Economia
Nova estimativa da safra de grãos projeta 325,7 milhões de toneladas
Trigo e milho puxaram para cima as perspectivas para a safra brasileira
Daumildo Júnior | Brasília
13/02/2025 - 10:31

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aumentou a projeção para a safra de grãos. O 5º Levantamento da Safra de Grãos 2024/2025 divulgado nesta quinta-feira, 13, projeta que o Brasil pode colher 325,7 milhões de toneladas. Se confirmado, esse resultado amplia a safra recorde, que no último levantamento estava estimada em 322,3 milhões de toneladas.
Na comparação com a safra 2023/2024, o número é 9,4% maior. Conforme a Companhia, esse crescimento é motivado principalmente por uma ampliação da área cultivada (81,6 milhões de hectares) e uma melhor produtividade (3.990 quilos por hectare). Em relação ao 4º Levantamento, divulgado no mês passado, há uma estimativa maior de área plantada de milho e “expectativa de um melhor rendimento para as culturas de inverno”. Isso porque até o quarto levantamento, a estatal só estava replicando os resultados da safra 2024 das culturas de inverno.
“A Conab divulga então a primeira estimativa da safra 2025 das culturas de inverno e juntamente com o milho segunda safra foi o que aumentou bastante a produção em relação ao levantamento passado”, destacou o gerente de Acompanhamento de Safras da Conab, Fabiano Vasconcellos.

Veja as projeções para as principais culturas:
Milho — A produção estimada nesta temporada é de 122 milhões de toneladas, o que é 5,5% a mais (6,3 milhões de toneladas) do que na safra anterior. Apesar da redução no plantio do milho primeira safra (-6,6%), a expectativa é de que se colha mais nesta safra (+2,7). Isso porque o milho verão deve ter uma produtividade acima na comparação com o ciclo passado (+9,9%). Em relação ao milho safrinha, a informação é de que o plantio já começou e as condições climáticas ajudam a estimar um crescimento de 6,4% na produção. Também há projeção de um aumento na área plantada, 2,4%.
Trigo — Nessa primeira estimativa sem a replicação dos dados de 2024, a Conab aponta uma expectativa de crescimento de 15,6% na produção de trigo, que pode chegar a 9,11 milhões de toneladas. A área plantada deve diminuir e ficar em 2,9 milhões de hectares (-2,1%). No entanto, a produtividade estimada cresceu (+18%), podendo ir a 3.044 quilos por hectare.
Soja — A oleaginosa deve ter uma safra recorde de 166 milhões de toneladas (+12,4%). A estimativa é de que a área plantada fique em 47,5 milhões de hectares. No comparativo com o levantamento passado, houve uma redução de 0,2% motivada pela falta de chuva no Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul.
Algodão — A semeadura da pluma já passa dos 87% da área cultivada prevista (2 milhões de hectares). A expectativa é de uma produção de 3,8 milhões de toneladas, resultado recorde caso se confirme.
Arroz — A safra do cereal deve chegar a 11,8 milhões de toneladas, alta de 11,4% quando comparada com a colheita da safra passada. A semeadura está praticamente concluída na área de 1,7 milhões de hectares. “A Conab segue fazendo medição da área de arroz via imagem de satélite. Até aqui, os primeiros levantamentos nos mostram uma redução na área plantada com arroz no Rio Grande do Sul, mas temos uma excelente expectativa de produção. Apesar de algumas áreas localizadas no RS estarem com uma redução de chuva, há boa água nos reservatórios, boa luminosidade, o que para o arroz é uma excelente expectativa”, afirmou o presidente da Conab, Edegar Pretto.
Feijão — As três safras de feijão estão estimadas em 3,3 milhões de toneladas (+3,4%). O levantamento aponta que a primeira safra está com 47% da área cultivada colhida, mas com vários estágios de desenvolvimento. A segunda safra de feijão está na fase inicial de plantio.
Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Economia
1
Em investigação, China aponta 'dano grave' à indústria de carne bovina e notifica OMC e exportadores
2
Fim do papel: produtores rurais terão de emitir nota fiscal eletrônica em 2026
3
Feiras do agro 2026: calendário dos principais eventos do setor
4
Começa a valer obrigatoriedade de emissão de nota fiscal eletrônica
5
Salvaguarda à carne bovina: Câmara Brasil-China vê desfecho favorável ao setor brasileiro
6
Menos pão, mais carne: canetas emagrecedoras redesenham demandas do agro brasileiro
PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas
Economia
Cotas e salvaguardas limitam impacto do acordo Mercosul-UE para carne bovina
Segundo Abiec, redução da Cota Hilton melhora competitividade do setor, mas salvaguardas limitam entre 5% e 7% a expansão em volume anual
Economia
Café: receita com exportação bate recorde em 2025, apesar de queda no volume
De acordo com relatório do Conselho de Exportadores (Cecafé), Estados Unidos deixaram de ser o principal destino do café brasileiro
Economia
Balança comercial tem déficit de US$ 243,7 milhões na 3ª semana de janeiro
Exportações somaram US$ 5,167 bilhões e importações, US$ 5,411 bilhões; mesmo com mês de janeiro acumula superávit de US$ 3,757 bilhões.
Economia
Após cotas da China, indústria de carne bovina intensifica reuniões em Brasília
Setor busca diversificação de mercados e medidas de socorro à empresas e pecuaristas; ainda há dúvidas se carne já embarcada será tarifada
Economia
Acordo com UE pode render economia de R$ 1,3 bi para exportações de suco de laranja
Os três principais tipos de suco exportados terão redução gradual de tarifas, com alíquota zero prevista entre 7 e 10 anos.
Economia
Inadimplência no agro avança no 3º trimestre de 2025 e chega a 8,3% dos produtores
Arrendatários e produtores participantes de grupos econômicos lideram a inadimplência; RS está entre os Estados com os menores índices do país
Economia
Suprema Corte dos EUA revisará caso sobre herbicida Roundup
Bayer diz que a análise esclarecerá se regras federais prevalecem sobre leis estaduais de rotulagem
Economia
Acordo Mercosul-UE levanta críticas do governo Trump às vésperas de assinatura
Comentários focam em regras que impedem venda de produtos com selos europeus de indicações geográficas