Economia
Alta do milho deve impactar inflação em 2025, aponta Datagro
Elevação do preço do diesel, que influencia diretamente o custo do frete, também preocupa
Redação Agro Estadão
27/03/2025 - 17:32

A alta nos preços do milho e do diesel está entre os principais fatores de risco para a inflação brasileira em 2025, segundo um estudo da consultoria Datagro. A análise destaca que os ajustes nas cotações de commodities essenciais podem impactar o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), pressionando os custos de alimentos e combustíveis ao longo do ano.
O milho é apontado como um dos principais fatores de pressão sobre os alimentos. O cereal é um insumo fundamental para a nutrição de aves, suínos e bovinos, e sua valorização impacta diretamente o custo da produção de proteínas animais.
Em 13 de março, a saca de milho em Rondonópolis (MT) atingiu R$ 85,00, um valor 40% superior ao registrado um ano antes e o maior desde o início da guerra na Ucrânia, em março de 2022. Estudos da Datagro indicam que essa alta pode elevar a inflação de alimentos em até 1,07% nos próximos seis meses e acrescentar até 0,47% no IPCA geral no mesmo período.
Além do milho, o diesel também é um fator de preocupação para a inflação. Apesar de seu peso relativamente baixo no IPCA, o combustível tem grande influência no custo do frete e do transporte rodoviário, impactando os preços de diversas mercadorias. A recente alta de 6,29% no preço do diesel nas refinarias, anunciada pela Petrobras, pode adicionar 0,29 ponto percentual à inflação geral acumulada em 12 meses e 0,77 ponto percentual ao grupo Alimentação e Bebidas até o fim de 2025. “O impacto pode ser ainda maior, considerando o aumento já estipulado do ICMS sobre os combustíveis”, aponta a consultoria.
Diante desse cenário, a Datagro avalia que, apesar das medidas anunciadas pelo governo e de um quadro de curto prazo relativamente controlado, há fatores que sustentam a expectativa de uma inflação acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional para 2025.
Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Economia
1
Em investigação, China aponta 'dano grave' à indústria de carne bovina e notifica OMC e exportadores
2
Fim do papel: produtores rurais terão de emitir nota fiscal eletrônica em 2026
3
Reforma tributária: o que o produtor rural precisa fazer antes de janeiro?
4
Começa a valer obrigatoriedade de emissão de nota fiscal eletrônica
5
Salvaguarda à carne bovina: Câmara Brasil-China vê desfecho favorável ao setor brasileiro
6
Feiras do agro 2026: calendário dos principais eventos do setor
PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas
Economia
Setor de vinhos do Brasil cobra condições equivalentes no acordo Mercosul-UE
Entidades avaliam que, sem ajustes internos, acordo tende a ampliar pressão de importados e afetar cadeia baseada na agricultura familiar
Economia
Desembolso no Plano Safra 2025/2026 cai 15,6% no 1º semestre, a R$ 186,146 bi
Montante corresponde a 45,8% do total disponível para a safra, de R$ 405,9 bilhões; produtores estão retraídos por conjuntura adversa
Economia
Acordo Mercosul-UE divide o agro brasileiro entre apoio e críticas
Faesp e Tereza Cristina defendem cautela com salvaguardas europeias, enquanto exportadores de suco de laranja celebram ganhos tarifários
Economia
Entenda as principais cotas agrícolas do acordo Mercosul-UE
Carnes bovina, suína e de aves terão limites de exportação, mas frutas, mel e arroz ganham acesso livre
Economia
Brasil tem 9 unidades aprovadas para exportar gelatina e colágeno para Turquia
Outras 8 estão em processo de análise
Economia
Salvaguardas no Mercosul-UE não impedem avanço das exportações do agro, diz Rubens Barbosa
Países da UE aprovam provisoriamente acordo com o Mercosul; veja análise do ex-embaixador do Brasil em Washington
Economia
França informa que votará contra o acordo Mercosul-UE
Chefe de Estado francês diz que, apesar das negociações de última hora, é "impossível" assinar o tratado nas atuais configurações
Economia
Cotas da China alertam para possível corrida nos embarques de carne bovina
Mercado segue estável, enquanto exportadores aguardam definição sobre a distribuição dos volumes; sobretaxa pode elevar valor do quilo