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Economia

Especialistas veem China em vantagem na guerra comercial com EUA

Painel debateu a nova ordem mundial em fórum realizado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)

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Eduardo Laguna e Anna Scabello, Isadora Duarte e Leandro Silveira

06/05/2025 - 14:04

Foto: Adobe Stock
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Especialistas em relações internacionais avaliaram hoje, durante fórum promovido pelo agronegócio, que a China está em posição de vantagem para negociar com os Estados Unidos após a guerra comercial aberta pelo presidente Donald Trump.

A avaliação é a de que as barreiras levantadas por Trump contribuíram para unir os chineses em um sentimento de nacionalismo, fazendo com que eles estejam dispostos a assumir os altos custos do enfrentamento com os Estados Unidos. Já o governo americano, entendem os especialistas, está pressionado pelos impactos das medidas tarifárias nos mercados, na inflação e, por fim, na popularidade de Trump, algo que terá um peso maior à medida que as eleições de meio de mandato se aproximarem.

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Em painel sobre a nova ordem mundial do fórum realizado nesta terça-feira pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Oliver Stuenkel, que é professor da FGV, disse que nunca viu, nas interações com diplomatas e especialistas chineses, um discurso tão nacionalista como o de agora. Há, conforme o especialista, disposição dos chineses em resistir e manter a unidade contra ameaças externas.

“Apesar do custo econômico, a China vinha se preparando para um cenário assim tanto emocionalmente quanto economicamente”, comentou Stuenkel, para quem o presidente chinês, Xi Jinping, tem apoio político para o embate com Trump, mesmo a um custo econômico elevado.

Trump, lembrou Stuenkel, já foi obrigado a recuar e suspender as tarifas recíprocas, exceção à China, diante da reação negativa das bolsas ao tarifaço. Ex-secretário de Comércio Exterior, Welber Barral comentou que o republicano deve perder ainda mais popularidade quando as tarifas forem repassadas ao consumidor. “Ao contrário do que Trump disse, quem paga é o importador, não é o país estrangeiro”, comentou.

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Segundo Stuenkel, que também é pesquisador do Carnegie Endowment e de Harvard, já há uma preocupação de congressistas republicanos com o avanço do partido democrata nas eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para novembro do ano que vem. O professor entende que o argumento de Trump de que é preciso sofrer um pouco agora parece não convencer a maioria dos eleitores americanos.

Lembrando da declaração do presidente americano de que as crianças não precisam ter 30 bonecas importadas da China, Stuenkel considera que Trump já adotou uma retórica “muito defensiva”, já reconhecendo as dores das tarifas. “Em função disso, a China possui hoje uma resiliência maior e está em situação vantajosa na negociação.”

Para Marcos Troyjo, especialista em relações internacionais e ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), o banco do Brics, os Estados Unidos têm mais a perder no conflito com a China, principalmente porque a guerra comercial pega o país em conjuntura favorável.

Troyjo observou que, hoje, nove das dez maiores empresas do mundo são americanas. Além disso, acrescentou, a renda per capita nos EUA é o dobro da zona do euro e o país voltou a aumentar a sua distância em relação ao tamanho da economia chinesa desde 2018. “Comparativamente, os Estados Unidos têm mais a perder”, avaliou o diplomata.

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