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Clima

Temporais com granizo atingem áreas agrícolas do RS e SC

Em Sarandi (RS), pedras de gelo chegaram a 120g. Em Santa Catarina, temporais avançaram principalmente sobre áreas do Meio-Oeste e da Serra

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Paloma Santos | Brasília | paloma.santos@estadao.com | Atualizada às 13h14

04/11/2025 - 12:16

Em Sarandi (RS), pedras de gelo danificaram casas e lavouras na zona rural na tarde dessa segunda-feira, 3. Foto: Fetraf-RS/Divulgação
Em Sarandi (RS), pedras de gelo danificaram casas e lavouras na zona rural na tarde dessa segunda-feira, 3. Foto: Fetraf-RS/Divulgação

Depois do vendaval que causou danos no Paraná, temporais acompanhados de granizo atingiram regiões do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina nessa segunda-feira, 3, provocando muitos prejuízos a residências, estruturas públicas e propriedades rurais. As áreas mais afetadas se concentram no Norte gaúcho e no Meio-Oeste e Serra catarinenses.

De acordo com Sabrina Custódio, meteorologista da Tempo OK, a presença de um cavado em altitude favoreceu a formação das nuvens de tempestade no Sul do País. Mas, apesar dos estragos, o volume de chuva não foi tão elevado e o que chama atenção são os relatos de granizo, com pedras pesando cerca de 120g. “As tempestades foram isoladas e as estações meteorológicas não registraram valores extremos. A maior rajada de vento foi de 70 km/h na cidade de Curitibanos (SC), seguido por 50km/h em Encruzilhada (RS)”, explicou.

No Norte do RS, as pedras de gelo destruíram lavouras de milho | Foto: Fetraf-RS/Divulgação

Estragos no Rio Grande do Sul

Em Sarandi (RS), a Defesa Civil estima que cerca de 500 residências tiveram telhados danificados, além de edificações públicas afetadas. Aproximadamente 30 famílias ficaram desalojadas e 10 escolas ficaram sem aulas. Máquinas da prefeitura foram mobilizadas para desobstrução de vias na cidade e zona rural. No município de Barra Funda (RS), cerca de 30 residências foram destelhadas.

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granizo Sarandi RS
Foto: Fetraf-RS/Divulgação

Segundo levantamento da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Rio Grande do Sul (Fetraf-RS), Sarandi e Barra Funda foram as regiões mais afetadas e registraram perdas de 60% a 100% em plnatações de uva, milho e trigo, que estavam em fase de desenvolvimento.

Em entrevista ao Agro Estadão, a presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Agricultura Familiar de Sarandi e Região (Sintraf), Elaine Colet, afirmou que muitas propriedades sofreram perda total. Segundo ela, a chuva durou cerca de 15 minutos, com pedras de granizo de até 120 gramas. “Foi um fato que a gente nunca tinha presenciado, algo diferente de tudo que já tinha acontecido”, disse.

Parrerais e pomares foram destruídos na região. | Foto: Sintraf Sarandi (RS)

Ela estima que cerca de 150 famílias de agricultores foram afetadas na zona rural. Alguns produtores chegaram a ser atingidos por pedras de granizo enquanto trabalhavam, mas sem ferimentos graves. Elaine relata que até mesmo parreirais protegidos foram prejudicados, já que o vento teria danificado estruturas e plantas. “Destruiu muito. Pegou milho, trigo pronto para a colheita, soja recém-plantada”.

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Segundo a coordenadora, a região afetada reúne grande diversidade produtiva, com agricultores familiares que atuam tanto no cultivo quanto na agroindústria. “Uma indústria de suco de uva foi bastante afetada. Famílias perderam galpões e as casas ficaram danificadas”, contou.

granizo Sarandi RS
Foto: Fetraf-RS/Divulgação

A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado (Emater-RS) confirmou prejuízos na agricultura e está fazendo um levantamento dos danos. Já o sindicato vai mensurar, junto aos agentes financeiros, quantos produtores têm cobertura do Proagro. “Algumas culturas a gente sabe que não tinham. Possivelmente, essas famílias vão precisar refazer lavouras de milho, trigo e soja. E, no tema da fruticultura, é um ano perdido”.

Prejuízos em Santa Catarina

Em Santa Catarina, os temporais avançaram principalmente sobre áreas do Meio-Oeste e da Serra Catarinense, importantes polos de produção de maçã e uva. Cidades como Fraiburgo, Videira, Tangará, Rio das Antas, Ibiam e Iomerê registraram queda de granizo, com danos em lavouras e propriedades. 

Lavouras de tabaco destruídas em Santa Terezinha (SC). Foto: Fetraf-SC/Divulgação

Segundo o coordenador da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar de Santa Catarina (Fetraf-SC), Rodrigo Preis, até agora, as áreas rurais mais impactadas estão localizadas no Alto Vale do Itajaí — Santa Terezinha e Rio do Campo — e no Planalto Norte: Itaiópolis, Canoinhas, Papanduva e Irineópolis. “Estamos em uma fase de levantamento de dados ainda, mas teve muito prejuízo para produtores de tabaco, uvas, fumo, hortaliças e abelhas. Muitos estragos mesmo”.

Na Serra, em Bom Jardim da Serra, o granizo foi de pequeno porte e persistiu por cerca de 30 minutos em alguns pontos, segundo relatos de agricultores. Pomares de maçã sem telas de proteção foram os mais atingidos, mas também há registros de danos em áreas de mirtilo e vinhedos de altitude.

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No Planalto Norte, a cidade de Canoinhas teve os maiores danos registrados na área rural. A prefeita Juliana Maciel declarou que o município está trabalhando na elaboração de um decreto de situação de emergência.

Segundo o inspetor de Campo da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Vilmar Niser, mais de mil lavouras de tabaco podem ter sido atingidas pela tempestade. “Estamos nos mobilizando para iniciar as avaliações das lavouras atingidas”, garante. Niser explica que o granizo também prejudicou lavouras de tabaco em Irineópolis, Bela Vista do Toldo, Major Vieira, Itaiópolis, Mafra, Santa Terezinha e nas cidades paranaenses de Rio Negro e Quitandinha.

Previsão de novos temporais

De acordo com Sabrina Custódio, meteorologista da Tempo OK, a formação de um novo ciclone no Sul do Brasil na madrugada de sexta-feira, 7, deixa os dois estados em alerta para a ocorrência de tempestades que podem, novamente, ser acompanhadas por granizo. “Algumas regiões podem registrar volumes elevados, como as áreas de fronteira com a Argentina, e áreas produtoras que ainda não se recuperaram das tempestades desta semana”, destacou.

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