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Clima

Verão começa neste domingo com cenário favorável ao agro; veja a previsão

Influência do La Niña tende a favorecer lavouras no Brasil central, mas excesso de umidade e irregularidade regional exigem manejo atento

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Redação Agro Estadão

21/12/2025 - 05:00

Segundo meteorologistas, temperaturas tendem a ser mais baixas que no verão passado. Foto: Adobe Stock
Segundo meteorologistas, temperaturas tendem a ser mais baixas que no verão passado. Foto: Adobe Stock

O verão tem início neste domingo, 21, com um cenário climático que, em linhas gerais, segundo análises de meteorologistas do agro, tende a favorecer a produção agrícola no País. A estação deve ser marcada por maior regularidade de chuvas em áreas produtoras do Centro-Oeste, Sudeste, Matopiba e parte do Norte, além de temperaturas menos extremas do que as registradas no último verão.

De acordo com a Nottus, nesta estação, o comportamento do clima será influenciado pelo La Niña, fenômeno caracterizado pelo resfriamento das águas do Oceano Pacífico Equatorial. O padrão atmosférico tende a favorecer a formação de áreas de instabilidade no Brasil central, com impactos diretos sobre o regime de chuvas nas principais regiões agrícolas.

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A meteorologista Desirée Brandt, sócia-executiva da Nottus, afirma que a estação não deve ter episódios prolongados de calor intenso. “Podemos ter momentos isolados de trégua na chuva, com temperatura mais alta, mas os modelos não indicam ondas prolongadas de calor. No geral, a tendência é de temperatura mais moderada ao longo da estação”, diz.

Segundo ela, a chuva deve ocorrer próxima da média histórica em grande parte do Centro-Oeste e do Sudeste, o que contribui para a manutenção da umidade do solo ao longo do ciclo das culturas de verão. “Estamos observando um padrão que contribui para episódios persistentes de chuva, com boa reposição hídrica na região central. Isso garante um excelente índice de água disponível no solo para as culturas de verão de milho e soja”, afirma Desirée.

Embora o cenário seja amplamente favorável, Desirée alerta que volumes muito altos de chuva em alguns momentos podem trazer desafios operacionais no campo. “Períodos mais prolongados de nebulosidade e chuva volumosa podem dificultar manejos, atrasar colheitas e, em algumas localidades, favorecer o surgimento de doenças associadas ao excesso de umidade. Não há indicativos de algo extremo, mas esses pontos exigem atenção”, ressalta.

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Região Sul terá chuvas abaixo da média

No Sul do País, o cenário é mais cauteloso. No Rio Grande do Sul, as chuvas tendem a ocorrer de forma mais espaçada. “Enquanto a chuva segue mais concentrada nas áreas mais centrais do País, é natural que ocorra um espaçamento maior entre uma chuva e outra no Sul, porém, sem risco elevado de seca severa na região para este ano”, explica a meteorologista.

O coordenador do Sistema de Monitoramento e Alertas Agroclimáticos do Rio Grande do Sul (Simagro-RS), Flávio Varone, confirma: a estação tende a ter chuvas abaixo da média no Estado. “O verão vai começar bastante úmido no final de dezembro, com muita nebulosidade e pancadas de chuva em boa parte do Rio Grande do Sul”, afirma. “Mas, ao longo dos meses de janeiro e fevereiro, ocorre uma diminuição dessa chuva”, prevê.

De acordo com Varone, as precipitações de dezembro vão favorecer algumas áreas onde está começando o plantio da safra de verão, mas podem prejudicar outras onde a safra já foi iniciada. “Outro lado bom é que os reservatórios vão atingir níveis satisfatórios em todas as regiões do Estado”.

Com relação às temperaturas, a tendência é que fiquem acima dos 30 graus. “Não são esperadas grandes ondas de calor, como em períodos de 10 ou 12 dias com temperaturas próximas dos 40 graus. Não se espera isso”, acredita Varone. “Claro que em uns dois ou três dias, as temperaturas podem chegar perto dos 40 graus, mas não será a normalidade. O normal é que fiquem acima dos 30”, esclarece.

Diante de um verão com contrastes regionais, especialistas recomendam atenção redobrada ao manejo, ao monitoramento climático e ao planejamento hídrico. A combinação entre boa disponibilidade de água no solo, ausência de calor extremo prolongado e leitura local das condições do tempo será decisiva para reduzir riscos e aproveitar as oportunidades da estação.

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Verão
Fonte: Inmet

Características do verão

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o verão no Hemisfério Sul é  caracterizado pela elevação da temperatura em função da posição relativa da Terra em relação ao Sol mais ao sul, tornando os dias mais longos que as noites. 

Outra característica da estação são as mudanças rápidas nas condições de tempo, favorecendo a ocorrência de chuvas intensas, queda de granizo, vento com intensidade variando de moderada a forte e descargas elétricas:

“As chuvas são frequentes em praticamente todo o País, com volumes superiores a 400 mm, com exceção dos menores volumes de chuva registrados no extremo sul do Rio Grande do Sul, nordeste de Roraima e leste do Nordeste, onde geralmente os totais de chuvas são inferiores a 400 mm”.

De acordo com o Inmet, em média, os maiores volumes de precipitação podem ser observados sobre as regiões Norte e Centro-Oeste, com totais na faixa entre 700 e 1100 mm.

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