Economia
Carnes, óleo de soja e café puxam inflação de 2024, que termina em 4,83%
Juros devem continuar altos, mas dentro do que estava previsto para 2025
Daumildo Júnior | Brasília | daumildo.junior@estadao.com
10/01/2025 - 13:36

O Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE) divulgou nesta sexta-feira, 10, o resultado de dezembro do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação do país. O IPCA do último mês do ano ficou em 0,52% e no acumulado de 2024 chegou a 4,83%, maior do que o registrado em 2023, quando terminou em 4,62%.
“O índice foi puxado pela alta dos itens alimentícios, que sofreram influência de condições climáticas adversas, em vários períodos do ano e em diferentes localidades do país”, explicou Fernando Gonçalves, gerente do IPCA.
Segundo o IBGE, o grupo de alimentação e bebidas foi o principal responsável pela alta, ficando em 7,69% no ano passado, representando 33,7% do IPCA geral de 2024. Entre os itens que compõem o grupo, carnes (5,26%), óleo de soja (5,12%) e café (4,99%) influenciaram o índice para cima. Já o limão (-29,82%), a batata-inglesa (-18,69%) e o leite (-2,53%) tiveram queda.
Como o IPCA ficou acima do teto da meta estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que era de 4,5%, o Banco Central terá que dar explicações sobre o não cumprimento do limite determinado. A instituição é responsável por perseguir a inflação e pela política monetária para deixar o índice dentro do teto.
Para isso, a principal ferramenta do Banco Central é a taxa de juros Selic, que funciona como a taxa básica de juros para as transações financeiras. Para diminuir a inflação, o Banco Central sobe a taxa Selic. Isso tende a diminuir a tomada de crédito. Com menos dinheiro em circulação, inclusive para investimentos, o consumo tende a cair. Com consumo em queda, os preços tendem a cair ou a permanecer estáveis, o que diminui a inflação.
O Boletim Focus do Banco Central é um termômetro que mede a expectativa do mercado em relação aos principais indicadores econômicos do país, como o IPCA. A divulgação acontece semanalmente às segundas-feiras, e nesta semana o projetado era de que a inflação de 2024 terminasse em 4,89%. Já para 2025, a expectativa inicial é de 4,99%.
Na análise do economista André Perfeito, a taxa Selic deve continuar crescendo, mas no ritmo já esperado. Atualmente está em 12,25% ao ano. Mas o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que determina a Selic, já indicou mais altas para as duas primeiras reuniões do ano — em 29 de janeiro e 18 de março. No final do primeiro trimestre, o Brasil deve ter uma taxa de juros anual em 14,25%.
“O resultado mostra que a taxa SELIC deve continuar em alta, mas não há por ora motivo para acreditar em altas adicionais que as já anunciadas. A economia tem que desacelerar e acomodar os salários. Esta é a única variável que importa neste momento para o mercado”, avaliou em nota.
Energia elétrica cai, mas combustíveis sobem
Nos demais grupos e itens medidos pelo IBGE, a energia elétrica registrou um recuo de 3,19% impactado, em dezembro, pelo retorno da bandeira verde, em que não há cobrança adicional nas contas de luz. Já no grupo dos transportes, os combustíveis também variaram para cima. A gasolina subiu 0,54%, o etanol 1,92% e o diesel 0,97%.
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