Economia
Fávaro volta a falar em elevar teor de frutas em bebidas para apoiar setor
Solução deve fazer parte do plano de contingenciamento que será anunciado pelo Governo, que ainda acredita em mudanças na lista de exceções
Daumildo Júnior | Brasília | daumildo.junior@estadao.com
06/08/2025 - 14:31

O ministro da Agricultura e Pecuária (Mapa), Carlos Fávaro, afirmou que o governo federal estuda aumentar a adoção de frutas em bebidas como uma das medidas previstas no plano de contingenciamento. A iniciativa beneficiaria o setor de frutas, já que esses produtos passaram a ser taxados em 50% pelos Estados Unidos.
“Nós podemos, e já estamos fazendo isso, estudando tecnicamente, como regulamentar uma adição maior de fruta, de suco de fruta, por exemplo, nas próprias bebidas, nos próprios refrigerantes, nos próprios sucos envasados, recategorizar isso”, disse o Fávaro a jornalistas nesta quarta-feira, 06, após participar de uma cerimônia de acordo de cooperação entre Sebrae e Mapa.
O ministro não detalhou como isso será feito e nem todos os produtos, que poderiam ter uma adição maior de alimentos, são de responsabilidade da pasta da Agricultura. Além disso, a proposta depende de uma mudança por decreto presidencial.
O Mapa é responsável pelas bebidas. Nesse sentido, há categorias diferentes para cada tipo de bebida. Por exemplo, no caso de refrescos ou bebida de frutas o enquadramento previsto é de:
- laranja, tangerina e uva: conter no mínimo 30% do volume de suco;
- limão ou limonada: no mínimo 5% do volume;
- maracujá: no mínimo 6% do volume;
- maçã: no mínimo 20%.
Há ainda determinações para refrigerantes, chás, xaropes, bebidas fermentadas de frutas, licor, hidromel, aguardente de frutas e néctar. Todos são tipos distintos de alimentos e tem teores diferentes de mistura de polpa, suco e extrato de frutas.
Ministro acredita em aumento da lista de exceções
Na última semana, o governo americano oficializou a tarifa de 50% aplicada e também instituiu uma lista de exceções. Fávaro lembrou o caso do suco de laranja, que passou a integrar essa listagem. Na opinião do ministro, é possível que mais produtos da agropecuária brasileira sejam incluídos.
“Eu acho que o diálogo vai prevalecer, nós vamos superar o desafio das carnes, nós vamos superar o desafio do café, do mel, do pescado e também dos demais produtos”, afirmou.
Ele ainda voltou a indicar que a busca agora será intensificar novos mercados, além de ampliar o acesso das empresas para mercados já abertos. No caso da carne bovina, Fávaro citou o exemplo do Vietnã, mercado aberto em março e que já tem duas plantas habilitadas para exportação.
“Qual é o trabalho agora, então? Ampliar as habilitações para 15, 20, 30 plantas frigoríficas habilitadas. Ampliar as habilitações para a Indonésia. Ampliar as habilitações para a China. Ampliar os mercados de pescado, por exemplo, para a América Central, que a gente ainda não tem um mercado para pescado”, pontuou.
Questionado sobre quando o setor público deve começar a comprar parte dos produtos não exportados aos americanos, Fávaro não respondeu. Apenas disse que será dado um “olhar específico para cada setor”, alinhado com o discurso do governo de que as medidas vão atender caso a caso, inclusive possíveis linhas de crédito emergencial. Ainda segundo ele, o governo já tem mapeado quais empresas serão mais impactadas.
Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Economia
1
Exportações no ritmo atual podem esgotar cota chinesa da carne bovina antes do 3º tri
2
Países árabes viram alternativa à China para a carne bovina brasileira
3
Aliança Agrícola paga R$ 114 milhões a investidores; advogada alerta produtores sobre risco jurídico
4
Por que a China rejeitou o pedido do Brasil para redistribuir cotas de carne bovina?
5
China sinaliza forte demanda por importações de soja em 2026
6
Governo estuda regular cota de exportação de carne à China
PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas
Economia
Uruguai é o 1º país a aprovar o acordo comercial entre Mercosul e UE
No Brasil, o texto do acordo foi aprovado na Câmara dos Deputados e segue para análise no Senado
Economia
Títulos do agronegócio crescem 13,5% em 12M até janeiro, para R$ 1,407 trilhão
Maior crescimento foi do estoque de CPRs ,com crescimento de 17% em janeiro e 402 mil certificados distribuídos
Economia
Piscicultura brasileira ultrapassa 1 milhão de toneladas em 2025
Exportações de peixe de cultivo subiram em valor e caíram em volume no ano passado
Economia
Tarifas globais dos EUA voltam para 10% e entram em vigor por 150 dias
Carne bovina, tomates, açaí, laranjas e suco de laranja ficam de fora das tarifas por necessidades da economia americana
Economia
Exportações de carne bovina já superam todo fevereiro de 2025 em apenas 13 dias
Exportações de carne de frango e suína também avançaram, com alta na média diária de 32,69% e 26,41%, respectivamente
Economia
China não habilitará novos frigoríficos brasileiros pelos próximos três anos, afirma assessor do Mapa
Setor ainda espera habilitações e quer regulação de cota brasileira para afastar questionamentos de formação de cartel
Economia
Nos EUA, venda de suínos beira recorde; ausência da China pesa sobre carne bovina
Sem a China, exportações norte-americanas de carne bovina caíram 12% em volume e 11% em receita em 2025
Economia
Fila de caminhões trava escoamento da safra pelo porto de Miritituba; veja o vídeo
Comitiva da Famato constata 25 quilômetros de fila em trecho da BR-163 antes do porto; caminhoneiros relatam falhas na organização do fluxo;