas destinadas à semeadura do trigo foram intensificadas na última semana.
Porém, o início do plantio da nova safra ocorre em clima de incerteza. Produtores, descapitalizados após frustrações anteriores, estão reduzindo uso de insumos e sementes certificadas. Cooperativas já apontam tendência de retração na área cultivada.
A área cultivada com trigo na safra 2024 no estado foi de 1.331.013 hectares, e a produtividade foi de 2.781 kg/ha (IBGE). Segundo o documento publicado, a Emater/RS-Ascar está realizando o levantamento de intenção de plantio das culturas de inverno para a safra 2025, que deverá ser apresentado nas próximas semanas.
Já a canola apresenta expansão expressiva, com expectativa de atingir 240 mil hectares. A cevada deve manter área reduzida, limitada pela demanda e exigências industriais e a aveia ganha espaço como cobertura de solo.
*Com informações da Emater-RS
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