Clima
La Niña confirmado: veja como ele vai atuar na sua região
Considerado de baixa intensidade, fenômeno La Niña deve perder força em fevereiro de 2026
Redação Agro Estadão
13/10/2025 - 05:00

A Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA) confirmou o La Niña. O boletim diz que o fenômeno já está presente no continente e deve persistir até fevereiro de 2026, com transição para neutralidade entre janeiro e março.
Porém, segundo a NOAA, a fase atual do La Niña deve ser fraca, com resfriamento das águas do Pacífico Equatorial entre –0,5°C e –0,9°C. Dados que indicam um La Niña de curta duração e com efeitos limitados sobre o clima.
A expectativa é que o fenômeno ganhe maior intensidade a partir de dezembro, reduzindo gradualmente entre janeiro e março, quando aumenta a probabilidade de condição neutra (em cinza, no gráfico abaixo).

Efeitos na região Sul
De acordo com o meteorologista Flávio Varone, do Sistema de Monitoramento e Alertas Agroclimáticos (Simagro-RS), os efeitos do La Niña devem ser mais perceptíveis no Sul do País entre novembro e dezembro, período em que há tendência de redução das chuvas.
Os modelos climáticos analisados pelo Simagro indicam um La Niña fraco e de curta duração, com impacto maior sobre o Rio Grande do Sul, onde o volume de precipitação deve ficar abaixo da média histórica nos últimos meses do ano. “Os modelos indicam um La Niña curto, que pode reduzir a umidade nesse período, mas sem impactos severos à safra”, afirmou.
Segundo Varone, outubro ainda deve registrar chuvas regulares, o que mantém os reservatórios em níveis elevados e favorece o preparo do solo para o plantio de verão. A partir de novembro, a diminuição da nebulosidade tende a elevar as temperaturas e a evapotranspiração (perda de umidade do solo), exigindo maior manejo de irrigação e conservação de água nas propriedades.
Para janeiro e fevereiro, a projeção é de retorno à normalidade, com chuvas mais regulares e condições típicas de verão, favoráveis ao desenvolvimento das lavouras de soja, milho e arroz. “O produtor deve aproveitar o atual período úmido para reservar água e planejar o manejo, pois a redução da chuva no fim da primavera pode afetar o ritmo do plantio em áreas isoladas”, disse Varone.
A previsão, segundo ele, não indica prejuízos generalizados, mas exige atenção redobrada nas lavouras implantadas entre o fim de outubro e o início de novembro, quando a umidade do solo pode diminuir em parte das regiões produtoras.
Orientações por cultura
O Conselho Permanente de Agrometeorologia Aplicada do Rio Grande do Sul (Copaaergs) publicou uma série de instruções técnicas para culturas de inverno e de verão, como grãos, arroz, hortaliças, fruticultura, silvicultura e pastagens. Entre as orientações gerais, estão:
- Adotar sistemas de irrigação sempre que possível;
- Monitorar as culturas quanto à real necessidade/quantidade de água a ser aplicada, dimensionando os sistemas de irrigação adequadamente;
- Implantar e manter, sempre que possível, plantas de cobertura para melhoria e recuperação das características físicas, químicas e biológicas do solo, e minimizar a perda de água por evapotranspiração.
Clique aqui e veja o material na íntegra.
Umidade nas principais regiões produtoras
A EarthDaily, empresa especializada em sensoriamento remoto, também prevê melhora nas condições hídricas em algumas regiões. Para os próximos dias, por exemplo, os modelos apontam aumento da umidade do solo em Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e São Paulo, além de chuvas acima da média no Sul. Apenas o Mato Grosso do Sul deve manter precipitação limitada no curto prazo.
Felippe Reis, analista de safra da empresa, avalia que a transição “marca o fim da fase crítica da seca e o retorno a condições mais equilibradas de umidade”. Segundo ele, temperaturas próximas ou ligeiramente abaixo da média ajudarão a conter a evaporação e favorecer o desenvolvimento inicial das lavouras.
Em Mato Grosso, a umidade segue abaixo da média, mas em níveis semelhantes aos do ciclo anterior, que teve bom desempenho produtivo. Em Goiás, a tendência é de recuperação gradual, enquanto no norte do Paraná ainda terá déficit de precipitação, e o Sul do Estado mantém condição hídrica satisfatória.
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