Agropolítica
Minas e Energia prepara início do programa Força no Campo para este ano
De acordo com o ministro da pasta, iniciativa vai focar em regiões para agricultura irrigada
Daumildo Júnior | Brasília | daumildo.junior@estadao.com
06/02/2025 - 08:00

A partir deste ano, o governo federal pretende dar início ao Programa Força no Campo, para aumentar a qualidade do serviço elétrico na zona rural. A estruturação dessa política pública faz parte de um Acordo de Cooperação Técnica (ACT), firmado nesta quarta-feira, 05, entre Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), Ministério de Minas e Energia (MME) e Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Durante o evento para a assinatura do ACT, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, antecipou que o programa deve ser iniciado ainda neste primeiro semestre. “O terceiro passo do acordo prevê a estruturação, até o primeiro semestre deste ano, do programa Força no Campo, que ampliará a rede trifásica na área rural”, sinalizou Silveira.
A rede trifásica é uma rede mais estável e com grande potência, sendo utilizada, por exemplo, por indústrias que têm forte demanda por energia elétrica. Normalmente, é a rede que sai das usinas e depois faz a distribuição nas redes monofásica e bifásica.
O ministro não deu detalhes sobre como a iniciativa vai funcionar, mas disse que todos os estados irão receber investimentos e com foco na irrigação. “A ideia é naturalmente a gente priorizar as grandes áreas que têm potencial de produzir mais alimentos na mesma área. Tem que ter água, tem que ter topografia, por isso essa aliança com o MIDR e com o Mapa. O planejamento já começou, mas hoje se torna mais vigoroso a partir da assinatura desse acordo. Depois do Luz para todos, é o maior programa energético do país. Vai levar força ao campo para produzir mais alimentos, para baratear alimento, para chegar na mesa dos brasileiros”, afirmou aos jornalistas no final do evento.
O contexto da apresentação do acordo foi o lançamento da Aliança pelo Desenvolvimento Energético dos Polos e dos Projetos de Irrigação do Brasil, que além dos ministérios do ACT, conta com governos estaduais e representantes de distribuidoras elétricas. A intenção é que esse programa potencialize a irrigação, já que é uma atividade que demanda muita energia.
Acordo prevê outras atuações
Além do programa Força no Campo, o ACT assinado pelas pasta prevê ainda outras ações conjuntas de fomento à irrigação e à produção de energia. Um dos aspectos que o acordo contempla é o incentivo aos produtores rurais para a geração de energia própria por meio de placas fotovoltaicas. “As linhas do Plano Safra são fundamentais para isso”, pontuou Silveira.
Outro aspecto são os múltiplos usos da água. Segundo o ministro, o acordo traz também como premissa a segurança hídrica e energética. “Incentivamos os múltiplos usos dos reservatórios: para geração de energia, para irrigação, para o turismo e para o lazer”, disse Silveira, que ainda lembrou de outros atos de cooperação firmados só que para uso de barramento de águas para produção de peixe.
O chefe da pasta de Minas e Energia pontuou ainda que até 2027 as empresas de distribuição de energia devem investir cerca de R$ 120 bilhões. Além disso, indicou que as necessidades da zona rural não podem ficar de fora da apresentação dos planos de investimentos das empresas. “Esses planos de investimentos devem estar atentos ao crescimento da produção no Matopiba, em Mato Grosso, em Goiás, no Distrito Federal e em Minas Gerais”.
Durante o evento, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, lembrou das medidas de escoamento para a safra 2024/2025 apresentadas também nesta quarta-feira. Sobre o acordo com o MME e o MIDR, ele afirmou que a iniciativa traz “pactos com o desenvolvimento equilibrado”.
‘A irrigação não pode ser ponto de afronta ao meio ambiente, tanto pelo aspecto da drenagem da água, como pelo aspecto de quererem produzir a qualquer jeito, a qualquer forma, no período onde você tem certeza que o clima não é favorável, que a seca é intensa. Se ela for usada de forma racional, em quantidade necessária para tirar o estresse hídrico, para garantir a estabilidade da produção. É assim que deve ser usada a água para irrigação, e, com toda certeza, para também gerar energia”, concluiu.
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