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Economia

Cepea faz primeiros balanços das cadeias da agropecuária do RS

Colheitas de arroz, soja e milho que estavam atrasadas no estado tendem a retardar ainda mais com o aumento das precipitações e alagamentos

Nome Colunistas

Daumildo Júnior | daumildo.junior@estadao.com

06/05/2024 - 15:26

Foto: Lauro Alves/Governo do RS
Foto: Lauro Alves/Governo do RS

Com as chuvas e enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul na última semana, a extensão dos danos nas lavouras e produções agropecuárias do estado ainda são incertas, já que as águas não baixaram até o momento e há previsão de mais chuvas. 

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) analisou os primeiros dados que vêm do estado gaúcho e as lavouras de arroz, soja e milho são as que mais estão sendo prejudicadas. Confira os primeiros balanços feitos pelo órgão.

Arroz

Os pesquisadores apontaram que as colheitas do cereal estavam atrasadas em relação a abril de 2023. Com a situação das enchentes, boa parte das lavouras ficou debaixo d’água, o que inviabilizou a colheita nos últimos dias. 

O cenário preocupa pois o estado é o maior produtor de arroz do Brasil e uma queda na produção afeta no abastecimento para todo o país. Segundo o Cepea, as chuvas também “têm o potencial de reduzir significativamente as rendas dos orizicultores do estado”.

Soja

Assim como no arroz, as atividades nas plantações de soja foram paralisadas e o receio é com a qualidade da oleaginosa que ainda não foi colhida. Segundo a Emater-RS, até o dia 02 maio cerca de 76% da área plantada já estava colhida, abaixo da média dos últimos cinco anos para o mesmo período, que é de 83%. 

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“O excesso de umidade tende a elevar a acidez do óleo de soja, o que pode reduzir a oferta de boa qualidade deste subproduto, especialmente para a indústria alimentícia”, explicam os pesquisadores.

Milho

Também atrasada, a colheita do milho da safra verão está paralisada em praticamente todo o estado. Dados da Emater-RS apontam que até o dia 02 de maio faltavam 17% da área plantada para ser colhida. 

Frangos, Suínos e Ovos

Para os avicultores e suinocultores, a preocupação é em relação à logística. “Com rodovias e pontes interditadas, o transporte do produto para atender à demanda em parte das regiões sul-rio-grandenses e também de fora do estado vem sendo comprometido”, indica o Cepea.

Esses problemas também afetam o abastecimento de insumos para as granjas, como rações e embalagens, no caso dos ovos. Há também relatos de instalações danificadas, mas os danos ainda não foram calculados.

Bovinos de corte

Com a dificuldade de locomoção interna no estado, compradores e vendedores estão ausentes no mercado nestes últimos dias. Isso porque muitos lotes de animais ainda não conseguiram chegar aos frigoríficos e esperam a situação se normalizar.

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Cenoura

A situação das plantações de cenoura na cidade de Caxias do Sul, na serra gaúcha, é considerada crítica pelos pesquisadores e as perdas ainda não foram mensuradas. Em Vacaria (RS), a situação é um pouco melhor com impactos menos severos.

Dentre as horticulturas, a cenoura foi a mais prejudicada pelas enchentes e alagamentos. “Estima-se que as inundações resultem em uma janela de oferta e, em muitos casos, dificultem, inclusive, a retomada das áreas afetadas”, projetam os pesquisadores.

Maçã

Já na etapa final de colheita, produtores relatam estar com as atividades paralisadas nos últimos dias devido às fortes chuvas. Além disso, pode haver aumento da incidência de doenças nos pomares. A questão da logística também interfere no escoamento da fruta, impossibilitando o envio para outros estados. 

Tomate e Batata

Também com safras se encerrando, a batata em Bom Jesus (RS) e o tomate em Caxias do Sul (RS) devem registrar perdas grandes nessa reta final devido ao alto volume e duração das chuvas.

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